Minha vida ficou difícil. Há dois dias que minha dor de dente apareceu. Hoje, ela piorou de vez. Passou o dia latejando e eu aguentei até a hora do analgésico. Finalmente, tomei-o para descobrir que a dor era mais forte que o comprimido. Tomei outro. Estou chapado.
Ontem, fui à emergência do dentista. Tiraram radiografia, analisaram, discutiram e nada descobriram de definitivo. Não há ainda um veredicto sobre as causas da minha dor. Amanhã, farei uma tomografia da minha boca, algo inédito em todos esses anos de suplício com meus dentes.
Dessa vez, parece que não tenho culpa. A dor não veio por causa de falta de cuidados ou asseio. Parece que se trata de um dente que encavala em outro. Um erro de fábricação, coisas da genética de um vira-lata.
O fato é que a dor se torna a protagonista da sua vida. Ultrapassa os projetos, os interesses e os anseios. Tudo o que se deseja é que ela termine. Ontem, dormi com ela; durante a madrugada, sonhei com ela; e, finalmente, acordei com ela.
Agora que estou chapado, consigo escrever. Terei algumas horas de alívio, mas daqui a pouco sei que ela voltará.
Dizem que a dor nos acompanha da hora de nascer até a morte. Espero que, pelo menos, eu não sofra mais desse dente. E sei que tem coisa muito, mas muito pior que isso.
Pois é. A vida é bela, mas não é fácil.
Haja comprimido.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Erros demais
O recente fato mostra erros de conduta e julgamento. Em todos esses anos, nunca havia visto ninguém censurar o Clube Militar. Não se trata de um órgão público, mas de uma associação centenária, de direito privado sem fins lucrativos, de caráter representativo, assistencial, social, cultural, esportivo e recreativo, com atuação em todo território nacional.
Por outro lado, ao militar inativo é permitida a livre manifestação sobre assuntos políticos ou ideológicos. O primeiro erro, portanto, foi o de impedir uma manifestação legítima.
Quando se fecha a válvula de uma panela de pressão no fogo, corre-se o risco dela explodir. Ao interromper um ato legal, abre-se a oportunidade para a indisciplina.
O segundo erro foi mostrar-se incomodada com a publicação. Sabe-se, agora, que há um ponto fraco que poderá ser explorado. Fica a questão sobre quem agiu ao arrepio da lei.
Ainda acredito que os controladores da mída não permitirão que se explore esse assunto. Os "heróis da resistência" erraram muito e mais uma vez mostram sua verdadeira face.
Por outro lado, ao militar inativo é permitida a livre manifestação sobre assuntos políticos ou ideológicos. O primeiro erro, portanto, foi o de impedir uma manifestação legítima.
Quando se fecha a válvula de uma panela de pressão no fogo, corre-se o risco dela explodir. Ao interromper um ato legal, abre-se a oportunidade para a indisciplina.
O segundo erro foi mostrar-se incomodada com a publicação. Sabe-se, agora, que há um ponto fraco que poderá ser explorado. Fica a questão sobre quem agiu ao arrepio da lei.
Ainda acredito que os controladores da mída não permitirão que se explore esse assunto. Os "heróis da resistência" erraram muito e mais uma vez mostram sua verdadeira face.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Rafalle
As últimas notícias indicam que finalmente o Brasil escolherá o Rafalle como o avião do Projeto FX2. Há quem se manifeste desfavoravelmente à escolha. Quanto ao assunto, é preciso fazer algumas considerações.
Quem conhece do assunto assegura que o Rafaele é um excelente avião, de altíssimo nível, mas a questão envolve outros fatores. O primeiro deles de natureza econômica.
O Rafalle é bem mais caro que seus concorrentes porque não há escala para sua produção, mas isso não tem nada a ver com mercado ou qualidade, tem a ver com política. Recentemente, o Rafalle venceu uma licitação na Índia, o que vai atenuar esse problema.
Em segundo lugar, tem o problema da transferência de tecnologia, o que é algo muito mais complicado para quem vai recebê-la do que para quem vai transferí-la.
Em relação ao parceiro estratégico, há um outro fato relevante. A Embraer venceu uma licitação para fornecer Super Tucanos para as Forças Armadas dos EUA. Contudo, a Hawker Beechcraft entrou na justiça e barrou a aquisição. Esse fato comprova que o mercado norte americano é fechadíssimo e que não se pode contar com os EUA para uma parceria estratégica.
Daí, vem a questão do peso político do parceiro comercial. A França, por mais debilitada que esteja, ainda é um ator relevante no Sistema Internacional, muito mais do que a Suécia. Uma aliança estratégica com os franceses contribuiu para a defesa dos nossos interesses.
O mais importante de tudo isso, todavia, é definir de uma vez a aquisição do avião, qualquer que seja o modelo ou fabricante, pois ele é necessário para a nossa defesa e a demora desse processo já ultrapassou todos os limites do bom senso.
Quem conhece do assunto assegura que o Rafaele é um excelente avião, de altíssimo nível, mas a questão envolve outros fatores. O primeiro deles de natureza econômica.
O Rafalle é bem mais caro que seus concorrentes porque não há escala para sua produção, mas isso não tem nada a ver com mercado ou qualidade, tem a ver com política. Recentemente, o Rafalle venceu uma licitação na Índia, o que vai atenuar esse problema.
Em segundo lugar, tem o problema da transferência de tecnologia, o que é algo muito mais complicado para quem vai recebê-la do que para quem vai transferí-la.
Em relação ao parceiro estratégico, há um outro fato relevante. A Embraer venceu uma licitação para fornecer Super Tucanos para as Forças Armadas dos EUA. Contudo, a Hawker Beechcraft entrou na justiça e barrou a aquisição. Esse fato comprova que o mercado norte americano é fechadíssimo e que não se pode contar com os EUA para uma parceria estratégica.
Daí, vem a questão do peso político do parceiro comercial. A França, por mais debilitada que esteja, ainda é um ator relevante no Sistema Internacional, muito mais do que a Suécia. Uma aliança estratégica com os franceses contribuiu para a defesa dos nossos interesses.
O mais importante de tudo isso, todavia, é definir de uma vez a aquisição do avião, qualquer que seja o modelo ou fabricante, pois ele é necessário para a nossa defesa e a demora desse processo já ultrapassou todos os limites do bom senso.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Barro na veia
Um comentário de um amigo meu no facebook me deu a oportunidade de desenvolver uma historinha sobre soldados e barro. É mais ou menos assim. O soldado novo, com pouco tempo de quartel, suja a pele de barro quando vai ao campo; mas quando se trata de um velho soldado, já calejado e experiente, o barro passa através da pele e entra na corrente sanguínea.
Tem gente que sobrevive ao quartel mas não vive a vida militar. Por isso, ter anos e anos de serviço não garante o barro na veia. Para isso, é preciso que o militar tenha um coração que aguente bombear sangue e terra. Isso quer dizer que ele tem que ser forte para suportar os dissabores, as contrariedades e dificuldades da vida militar e mesmo assim, ter o entusiasmo de enfrentar os desafios.
É difícil vencer as dificuldades. Mais fácil é fechar os olhos e deixar as coisas como estão, fazer de conta que os problemas não existem, deixar de consertar o errado porque as coisas sempre foram assim.
Barro na veia não significa resignação, mas a aceitação do sacrifício. A terra no sangue representa o amor à Instituição e a firme determinação de consertar o que está ruim e em melhorar o que está bom.
Então, velhos companheiros, que nossa couraça nos proteja dos perigos, mas que ela sempre deixe passar a terra que precisamos em nossas veias.
Tem gente que sobrevive ao quartel mas não vive a vida militar. Por isso, ter anos e anos de serviço não garante o barro na veia. Para isso, é preciso que o militar tenha um coração que aguente bombear sangue e terra. Isso quer dizer que ele tem que ser forte para suportar os dissabores, as contrariedades e dificuldades da vida militar e mesmo assim, ter o entusiasmo de enfrentar os desafios.
É difícil vencer as dificuldades. Mais fácil é fechar os olhos e deixar as coisas como estão, fazer de conta que os problemas não existem, deixar de consertar o errado porque as coisas sempre foram assim.
Barro na veia não significa resignação, mas a aceitação do sacrifício. A terra no sangue representa o amor à Instituição e a firme determinação de consertar o que está ruim e em melhorar o que está bom.
Então, velhos companheiros, que nossa couraça nos proteja dos perigos, mas que ela sempre deixe passar a terra que precisamos em nossas veias.
Fazer a cabeça
A expressão "fazer uma cabeça" era uma gíria muito usada pelos jovens dos anos setenta e me parece que estava realacionada ao uso de drogas. De certa forma, pode-se dizer, como a propaganda, o "fazer a cabeça" das pessoas servia para direcionar sua preferência a um produto ou à aceitação de uma ideia.
Até alguns anos atrás, a esquerda ainda fazia a cabeça de muita gente, sem grande contestação. Era fácil e lógico aceitar seus princípios e dogmas, que quase sempre apontavam a causa dos nossos problemas ao imperialismo norte-americano ou à exploração dos fracos pelos fortes. Há mesmo uma certa dose de realidade nesse diagnóstico, mas o fato é que o mundo evoluiu e hoje as ideias socialistas despertam críticas.
É que, ao tentar colocar em prática o pensamento utópico, os esquerdistas esbarraram em suas próprias fraquezas. Os sucessivos governos de esquerda apresentaram inúmeras contradições. Afinal, não se pode pregar a ética e a moralidade nos discursos quando no dia a dia se pratica a corrupção e a mentira. Por isso, não é mais tão fácil fazer a cabeça do povo.
Contudo, mesmo com evidentes erros e abusos na aplicação de suas ideias, há os que se recusam a rever os seus conceitos. Prova de que é difícil desfazer uma cabeça feita.
Até alguns anos atrás, a esquerda ainda fazia a cabeça de muita gente, sem grande contestação. Era fácil e lógico aceitar seus princípios e dogmas, que quase sempre apontavam a causa dos nossos problemas ao imperialismo norte-americano ou à exploração dos fracos pelos fortes. Há mesmo uma certa dose de realidade nesse diagnóstico, mas o fato é que o mundo evoluiu e hoje as ideias socialistas despertam críticas.
É que, ao tentar colocar em prática o pensamento utópico, os esquerdistas esbarraram em suas próprias fraquezas. Os sucessivos governos de esquerda apresentaram inúmeras contradições. Afinal, não se pode pregar a ética e a moralidade nos discursos quando no dia a dia se pratica a corrupção e a mentira. Por isso, não é mais tão fácil fazer a cabeça do povo.
Contudo, mesmo com evidentes erros e abusos na aplicação de suas ideias, há os que se recusam a rever os seus conceitos. Prova de que é difícil desfazer uma cabeça feita.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Quem cala, conmente!
No artigo "Verdade sem Eufemismos", publicado pela Folha de São Paulo de 09 de dezembro passado, o Hélio Schwartsman deu a tônica do pensamento que domina a mídia sobre a Comissão da Verdade.
Para ele, não procede a queixa dos que reclamam de revanchismo e reclamam da parcialidade que dita comissão adotará, investigando apenas os crimes cometidos pelas forças de segurança, pois não estavamos em guerra civil e os insurgentes armados deveriam ser tratados e respeitados como presos comuns. Os agentes do Estado teriam, então, a obrigação de zelar pela sua integridade física.
Quando li o artigo, logo pensei: ah, tá bom! A comissão da (meia) verdade só vai investigar a metade da história porque não estávamos em guerra civil. Então, da próxima vez que estivermos enfrentando terroristas, vamos deixar que a situação piore o bastante para virar um conflito de grandes proporções, de preferência com milhares de mortos, pois só assim poderemos aspirar um pouco mais de isenção no posterior julgamento histórico dos fatos.
Fica evidente que os argumentos dessa linha de pensamento do Hélio Schw¨%&)$! estão mais do que furados; eles foram mesmo é arrombados pela marcha do tempo. Jamais poderiam justificar que não se investigue também os crimes dos terroristas. Ora, vida é vida, todos devemos ter nossa existência respeitada, até mesmo os cruéis agentes da burguesia, como os numerosos vigilantes de banco e sentinelas de quartéis que foram mortos covardemente naquela época. Contudo, muita gente (pretensamente) boa se cala sobre essa desigualdade de tratamento.
Eu até entendo. Enquanto os cruéis vigilantes de banco eram filhos de lavadeiras; os bravos universitários heróis da resistência eram gente de boa índole, criada na classe média alta, como nossa atual líder. Não dá para comparar alhos com bugalhos, não é mesmo? Afinal, quem escreve melhor e mais bonito acaba reescrevendo a história.
Aproveito para lançar um novo verbo, o conmentir, que significa mentir junto. Há um ditado popular que diz: "quem cala consente". Com meu novo verbo, o ditado poderia ser reescrito para essa Comissão da (in)Verdade para: "quem cala, conmente".
Já estou ansioso pelos conmentários dos bravos heróis da resistência.
Para ele, não procede a queixa dos que reclamam de revanchismo e reclamam da parcialidade que dita comissão adotará, investigando apenas os crimes cometidos pelas forças de segurança, pois não estavamos em guerra civil e os insurgentes armados deveriam ser tratados e respeitados como presos comuns. Os agentes do Estado teriam, então, a obrigação de zelar pela sua integridade física.
Quando li o artigo, logo pensei: ah, tá bom! A comissão da (meia) verdade só vai investigar a metade da história porque não estávamos em guerra civil. Então, da próxima vez que estivermos enfrentando terroristas, vamos deixar que a situação piore o bastante para virar um conflito de grandes proporções, de preferência com milhares de mortos, pois só assim poderemos aspirar um pouco mais de isenção no posterior julgamento histórico dos fatos.
Fica evidente que os argumentos dessa linha de pensamento do Hélio Schw¨%&)$! estão mais do que furados; eles foram mesmo é arrombados pela marcha do tempo. Jamais poderiam justificar que não se investigue também os crimes dos terroristas. Ora, vida é vida, todos devemos ter nossa existência respeitada, até mesmo os cruéis agentes da burguesia, como os numerosos vigilantes de banco e sentinelas de quartéis que foram mortos covardemente naquela época. Contudo, muita gente (pretensamente) boa se cala sobre essa desigualdade de tratamento.
Eu até entendo. Enquanto os cruéis vigilantes de banco eram filhos de lavadeiras; os bravos universitários heróis da resistência eram gente de boa índole, criada na classe média alta, como nossa atual líder. Não dá para comparar alhos com bugalhos, não é mesmo? Afinal, quem escreve melhor e mais bonito acaba reescrevendo a história.
Aproveito para lançar um novo verbo, o conmentir, que significa mentir junto. Há um ditado popular que diz: "quem cala consente". Com meu novo verbo, o ditado poderia ser reescrito para essa Comissão da (in)Verdade para: "quem cala, conmente".
Já estou ansioso pelos conmentários dos bravos heróis da resistência.
Como chegar ao generalato
Depois de quase três décadas de serviço, descobri o que é necessário para um oficial chegar ao generalato.
É simples. Ele só precisa ser ter cabelo e todos os dentes; ser bem apessoado; ter excelente apresentação individual; ser inteligente, simpático, desenrolado; ter espírito de liderança, ser corajoso, ter todos os cursos, cuidar bem das mãos e, sobretudo, ser humilde. Eu só tenho um problema: roo as unhas. rs
É simples. Ele só precisa ser ter cabelo e todos os dentes; ser bem apessoado; ter excelente apresentação individual; ser inteligente, simpático, desenrolado; ter espírito de liderança, ser corajoso, ter todos os cursos, cuidar bem das mãos e, sobretudo, ser humilde. Eu só tenho um problema: roo as unhas. rs
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