domingo, 26 de janeiro de 2014

Prejuízos

Em São Paulo, ontem à noite, um serralheiro teve seu carro incendiado  uma barricada dos Black Blocs. A família ameaça processar o Estado por não prover a segurança que impediria o fato. Daí, pergunto. Quem pagará, no final das contas, os prejuízos de mascarados e rolezinhos? Resposta: o contribuinte, como sempre. Quem paga imposto arca com todos os prejuízos. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

O livro negro do comunismo

Gosto de ler, mas não de gastar dinheiro. Não suporto textos mal escritos e procuro o que é bom e bem barato, de preferência grátis. Baixei o livro negro do comunismo. Que livro!
Há tempos eu via a edição impressa, volumosa, ocupando espaço numa estante na casa de meu pai. Nunca o li. Letras miúdas e muitas páginas me afastavam do texto. Não gosto de carregar tijolos pela sala. Ler deitado no sofá é um dos meus prazeres na vida. Com o livro no meu iPhone, leio onde e quando quero. 
Há duas semanas que acompanho os massacres promovidos por Stalin, Lenin e tantos outros.
O comunismo é uma ideologia criminosa e que ainda não recebeu o devido castigo.
Ainda estou entretido na leitura, mas já posso recomendar o livro.
Não percam.

Português é o grande diferencial

Voltei.
Depois de um longo recesso, estou novamente diante do meu blog.
Havia mesmo esquecido deste espaço, que é só meu, de tão poucos leitores que me acompanham. Contarei o que me fez regressar.
Ouvi um dos comentários do Max Geringer sobre a importância de se fazer entender. Um ouvinte, professor de português, reclamava das deficiências que seus alunos demonstravam no domínio de nossa língua.
Tenho algo a dizer sobre este assunto.
Anos atrás, antes mesmo dos computadores invadirem nossas vidas, era mais difícil escrever. Era preciso ter caneta, caderno e um ambiente apropriado. A datilografia era terreno de escritores profissionais, daqueles que vemos nos filmes antigos, teclando as máquinas, arrancando, amassando e arremessando no lixo folhas mal escritas.
Os teclados facilitaram a vida de todos, mestres e diletantes. Mais dóceis, permitiam toques suaves. Os editores de texto deixam o escritor errar à vontade. Basta deletar o que não lhe agrada, sem gastar papel a toa.
O mundo parecia perfeito, mas a evolução alcançou os "tablets" e "smartphones", aparelhos que são uma maravilha para ler, mas péssimos para escrever.
Tudo isso me atingiu.
Aqui em casa, o desktop e meus dois notebooks estão pifados há tempos,  Não sentia falta, pois o iPhone e o tablet atendem minhas necessidades de obter informação. Eu me acomodei.
Ouvi o comentário do Geringer e ressuscitei o velho e desmemoriado notebook Dell.
Por enquanto, tudo bem. Vamos ver se essa geringonça salva este meu texto de retorno.
Um abraço a todos.

sábado, 26 de outubro de 2013

A ruína da civilização ocidental

O paradoxo dos nossos dias é que a grandeza da nossa civilização provocará a sua ruína.
Recentemente, li "Os Centuriões", de Jean Lartéguy, um livro publicado há cinquenta anos. Num de seus trechos, um chefe vietnamita comentou que a derrota da França seria inevitável,  pois seus soldados não podiam ultrapassar os limites das regras de conduta que a sociedade francesa lhes impusera, enquanto seus adversários dispunham de plena liberdade de ação para as piores atrocidades.
Não tenho dúvidas que isso foi especialmente determinante para a derrota da França na guerra  na Indochina e para a posterior perda de suas colônias na África.
Poucos anos depois, o poder militar avassalador dos EUA não foi suficiente para garantir a vitória contra aqueles mesmos vietnamitas, pois a opinião pública norte-americana não mais tolerava a continuação da guerra no Vietnã.
As limitações que França e EUA impuseram a seus soldados nas guerras que travaram décadas atrás, também se manifestam contemporaneamente no plano interno das nações.
Nos últimos anos, as democracias mais sofisticadas do mundo têm incorporaram ao seu arcabouço legal normas visando proteger suas minorias sociais da  possível opressão imposta pelos mais numerosos.
O que  seria uma medida de promoção da tolerância e de proteção contra os abusos dos mais fortes tem, muitas vezes, provocado um efeito perverso, permitindo o que se poderia chamar de tirania das minorias.
Dentre diversos casos, há, no Brasil, o exemplo dos Black Blocs, que atacam instituições e atingem a democracia, valendo-se de franquias democráticas, tais como os da liberdade de expressão e da presunção de inocência.
Buscando um cenário mais amplo, há atores internacionais que agem como Black Blocs em escala global, seja  espalhando em diversos países o terror dos atentados a bomba, ou, internamente, empregando o poder militar para massacrar seu próprio povo.
No caso da grande potência mundial, sua capacidade em impedir tais atrocidades encontra limitações impostas por sua própria sociedade, o que reduz a disposição de seu governo em empregar seus meios militares, mesmo quando moralmente justificável.
O povo norte-americano, cansado de guerra, não se vê impelido na busca de outros conflitos.
Em resumo, as sofisticadas democracias ocidentais acomodam suas tensões internas por meio de transferência de poder político a grupos minoritários, mas influentes; toleram abusos cada vez mais frequentes às normas democráticas; e restringem sua própria capacidade de agir contra terroristas e ditadores.
Eis, então, que a grandeza da nossa civilização nos arruinará

sábado, 12 de outubro de 2013

Nobel da Paz

O Nobel da Paz deste ano foi para a Organização para a Proibição de Armas Químicas, a OPAQ. Longe de ser injusto, pela relevância de eliminar armas de destruição em massa; e também longe de ser o mais merecido, porque a OPAQ existe tão somente para cumprir um tratado internacional.
Os inspetores de armas químicas aplicam a ciência pelo bem da humanidade, trabalham em ambientes inóspitos e se expõem ao perigo do envenenamento. É justo que sejam reconhecidos, mas eles só se movem quando autorizados pelos governos.
Quem mais mereceria esse prêmio seria a Convenção para a Proibição de Armas Químicas, um instrumento ratificado por praticamente todas as nações e que traduz o propósito de livrar o mundo de um tipo de arma particularmente cruel.
Não se pode premiar um propósito ou uma boa intenção. Então, o prêmio segue para a instituição que torna o desejo em realidade. É justo que seja assim.

sábado, 14 de setembro de 2013

Mal menor

O blog do Caio Blinder tece comentários sobre o artigo How Siria is Like Iraq, escrito no site Real Clear World. Nele, Robert Kaplan admite ter cometido um erro em ter defendido a invasão do Iraque, dez anos atrás, pois os fatos mostraram que Saddam Hussein seria um mal menor diante do que seu país se tornou após o conflito com os Estados Unidos. 
Admiro a atitude de Robert Kaplan em admitir um erro que teria cometido. Li seu artigo e o considerei consistente, mas discordo de sua análise.
Kaplan diz que um bom analista teria que formular seu trabalho pensando em cinco ou seis etapas adiante. Ora, isso seria muito temerário, pois os acontecimentos sempre carregam um elevado grau de incerteza.
Pode ser que um mestre do xadrez consiga antecipar cinco ou seis jogadas adiante de seu adversário, mas isso é bem diferente de se prever, na vida real, as consequências a longo prazo de um fato no presente.
A incerteza é ainda maior quando se trata do Oriente Médio, onde povos milenares coabitam países artificialmente criados, com menos de cem anos de existência juridicamente aceita. Lembro que aqueles mesmos países foram construídos em território que pertenceu, por séculos, ao Império Otomano, sem notícias de maiores instabilidades. Contudo, ao longo de um século, o que era tranquilo se transformou numa região onde afloram as rivalidades, onde a violência assusta pela sua extensão e profundidade.
Não ouso prever o que ocorrerá naquele canto do planeta. Acho que ali funciona melhor o ditado que diz que o futuro a Deus pertence.
Um segundo aspecto quanto à análise de Kaplan diz respeito à ideia do mal menor. Não acredito nesse conceito. Recordo que, na vida, não existe um pequeno câncer ou uma pequena gravidez. O que é pequeno hoje, amanhã pode lhe consumir o corpo e a alma. Assim também é com os regimes de governo. Não se pode pensar numa ditadura inofensiva ou até mesmo do bem, funcionando como como uma rolha impedindo que se libere o mal contido numa garrafa. O autoritarismo também evolui e nada é tão ruim que não possa piorar.
A guerra civil da Síria envolve interesses difusos, com um nível de violência e crueldade que a equipara aos piores conflitos da humanidade, como aqueles que atingiram os balcãs ou os da rivalidade entre hutus e tutsies na África.
Os que praticam genocídios merecem as consequências de seus atos. Não me preocupo tanto com qual facção merece viver ou morrer nas guerras. Afinal, morrer faz parte dos riscos do combate. O que realmente me incomoda é a imagem de crianças envenenadas, daqueles pequenos anjos que o homem mata com tanta facilidade.
Melhor que prever o futuro é impedir os massacres de inocentes que continuam acontecendo.
Ontem, Ban Ki Moon afirmou que o governo Sírio é o responsável pelo massacre do dia 21 de agosto. A crueldade só aumenta a pressão da garrafa síria. A rolha, do jeito que está, provocará a explosão da garrafa em mil estilhaços. Parece que é hora de destampá-la e enfrentar de vez o mal que ela contém.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Dachau em Damasco

A atual aversão de boa parte dos americanos em se enroscar em mais um conflito me lembra que os EUA só ingressaram na Segunda Guerra Mundial depois de mais de dois anos do início das hostilidades. Foi preciso um acontecimento dramático, o ataque a Pearl Harbor, para mover e comover o Gigante do Norte.
Logo depois do final daquela guerra, soldados americanos esbarraram com o campo de concentração de Dachau, surpreendendo-se com o que encontraram. Impuseram à população alemã das redondezas o merecido castigo de enterrar os corpos acumulados naquele campo.
Foi uma lição memorável. Os alemães aprenderam que toda sua Nação, mesmo aqueles que não eram combatentes ou nazistas, era responsável pelo ocorria nos campos de extermínio. Muitos clamaram desconhecer as atrocidades, mas ainda que não tivessem sido informados, deveriam desconfiar e, de algum modo, agir.
A lição deveria ser aprendida por todos os homens e nações, mas não foi.
Hoje, sabemos que criancinhas morrem envenadas por bombas químicas na Síria, algo inaceitável. Contudo, muitos se escoram num pragmatismo perverso de não se envolver numa guerra que não lhes pertence. É justamente aí que mora o engano.
O massacre das crianças de Damasco é um crime contra a humanidadee não se pode tolerar sua repetição. Por isso, algo tem que ser feito, de preferência em conformidade com as regras do Direito Internacional. Caso contrário, no final dessa história teremos nossa própria pilha de pequenos cadáveres para enterrar.