sábado, 31 de agosto de 2013
É preciso agir na Síria
Produzir armas químicas é relativamente simples e a tecnologia para utilizá-las em granadas de artilharia ou de morteiros data de quase cem anos, ou seja, desde a primeira guerra mundial.
São tremendamente insensíveis os que dizem que mortos são mortos, não importando se foram vítimas de tiros, bombas ou envenenamento. Não, não é assim.
Os efeitos das armas químicas são devastadores. Os que são pegos desprevenidos num ataque com agentes neurotóxicos podem morrer em questão de minutos. A morte é cruel. A vítima paralisada perde a capacidade de respirar. A consciência se esvai aos poucos, numa agonia desesperadora.
Agora, parem um pouco e pensem nas imagens das crianças mortas e imaginem como elas sofreram em sua morte. Convenhamos que, mesmo nas guerras, há limites para a crueldade.
O regime sírio manteve por longo tempo as armas químicas em estoque e tudo indica que perdeu o pudor em utilizá-las contra seus compatriotas.
É verdade que uma ação militar punitiva contra a Síria poderia espalhar o conflito perigosamente.
Um general francês afirmou recentemente que interessaria ao ocidente manter Assad no poder, pois, diante das perspectivas surgidas em sua eventual queda, ele seria o menor dos males.
Pode ser, mas diante do recente ataque químico esse mal menor está ficando cada vez pior.
Antes de concluir, ainda cabe uma reflexão final. O que interessa mesmo é fazer todo o possível para evitar a morte de outros inocentes. Atingir esse objetivo é muito complicado. Não há solução fácil ou indolor.
Agir pode ser perigoso pelas consequencias da ação; deixar de agir pode ser interpretado como fraqueza, deixando desimpedido o caminho para mais mortes.
Agir não necessariamente significa lançar bombas e mísseis. Assim como se faz para comer um mingau quente, a situação pode ser resolvida das beiradas para o centro do conflito.
Vislumbro que um acordo entre as grandes potências e os principais países do Oriente Médio poderia permitir que os responsáveis pelo ataques químicos fossem identificados e levados a julgamento no Tribunal Internacional Penal, em Haia. Essa seria uma solução adequada às normas do direito internacional e inibiria a repetição de outros ataques desa natureza.
Evidentemente, seria difícil convencer o regime sírio a cortar sua própria carne, mas poderia prevalescer o dito de que é melhor entregar os aneis do que cortar os dedos.
Soube hoje que Obama resolveu agir e isso é bom. Afinal, o presidente da nação mais poderosa do mundo é quem está mais apto a exercer a liderança em mais esse difícil da história da humanidade e o mínimo que se espera de um líder é que ele lidere.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
A Estrada de Damasco
Para começar, é bom lembrar que há um século, o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando desencadeou uma série de eventos que provocaram a primeira guerra mundial.
Considerando que a segunda guerra é consequência da primeira, podemos dizer que o tiro disparado em Saravejo provocou a morte não de um homem, mas de milhões; foi um tiro que mudou o mundo.
Tendo isso em mente, voltamos a nossos dias. Uma ação militar na Síria poderia ser desastrosa, ampliando uma guerra civil contida num país para um conflito em escala global. A percepção que a Estrada de Damasco conduz a um beco sem saída levou os britânicos cansados de guerra a negarem o uso da força contra o regime de Assad.
Daí, me vem à mente a pergunta que não quer calar: o que fazer?
Desde já, vislumbro uma saída. Uma investigação que aponte os culpados pelo bombardeio químico e levar os responsáveis para julgamento no Tribunal Internacional Penal de Haia.
Tudo indica que foi tropa do governo que disparou as bombas químicas. É difícil convencer Assad a cortar na própria carne. Afinal, lembremos que ele também se equilibra no fio da navalha e naquelas bandas demonstrar fraqueza equivale a enrolar a corda no pescoço. Contudo, o instinto de preservação também conta e sempre vale lembrar que perder os aneis pode não ser tão desastroso se ficarem os dedos.
Deixar de agir não me parece uma boa alternativa. Nada adiantará empurrar o problema com a barriga e deixar os sírios se matarem uns aos outros até que se escorra o último copo de sangue.
É verdade que há monstros de um lado e do outro daquela guerra civil, mas também há inocentes e muitas criancinhas no meio disso tudo.
Se a ação militar é perigosa, deixar de agir não resolve nada. O problema é difícil, mas tem que ser resolvido.
É hora do presidente do país mais poderoso do mundo decidir o que fazer. O hemisfério ocidental precisa que seu líder tome a iniciativa e mostre o caminho a seguir. Nem que ele leve mesmo a Damasco.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Salvo conduto
Quem aluga um imóvel no Chile tem que se submeter à regra do salvo conduto na hora de deixá-lo.
Explicando melhor, no fim do contrato de locação, o inquilino tem que pedir ao dono do imóvel quecele firme uma autorização para que possa tiar seus pertences de lá. Essa autorização é firmada em cartório e sem ela os carabineros podem impedir a mudança.
Fui Iinquilino lá por aquelas bandas e achava um absurdo essa regra do salvo conduto. Meus amigos chilenos, contudo, pensam que esse procedimento é absolutamente normal. Os chilenos pensam diferente de mim e provavelmente os bolivianos também.
Asilar ou deixar de asilar é uma decisão soberana de um país. O Brasil deu asilo ao senador boliviano, mas o presidente do país vizinho não autorizou que ele deixasse a embaixada. Para Morales, pouco importava se o Brasil asilava o senador; a Bolívia não permitiria a consumação do asilo. É de se perguntar quem violou a soberania de quem nessa história.
Pelo que eu saiba, nossa presidenta nunca precisou alugar um apartamento no Chile. Mesmo assim, parece que ela acha normal forçar o inquilino a obter salvo conduto para poder tirar o que é dele de dentro do imóvel alugado.
Querem um conselho de amigo? Façam de tudo para não ter que alugar um apartamento da Dona Dilma.
Síria
Hoje, li a notícia sobre o ataque com agentes de guerra química, que foi publicada no site do terra em 23 de agosto. Ela contém fotos de crianças mortas. São imagens revoltantes.Quem tiver estômago, conseguirá vê-las em
http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/especialistas-misseis-com-agente-nervoso-podem-estar-por-tras-de-ataque-na-siria,a171d4b1997a0410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html
Não consigo entender o que pensava o sujeito que lançou os mísseis com aqueles agentes. Certamente, é um monstro, um animal.
Não se vence o mal matando demônios, mas salvando almas. O fato me convenceu que é preciso agir na Síria, senão outras crianças morrerão.
domingo, 25 de agosto de 2013
Caxias
Proposta indecente
Parece inevitável a vinda dos cubanos, mas não percamos a esperança, ainda temos uma última cartada. Lançaremos a seguinte proposta: nós aceitamos a vinda de 4000 médicos cubanos se Cuba aceitar que mandemos 4000 advogados brasileiros para lá.
Conflito no Oriente Médio
- A situação no Oriente Médio nos interessa mais do que se costuma supor. Isso, não só pela siignificativa parcela de nossa população com descendência árabe, mas por laços que a maioria dos brasileiros ignora.Quarenta anos atrás, a escalada nos preços do petróleo nos levou a estreitar relações com o regime de Saddam Hussein, uma parceria com desdobramentos na nossa indústria automobilistica e bélica, no desenvolvimento da tecnologia nuclear e em diveras obras da construção civil.Décadas depois, um ex-presidente tentou projetar sua influência política na região, com um ousado movimento em direção ao Irã. Fez isso em conjunto com a Turquia, mas sofreu forte oposição de outros países tanto da região como do resto do mundo. Foi rechaçado e sua reputação sofreu alguns arranhões.A turbulência política, habitual no Oriente Médio, tem se intensificado. Para explicar os acontecimentos, muitos enxergam apenas a ação das grandes potências, mas fica cada vez mais claro que qualquer análise tem que abordar os interesses dos atores locais. Para entendê-los, é preciso conhecer a cultura e o pensamento árabes. Já trabalhei por ali e posso dizer que isso é muito complicado.Não é segredo que a ONU pretende que o Brasil contribua com tropas para uma força de manutenção de paz no Líbano. Não consigo pensar em melhores soldados para essa missão, mas ela é muito perigosa. Há evidentes riscos para a vida dos nossos militares e mesmo para o prestígio de nosso país.Para o observador isento e distante, já é difícil entender a sucessão de conflitos no Oriente Médio. Essa dificuldade aumentará muito quando brasileiros começarem a morrer por ali.