Um comentário de um amigo meu no facebook me deu a oportunidade de desenvolver uma historinha sobre soldados e barro. É mais ou menos assim. O soldado novo, com pouco tempo de quartel, suja a pele de barro quando vai ao campo; mas quando se trata de um velho soldado, já calejado e experiente, o barro passa através da pele e entra na corrente sanguínea.
Tem gente que sobrevive ao quartel mas não vive a vida militar. Por isso, ter anos e anos de serviço não garante o barro na veia. Para isso, é preciso que o militar tenha um coração que aguente bombear sangue e terra. Isso quer dizer que ele tem que ser forte para suportar os dissabores, as contrariedades e dificuldades da vida militar e mesmo assim, ter o entusiasmo de enfrentar os desafios.
É difícil vencer as dificuldades. Mais fácil é fechar os olhos e deixar as coisas como estão, fazer de conta que os problemas não existem, deixar de consertar o errado porque as coisas sempre foram assim.
Barro na veia não significa resignação, mas a aceitação do sacrifício. A terra no sangue representa o amor à Instituição e a firme determinação de consertar o que está ruim e em melhorar o que está bom.
Então, velhos companheiros, que nossa couraça nos proteja dos perigos, mas que ela sempre deixe passar a terra que precisamos em nossas veias.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Fazer a cabeça
A expressão "fazer uma cabeça" era uma gíria muito usada pelos jovens dos anos setenta e me parece que estava realacionada ao uso de drogas. De certa forma, pode-se dizer, como a propaganda, o "fazer a cabeça" das pessoas servia para direcionar sua preferência a um produto ou à aceitação de uma ideia.
Até alguns anos atrás, a esquerda ainda fazia a cabeça de muita gente, sem grande contestação. Era fácil e lógico aceitar seus princípios e dogmas, que quase sempre apontavam a causa dos nossos problemas ao imperialismo norte-americano ou à exploração dos fracos pelos fortes. Há mesmo uma certa dose de realidade nesse diagnóstico, mas o fato é que o mundo evoluiu e hoje as ideias socialistas despertam críticas.
É que, ao tentar colocar em prática o pensamento utópico, os esquerdistas esbarraram em suas próprias fraquezas. Os sucessivos governos de esquerda apresentaram inúmeras contradições. Afinal, não se pode pregar a ética e a moralidade nos discursos quando no dia a dia se pratica a corrupção e a mentira. Por isso, não é mais tão fácil fazer a cabeça do povo.
Contudo, mesmo com evidentes erros e abusos na aplicação de suas ideias, há os que se recusam a rever os seus conceitos. Prova de que é difícil desfazer uma cabeça feita.
Até alguns anos atrás, a esquerda ainda fazia a cabeça de muita gente, sem grande contestação. Era fácil e lógico aceitar seus princípios e dogmas, que quase sempre apontavam a causa dos nossos problemas ao imperialismo norte-americano ou à exploração dos fracos pelos fortes. Há mesmo uma certa dose de realidade nesse diagnóstico, mas o fato é que o mundo evoluiu e hoje as ideias socialistas despertam críticas.
É que, ao tentar colocar em prática o pensamento utópico, os esquerdistas esbarraram em suas próprias fraquezas. Os sucessivos governos de esquerda apresentaram inúmeras contradições. Afinal, não se pode pregar a ética e a moralidade nos discursos quando no dia a dia se pratica a corrupção e a mentira. Por isso, não é mais tão fácil fazer a cabeça do povo.
Contudo, mesmo com evidentes erros e abusos na aplicação de suas ideias, há os que se recusam a rever os seus conceitos. Prova de que é difícil desfazer uma cabeça feita.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Quem cala, conmente!
No artigo "Verdade sem Eufemismos", publicado pela Folha de São Paulo de 09 de dezembro passado, o Hélio Schwartsman deu a tônica do pensamento que domina a mídia sobre a Comissão da Verdade.
Para ele, não procede a queixa dos que reclamam de revanchismo e reclamam da parcialidade que dita comissão adotará, investigando apenas os crimes cometidos pelas forças de segurança, pois não estavamos em guerra civil e os insurgentes armados deveriam ser tratados e respeitados como presos comuns. Os agentes do Estado teriam, então, a obrigação de zelar pela sua integridade física.
Quando li o artigo, logo pensei: ah, tá bom! A comissão da (meia) verdade só vai investigar a metade da história porque não estávamos em guerra civil. Então, da próxima vez que estivermos enfrentando terroristas, vamos deixar que a situação piore o bastante para virar um conflito de grandes proporções, de preferência com milhares de mortos, pois só assim poderemos aspirar um pouco mais de isenção no posterior julgamento histórico dos fatos.
Fica evidente que os argumentos dessa linha de pensamento do Hélio Schw¨%&)$! estão mais do que furados; eles foram mesmo é arrombados pela marcha do tempo. Jamais poderiam justificar que não se investigue também os crimes dos terroristas. Ora, vida é vida, todos devemos ter nossa existência respeitada, até mesmo os cruéis agentes da burguesia, como os numerosos vigilantes de banco e sentinelas de quartéis que foram mortos covardemente naquela época. Contudo, muita gente (pretensamente) boa se cala sobre essa desigualdade de tratamento.
Eu até entendo. Enquanto os cruéis vigilantes de banco eram filhos de lavadeiras; os bravos universitários heróis da resistência eram gente de boa índole, criada na classe média alta, como nossa atual líder. Não dá para comparar alhos com bugalhos, não é mesmo? Afinal, quem escreve melhor e mais bonito acaba reescrevendo a história.
Aproveito para lançar um novo verbo, o conmentir, que significa mentir junto. Há um ditado popular que diz: "quem cala consente". Com meu novo verbo, o ditado poderia ser reescrito para essa Comissão da (in)Verdade para: "quem cala, conmente".
Já estou ansioso pelos conmentários dos bravos heróis da resistência.
Para ele, não procede a queixa dos que reclamam de revanchismo e reclamam da parcialidade que dita comissão adotará, investigando apenas os crimes cometidos pelas forças de segurança, pois não estavamos em guerra civil e os insurgentes armados deveriam ser tratados e respeitados como presos comuns. Os agentes do Estado teriam, então, a obrigação de zelar pela sua integridade física.
Quando li o artigo, logo pensei: ah, tá bom! A comissão da (meia) verdade só vai investigar a metade da história porque não estávamos em guerra civil. Então, da próxima vez que estivermos enfrentando terroristas, vamos deixar que a situação piore o bastante para virar um conflito de grandes proporções, de preferência com milhares de mortos, pois só assim poderemos aspirar um pouco mais de isenção no posterior julgamento histórico dos fatos.
Fica evidente que os argumentos dessa linha de pensamento do Hélio Schw¨%&)$! estão mais do que furados; eles foram mesmo é arrombados pela marcha do tempo. Jamais poderiam justificar que não se investigue também os crimes dos terroristas. Ora, vida é vida, todos devemos ter nossa existência respeitada, até mesmo os cruéis agentes da burguesia, como os numerosos vigilantes de banco e sentinelas de quartéis que foram mortos covardemente naquela época. Contudo, muita gente (pretensamente) boa se cala sobre essa desigualdade de tratamento.
Eu até entendo. Enquanto os cruéis vigilantes de banco eram filhos de lavadeiras; os bravos universitários heróis da resistência eram gente de boa índole, criada na classe média alta, como nossa atual líder. Não dá para comparar alhos com bugalhos, não é mesmo? Afinal, quem escreve melhor e mais bonito acaba reescrevendo a história.
Aproveito para lançar um novo verbo, o conmentir, que significa mentir junto. Há um ditado popular que diz: "quem cala consente". Com meu novo verbo, o ditado poderia ser reescrito para essa Comissão da (in)Verdade para: "quem cala, conmente".
Já estou ansioso pelos conmentários dos bravos heróis da resistência.
Como chegar ao generalato
Depois de quase três décadas de serviço, descobri o que é necessário para um oficial chegar ao generalato.
É simples. Ele só precisa ser ter cabelo e todos os dentes; ser bem apessoado; ter excelente apresentação individual; ser inteligente, simpático, desenrolado; ter espírito de liderança, ser corajoso, ter todos os cursos, cuidar bem das mãos e, sobretudo, ser humilde. Eu só tenho um problema: roo as unhas. rs
É simples. Ele só precisa ser ter cabelo e todos os dentes; ser bem apessoado; ter excelente apresentação individual; ser inteligente, simpático, desenrolado; ter espírito de liderança, ser corajoso, ter todos os cursos, cuidar bem das mãos e, sobretudo, ser humilde. Eu só tenho um problema: roo as unhas. rs
Médicos militares
Tá ruim para todo mundo, principalmente para os sujeitos de uniforme que se dedicam a defender este País. Um aspecto sensível para os militares é a dificuldade em acessar os serviços de saúde. Há grande carência de médicos militares.
A situação é tão ruim que nem adianta pagar plano de saúde. Os convênios são caros e é insuficiente a quantidade de clínicas conveniadas. O resultado são filas e filas e haja paciência e disposição. Não é bom ficar doente, ainda mais se você mora no andar de baixo no edifício social deste País.
O fato é que falta médico no Brasil e a carreira militar oferece muito serviço e pouco dinheiro. Além disso, para vestir a farda e encarar o trabalho no quartel, o sujeito tem que possuir a danada da vocação que anda em falta para a maioria da turma de branco.
Para piorar a situação, em alguns estados, sábios juízes federais liberaram do serviço militar os formandos de medicina que já tivessem o Certificado de Dispensa de Incorporação (CDI), um papelzinho que os brasileiros em geral obtêm quando, aos dezenove anos, se apresentam e são incluídos no excesso de contingente.
A Lei do Serviço Militar é bem clara a respeito disso. O formando de medicina, tendo ou não o tal do CDI, tem que se apresentar para o serviço nas Forças Armadas. Mas, com elevada sabedoria, alguns doutos magistrados julgam que essa lei não vale.
Já que falamos de medicina, acho que meu diagnóstico está até bem bonzinho. Difícil mesmo é encontrar um remédio para esse problema.
A situação é tão ruim que nem adianta pagar plano de saúde. Os convênios são caros e é insuficiente a quantidade de clínicas conveniadas. O resultado são filas e filas e haja paciência e disposição. Não é bom ficar doente, ainda mais se você mora no andar de baixo no edifício social deste País.
O fato é que falta médico no Brasil e a carreira militar oferece muito serviço e pouco dinheiro. Além disso, para vestir a farda e encarar o trabalho no quartel, o sujeito tem que possuir a danada da vocação que anda em falta para a maioria da turma de branco.
Para piorar a situação, em alguns estados, sábios juízes federais liberaram do serviço militar os formandos de medicina que já tivessem o Certificado de Dispensa de Incorporação (CDI), um papelzinho que os brasileiros em geral obtêm quando, aos dezenove anos, se apresentam e são incluídos no excesso de contingente.
A Lei do Serviço Militar é bem clara a respeito disso. O formando de medicina, tendo ou não o tal do CDI, tem que se apresentar para o serviço nas Forças Armadas. Mas, com elevada sabedoria, alguns doutos magistrados julgam que essa lei não vale.
Já que falamos de medicina, acho que meu diagnóstico está até bem bonzinho. Difícil mesmo é encontrar um remédio para esse problema.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Votos e esforços
As recentes greves de policiais reabriram a discussão sobre os salários de militares. Há companheiros que advogam soluções radicais, mas que podem ferir a hierarquia e disciplina. Sem esses dois valores, nós perderemos nossa identidade como militares.
Há uma outra ideia, que é a da união de votos e esforços. Ela é boa e me parece viável. Somos 750 mil ativos, inativos e pensionistas. Considerando quatro pessoas por família, teríamos algo como três milhões de viventes, ops, sobreviventes driblando a carestia geral com nossos minguados soldos. Esse número representa uns três porcento do eleitorado nacional. É pouco para botar alguém no Planalto, mas a conta bastaria para eleger uns três Tiriricas ou uns trinta Bolsonaros.
Como disse, a ideia é boa, boa mesmo. Difícil é convencer nossos companheiros a votar em A, B ou C. Afinal, somos militares e temos muito em comum, mas a historinha da caldeirinha do inferno, onde uns puxam os outros para baixo, tem lá sua semelhança com a realidade.
Outro ação viável é compartilhar essas ideias com o máximo de amigos possível. Vamos difundí-las no Facebook. A maioria dos brasileiros tem mentalidade conservadora, no sentido de apreciar os valores mais importantes e distinguir o que é certo do que é errado. Certamente, muitos dos politicamente corretos nos criticariam, mas há uma maioria silenciosa e conservadora, que sabe ler e vota.
Não dá para fazer muito mais do que isso. Talvez encher a caixa postal dos deputados com mensagens reivindicatórias e participar mais dos espaços de discussão na imprensa. Tudo isso seria muito mais do que tem sido feito ao longo dos anos.
Há uma outra ideia, que é a da união de votos e esforços. Ela é boa e me parece viável. Somos 750 mil ativos, inativos e pensionistas. Considerando quatro pessoas por família, teríamos algo como três milhões de viventes, ops, sobreviventes driblando a carestia geral com nossos minguados soldos. Esse número representa uns três porcento do eleitorado nacional. É pouco para botar alguém no Planalto, mas a conta bastaria para eleger uns três Tiriricas ou uns trinta Bolsonaros.
Como disse, a ideia é boa, boa mesmo. Difícil é convencer nossos companheiros a votar em A, B ou C. Afinal, somos militares e temos muito em comum, mas a historinha da caldeirinha do inferno, onde uns puxam os outros para baixo, tem lá sua semelhança com a realidade.
Outro ação viável é compartilhar essas ideias com o máximo de amigos possível. Vamos difundí-las no Facebook. A maioria dos brasileiros tem mentalidade conservadora, no sentido de apreciar os valores mais importantes e distinguir o que é certo do que é errado. Certamente, muitos dos politicamente corretos nos criticariam, mas há uma maioria silenciosa e conservadora, que sabe ler e vota.
Não dá para fazer muito mais do que isso. Talvez encher a caixa postal dos deputados com mensagens reivindicatórias e participar mais dos espaços de discussão na imprensa. Tudo isso seria muito mais do que tem sido feito ao longo dos anos.
Viúvas
Acabo de fazer um comentário no facebook a respeito de um texto do Coronel Braga.
Transcrevo a seguir o que escrevi.
Eu entendo os que se exasperam pela falta de solução ao problema salarial. Todos compartilhamos a angústia de não sermos devidamente valorizados. O que mais dói ao miliar não é a remuneração insuficiente, mas a diferença de tratamento entre carreiras. Os que se sacrificam não são valorizados, enquanto os oportunistas conseguem tudo o que pleiteiam.
Meu pai também é militar e desde criança me acostumei às restrições da falta de dinheiro em casa. Houve tempos muito piores que os atuais, minha família passou por privações, e, veja, meu pai é oficial. Muito pior era a situação de nossos colegas filhos de sargentos.
Pelo que lembro, quarenta anos atrás já havia os que pregavam ações radicais para aumentar os soldos dos militares. Desde aquela época, havia também os que se queixavam dos generais, acusando-os de acomodados ou ineptos. Eu mesmo já pensei assim, quando mais jovem e inconsequente.
Hoje, sei que é muito baixo o poder de fogo de um general, independentemente das estrelas que ele ostente. Além disso, os tempos são outros, bem diferentes da época em que um comandante destemperado poderia desestabilizar um governo.
O fato é que não há solução fácil ou indolor para nosso problema. O que ainda não sei, é como resolver essa situação atendendo aos princípios da hierarquia e disciplina. No IME, aprendi que a solução de um problema tem que obedecer às suas condicionantes. Partir para uma greve ou rebelião é o mesmo que desprezar a essência de nossa profissão.
Por outro lado, pelo que entendo da vida militar e do jogo político, sei que não se pode aceitar de modo algum a desvinculação dos salários dos militares da ativa e os da inatividade. Por fim, aproveito as pensionistas para encerrar meu raciocínio, desejando que nossas mulheres nunca fiquem viúvas.
Transcrevo a seguir o que escrevi.
Eu entendo os que se exasperam pela falta de solução ao problema salarial. Todos compartilhamos a angústia de não sermos devidamente valorizados. O que mais dói ao miliar não é a remuneração insuficiente, mas a diferença de tratamento entre carreiras. Os que se sacrificam não são valorizados, enquanto os oportunistas conseguem tudo o que pleiteiam.
Meu pai também é militar e desde criança me acostumei às restrições da falta de dinheiro em casa. Houve tempos muito piores que os atuais, minha família passou por privações, e, veja, meu pai é oficial. Muito pior era a situação de nossos colegas filhos de sargentos.
Pelo que lembro, quarenta anos atrás já havia os que pregavam ações radicais para aumentar os soldos dos militares. Desde aquela época, havia também os que se queixavam dos generais, acusando-os de acomodados ou ineptos. Eu mesmo já pensei assim, quando mais jovem e inconsequente.
Hoje, sei que é muito baixo o poder de fogo de um general, independentemente das estrelas que ele ostente. Além disso, os tempos são outros, bem diferentes da época em que um comandante destemperado poderia desestabilizar um governo.
O fato é que não há solução fácil ou indolor para nosso problema. O que ainda não sei, é como resolver essa situação atendendo aos princípios da hierarquia e disciplina. No IME, aprendi que a solução de um problema tem que obedecer às suas condicionantes. Partir para uma greve ou rebelião é o mesmo que desprezar a essência de nossa profissão.
Por outro lado, pelo que entendo da vida militar e do jogo político, sei que não se pode aceitar de modo algum a desvinculação dos salários dos militares da ativa e os da inatividade. Por fim, aproveito as pensionistas para encerrar meu raciocínio, desejando que nossas mulheres nunca fiquem viúvas.
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