quarta-feira, 31 de maio de 2017

Vivo, graças a Deus

Anteontem, me submeti a uma operação daquelas com direito a sala de cirurgia, equipe médica, incisôes no abdômem e anestesia geral. Nunca havia sofrido algo parecido, uma experiência inédita que me faz repensar no sentido de tudo isso.
Foi ali, deitado na maca, no ar gelado da sala muito clara, que me anestesiaram e, pela primeira vez na vida, apaguei completamente.
Sei que apaguei por mais de uma hora. Dormi sem sonhos por todo esse tempo, de repente, voltei a sonhar e acordei. A cirugia havia terminado e quinze segundos depois, uma dor aguda nas costas me fez lembrar onde estava. A recuperação foi meio barra pesada, mas hoje estou bem melhor.
Os minutos apagado, aqueles em que não existi, me levam ao pensamento da morte. Já havia desmaiado antes na vida, não apenas uma, mas duas vezes. A primeira, aos treze anos, quando escorreguei na beira de uma piscina, bati a nuca no chão e acordei desorientado no banheiro do clube, com meu pai muito incomodado pelas besteiras que havia falado enquanto desacordado.
A segunda vez foi numa formatura. Horas a fio em pé, esperando a passagem do general comandante que revistava a tropa antes da manobra, tudo isso aliado a um café da manhã apressado, me fizeram primeiro a sentir uma sensação de enjoo, daí foi um pequeno passo para a tontura e, finalmente, o desmaio em grande estilo, desabando tal qual uma tábua rebatendo da vertical para o chão duro que teria arrebentado nariz, dentes e queixo, não fosse o providencial capacete que me salvou do pior.
Nessas duas ocasiões, a da piscina e a do capacete, desacordei, sim, mas o tempo todo eu estava ali, em mim mesmo, havia um rastro de sensação, um torpor, algo que me lembrava que vivia. Diferente, bem diferente da anestesia, em que nada senti, nada percebi, nada existi.
Será essa, afinal, a verdadeira sensação da morte?
Pensei nisso tão logo as dores nas costas começaram, ali mesmo na maca, recém acordado. Estava um pouco assustado com aquilo tudo, mas logo me salvei. Um "que dor filha da puta é essa?" passou pela minha mente e o "puta que o pariu" saiu da minha boca pouca educada.
Estava vivo! Que bom!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Flavio Morgenstern - Caso Reinaldo Azevedo

É tentador achar que vivemos num romance ou thriller de suspense a la House of Cards. O difícil é encarar a vida e as notícias rotineiras como o que são: mera rotina, com a única diferença de agora ser mais conhecida pelo público.
Expressões manjadas, quase todas retiradas do vocabulário pseudo-jurídico com que as esquerdas acusavam Deus e o mundo, estão sendo usadas hoje: “perseguição jurídica! Estado policial! Vazamentos seletivos! Escuta ilegal! Fim do sigilo de fonte!”
Dá uma adrenalina para um país que não tem um Parsifal (ou um Batman...) em sua literatura. Mas todos que gritavam tais clichês não notaram como eram vazios e apartados da realidade. A realidade mais uma vez os venceu.
Em pouquíssimas horas após o escândalo Reinaldo Azevedo, descobriu-se que:
1) A PGR não “vazou” nada. O Fachin que liberou TODOS os áudios. Não significa que a PGR está acusando RA de algum crime, apenas que não se está escolhendo lados (há problema em divulgar áudio pela metade, não há? aqui o princípio é o mesmo).
Quem gritou que era uma clara “perseguição” encampada por Janot (com quem nunca concordei na vida, e gostaria de ver enfrentando a lei que ele próprio está comandando) comprou boataria e saiu acusando sem saber. Cadê a “perseguição jurídica”?
2) As escutas foram divulgadas pelo STF, entre várias outras nas quais o público ainda não se interessou. Apenas um jornalista do Buzzfeed deve ter percebido que Reinaldo Azevedo estava lá e divulgou ESTA conversa. A quem acha que isso “não tem interesse público”, faria mais sentido não comentar para tentar mostrar que ninguém está interessado. Assim que você nota o fato e o comenta, já está comprovando que, sim, há. Cadê o “vazamento seletivo”?
3) Dizer que não há nada de ilegal ali é como dizer que 2 e 2 são 4. Ninguém disse o contrário. Não há perseguição nenhuma nisso: apenas UM JORNALISTA se interessou pelo caso, o divulgou pelo nítido interesse público (e claro que o jornalista também tem interesse privado nisso) e voilà.
RA não está sendo acusado de nada (nem estaria se fosse de fato anexado ao processo): apenas foi visto numa situação que pode ser considerada MORALMENTE reprovável (falou mal da própria revista, foi flagrado mostrando que escreve voltado ao que é de interesse do PSDB). A lei, aí, não fez absolutamente nada contra ele. Cadê o “Estado policial”?
4) Não param de falar agora em SIGILO DA FONTE. Sigilo da fonte é uma proteção ao jornalista – pessoal e intransferível, inclusive à sua fonte. Significa que o Estado não pode perguntar a um jornalista: “Qual é sua fonte?” Só. Só isso. Nada mais.
Quando um jornalista é flagrado falando com bandido/réu/suspeito (e até aí, nada demais MESMO: jornalista pode precisar falar até com assassino, terrorista, genocida etc), ele não comete crimes (como RA não cometeu). Mas se está virando garoto de recados do investigado/criminoso, pega mal para ele. Só isso. Moralmente questionável – juridicamente indiferente. A escuta foi legal e focada em uma investigada que foi presa. Como poderia ser uma escuta em um criminoso qualquer e um jornalista inventasse de ligar para ele – o que ocorre bastante.
Dizer que um grampo de alguém que foi preso (graças a investigações como essa) é “violar o sigilo de fonte de jornalista” é flatus vocis para quem se impressiona com palavras chiques (e é terrível ver jornalistas e profissionais do Direito repetindo tal patavina). Não faz sentido nenhum: ninguém perguntou a fonte para RA, e quem era investigada era Andrea Neves. Segue o jogo. Algum jornalista acha que não pode mais usar fontes que o Estado sairá por aí perguntando qual é? Nem eu.
Enfim, é tentador usar vocabulário rocambulesco para dar impressão de que estamos lutando contra uma ditadura sanguinária e somos heróis da liberdade. A grande verdade é que o dia foi chato, mais do mesmo, e apenas se revelou que atos considerados moralmente questionáveis estão em todos os lugares. Inclusive em agentes da lei e jornalistas.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Modernização das VBCCC Leopard II do exército alemão e canhão 130 mm


http://www.defesanet.com.br/tank/noticia/25778/Modernizacao-das-VBCCC-Leopard-II-do-exercito-alemao-e-canhao-130-mm/

17 de Maio, 2017 - 10:10 ( Brasília )

Modernização das VBCCC Leopard II do exército alemão e canhão 130 mm



A edição de dezembro de 2016 da revista IHS Jane's International Defence Review publicou a matéria “More bang for Bundeswehr behemoths”, em tradução livre, “Mais poder para os gigantes da Bundeswehr” (Forças Armadas Alemãs), que trata da modernização de 104 Leopard 2 para a versão A7V.

Esta nomenclatura é devida, oficialmente, à inclusão da palavra Verbessert, “melhorado” em alemão, à designação do Leopard 2 A7. Extraoficialmente, especula-se que também remonte ao primeiro blindado fabricado pela Alemanha, em 1917, o A7V.

Estão previstas para a modernização 20 VBCCC Leopard 2 A7, 16 Leopard 2 A6 e 68 Leopard 2 A4 em serviço na Alemanha e nos Países Baixos. Após esse processo, as Forças Armadas Alemãs ainda utilizarão 155 Leopard 2 na versão A6 e outros 50 na versão A6M, que aguardarão novos contratos de modernização. As VBC que ainda estão nas versões A6 e A4, maior parte da frota a ser modernizada, receberão as seguintes melhorias, a fim de passarem à versão A7:
- Sistema de climatização;
- Unidade de energia auxiliar Steyr M12, de 17 KW;
- Sistema digital de intercomunicação Thales SOTAS;
- Gerenciador do Campo de Batalha IFIS;
- Equipamento de visão termal da Airbus ATTICA para o atirador e comandante;
- Sistema de camuflagem móvel Barracuda, da SAAB;
- Kit de proteção contra minas; e
- Módulo de programação da munição multipropósito DM11 na culatra.

Todas as 104 VBCCC, nessa primeira modernização, receberão um novo sistema de armamento principal, com uma versão repotencializada do canhão L55, já em uso desde a versão A6, e com freios de recuo K900.

O novo canhão de 120 mm de alma lisa, modelo L55A1, que dotará os Leopard 2 A7V, está sendo desenvolvido para suportar maior pressão interna do que o seu antecessor L55, sem perdas para a vida útil do tubo, que deve ser de 1500 disparos, conforme requisitado pela Bundeswehr.

A compatibilidade de munições entre as versões será total. Juntamente com os 104 futuros Leopard 2 A7V da Alemanha, 128 Leopard 2 A4 (que possuem canhões L44), do Exército Polonês, receberão os K900.

Essa alteração visa ao aumento das chances de sobrevivência da guarnição da VBCCC caso essa venha a ser atingida em combate, minimizando os riscos de incêndio no interior da torre.

Isso se deve à não utilização de óleo hidráulico no funcionamento dos K900, cujo mecanismo foi desenvolvido para trabalhar com uma solução de água e glicol. O projeto conta, ainda, com a substituição do sistema eletro-hidráulico de controle e estabilização da torre por um sistema totalmente elétrico.

O artigo da IHS Jane's traz, ainda, informações sobre o projeto de desenvolvimento de um canhão de alma lisa 130 mm, da Rheinmetall. O projeto parte da premissa que o futuro do carro de combate demandará armamento de maior potência do que os canhões 120 mm de alma lisa.

Três “canhões de demonstração” no calibre 130mm já se encontram prontos, mas são encarados pela própria empresa como meros protótipos, cujo objetivo é avaliar as diferenças no desempenho entre os calibres 130 mm e 120 mm, quando empregados contra um novo rol de alvos, projetados como as ameaças a serem enfrentadas pelas VBC do futuro.

O desenvolvimento do canhão 130 mm não tem sido focado, até o momento, em compatibilizá-lo com a torre das VBC em uso atualmente no mundo.

Porém, algumas variantes do armamento, compatíveis com a torre do Leopard 2, podem ser desenvolvidas mediante proposta da Bundeswehr, como sugerido pela Rheinmetall. Presume-se que essa versão possa ser apenas 200kg mais pesada que o atual L55.

O canhão 130 mm possui um tubo de 51 calibres (6.630 mm de comprimento) e 1.400 kg. Com uma câmara de aproximadamente 15 litros (5 litros maior do que a do L55), seu comprimento total é de 7.160 mm, incluída a sua culatra multi-ranhurada de alta pressão.

Projeto do canhão de 130 mm.

Culatras multi-ranhuradas podem ser consideradas como uma inovação promissora, considerando-se que as Forças Armadas dos EUA também possuem um canhão com este tipo de culatra como forte candidato à modernização dos M1A2 Abrams, o XM360E1.

No tocante à munição, a situação torna-se um tanto mais complicada, visto que o projeto prevê a fabricação de munições encartuchadas indivisíveis, como a maioria das munições 105mm e 120mm para VBCC em uso atualmente. Dessa forma, estima-se que uma munição para o canhão 130mm terá 1,3m e pesará 30kg, o que exigirá um sistema de carregamento automático do canhão.

Um representante da Rheinmetall, no entanto, ressaltou que munições divididas em duas partes poderão ser desenvolvidas a fim de adaptar-se ao sistema de manejo e empaiolamento da viatura em que o canhão venha a ser instalado, como já acontece com as munições da VBCCC Challenger 2, em uso pelo Reino Unido.

É necessário resgatar as instituições, nem que seja por ordem de despejo.

Os graves problemas políticos do Brasil mascaram a recuperação econômica em curso. Os índices são bons e vão melhorando, embora ainda não suficientes para tirar o pais do atoleiro em que os governos petistas nos meteram.

Mesmo assim, literalmente da noite para o dia o mundo de Temer caiu. Flagrado numa conversa muito pouco honesta e republicana, já é certo que ele engrossará a pouco honrosa lista de ex-presidentes que foram expelidos de seu cargo.

É como eu disse, nós sobrevivemos à Dilma e podemos muito bem viver sem o Temer. 

Fica a lição da importância da política. É necessário resgatar as instituições, nem que seja por ordem de despejo.

"Eurásia, segundo a China", por Demétrio Magnoli

"Eurásia, segundo a China", por Demétrio Magnoli
O Globo


“Esconda o seu poder e aguarde a sua hora; nunca tente tomar a liderança.” Xi Jinping crê que a sua hora finalmente chegou, e já é tempo de descartar a máxima de Deng Xiaoping, o sucessor de Mao Tsé-tung. Em janeiro, em Davos, o presidente chinês exibira-se como o campeão da globalização. Dias atrás, em Pequim, no Fórum Cinturão e Estrada, diante de Vladimir Putin, Recep Erdogan e outros 27 chefes de Estado, apresentou seu projeto monumental de restauração da Rota da Seda, a rede ancestral de vias de comércio que, na Antiguidade e Idade Média, conectava a China à Europa. Xi prometeu financiamentos anuais de US$ 125 bilhões, ao longo de uma década, em obras de infraestrutura ferroviária, portuária, oleodutos e gasodutos em 68 países.


Mapas recepcionam qualquer exagero. A Rota da Seda do século 21 tem um componente terrestre (o “Cinturão”) e um marítimo (a “Estrada”). O Cinturão organiza-se em torno de um corredor econômico principal, ligando a China à Europa, através da Ásia Central, Irã, Turquia e Rússia. Dele, partiriam cinco corredores secundários, rumo à Sibéria, à Rússia europeia, ao Sudeste Asiático, à Índia e ao Paquistão. A Estrada, inspirada nas rotas quatrocentistas da frota imperial do almirante Zheng He, formaria um corredor marítimo entre a China e os países asiáticos e africanos da Bacia do Índico, alcançando a Europa pelo Mar Vermelho e Canal de Suez.
 

A equação econômica repousa sobre a lógica do capitalismo de Estado. A China acumula US$ 3 trilhões em reservas cambiais, investidas predominantemente em papéis do Tesouro americano, que oferecem baixa rentabilidade. As grandiosas obras da Rota da Seda oferecem incontáveis alternativas de investimento produtivo. Além disso, as indústrias chinesas de trens rápidos, cimento, aço e metalurgia sofrem de excesso crônico de capacidade. A Rota da Seda abriria mercados externos, gerando demanda. O impulso expansivo sustentaria um novo ciclo de crescimento chinês, baseado em capitais e fatores de produção excedentes.
 

Nem sempre o que reluz é ouro. O nome oficial da iniciativa de Xi é One Belt, One Road (“Um Cinturão, uma Estrada”). Alarmados pela corrupção vigente em governos da Ásia Central, empresários chineses envolvidos em projetos de infraestrutura cunharam a expressão jocosa “Um Cinturão, Uma Armadilha”. No Sri Lanka, grandes obras financiadas pela China a juros negativos figuram como casos de manual de destruição de riqueza: o Porto de Hambantota, construído há dez anos, gera receitas insignificantes, e o Aeroporto de Mattala Rajapaksa, inaugurado em 2013, ganhou de um especialista a alcunha de “o mais vazio do mundo”. Do outro lado do Subcontinente Indiano, no Paquistão, o Porto de Gwadar, completado junto com Hambantota, também carece de navios e cargas.
 

As incógnitas da equação econômica só têm solução pela adição de uma variável estratégica. A iniciativa da nova Rota da Seda bebe na fonte de Halford Mackinder, diretor da London School of Economics, tido como um dos fundadores da geopolítica, que formulou a chamada Teoria da Heartland. “Quem controlar a Eurásia dominará o mundo”, profetizou Mackinder no ensaio “O pivô geográfico da história”, apresentado em 1904 à Sociedade Real de Geografia. Xi sonha com a edificação, em torno da China, de uma esfera econômica da Eurásia, que rivalizaria com a esfera atlântica liderada pelos Estados Unidos. Globalização 2.0, exclamam os entusiastas. Dominação 3.0, acusa o The Economic Times, um influente jornal da Índia.
 

A iniciativa chinesa beneficia-se do interesse da Rússia e das repúblicas ex-soviéticas da Ásia Central por investimentos em infraestrutura, avançando no vácuo aberto pela renúncia de Donald Trump ao mega-acordo da Parceria Transpacífica (TPP) negociado por Barack Obama. Em Pequim, Xi invocou as figuras espectrais de Zheng He e de seus predecessores nas trilhas da Rota da Seda, “pioneiros que entalharam seus nomes na história não como conquistadores com canhões navais ou espadas, mas como afáveis emissários à frente de caravanas de camelos e navios carregados de tesouros”. Suas palavras, porém, não impressionaram a todos.
 

A Índia é o núcleo da oposição. O The Economic Times registrou, alarmado, que o discurso do secretário de Estado Rex Tillerson a diplomatas americanos, uma exposição de política externa de 6,5 mil palavras, alongou-se em explicar o “novo tipo de relação entre potências” com a China, mas não mencionou nem uma só vez a palavra “Índia”. As resistências se estendem desde a hostilidade dos governos eleitos de Mianmar e do Sri Lanka a contratos firmados por seus antecessores autoritários até violentos distúrbios conduzidos por residentes deslocados em Bangladesh e Sri Lanka, operários da construção civil em Mianmar e movimentos separatistas do Baluquistão paquistanês. Na Ásia Meridional, entre setores da intelectualidade, difundem-se sentimentos antichineses, em meio a alertas sobre as “ambições coloniais” do antigo Império do Centro. A caravana de Xi enfrenta o assédio dos “bárbaros”.


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Iolanda, uma vigarista cínica, cruel e chinfrim

Iolanda, uma vigarista cínica, cruel e chinfrim

Ex-presidente cometeu crime grave ao criar e-mail falso e vazar mandados de prisão

*José Nêumanne, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2017 | 03h04

Sete fatos negam a biografia de estadista ilibada e avó inocente da ex-presidente Dilma Rousseff.

1) A pretensa heroína da democracia – Dilma jacta-se de que arriscou a vida, foi presa e torturada na ditadura militar lutando pela democracia. De fato, ela militou num grupo armado que combateu a ditadura, pôs a vida em risco e foi torturada, mas o objetivo de tais grupos não era democrático. Seus planos consistiam em substituir uma ditadura militar de direita por outra, comunista. Isso não justifica os métodos da ditadura, mas expõe uma farsa que convém desmascarar. O jornalista Luiz Cláudio Cunha apurou que, de fato, Dilma foi torturada e pelo menos um oficial do Exército foi acusado de tê-la seviciado, mas isso não a torna mártir da democracia, Aliás, ela nunca exigiu na Justiça punição para esse agressor.

2) Sua importância nos grupos armados – Durante suas campanhas eleitorais, foi acusada pela direita ignorante e de má-fé de haver participado pessoalmente de assaltos, como ao cofre herdado por Ana Caprioli, amante de Ademar de Barros, celebrizada como “doutor Rui”. Não se sabe se Dilma participou de ações armadas. Mas o fato é que ela nunca foi relacionada em nenhuma das listas preparadas pelos chefes dos grupos armados para a troca de companheiros presos por sequestrados. Isso em nada deslustra sua biografia de militante nem reduz a importância dos crimes por ela cometidos, mas mostra que foi mera tarefeira, sem maior relevância, em todos os grupos de que participou. Na luta armada talvez ela só se tenha destacado pela profusão de codinomes que usou: Estela, Vanda, Patrícia e Luíza. Manteve esse gosto pela falsidade ideológica pela vida pública afora, até mesmo durante e após sua passagem pela Presidência.

3) A falsificação do currículo acadêmico – O repórter Luiz Maklouf de Carvalho revelou, em 2009, que o currículo Lattes de Dilma continha fraudes: nele anotou que era master of science e doutoranda em Economia pela Universidade de Campinas (Unicamp). Maklouf apurou que ela começou, mas nunca concluiu o mestrado e também nunca deu início ao doutorado. O professor Ildo Sauer, da USP, ficou tão impressionado com o tal currículo que contou a amigos, por e-mail, tê-la convidado para participar da mesa na defesa de tese de um orientando dele. Ela respondeu com a má-criação de hábito: “Não tenho tempo para cuidar desse tipo de baboseiras”. Não é mesmo uma fofa?

4) A farsa da gerentona implacável – Analfabeto funcional e completamente jejuno em matérias técnicas ou de administração, Lula desprezou currículos respeitáveis de petistas competentes, como o citado Ildo Sauer e o físico Luiz Pinguelli Rosa, que foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Impressionado com a assessora que sempre sacava dados de um laptop, que nunca largava, nomeou-a ministra de Minas e Energia, em vez de um deles. Sauer foi diretor de Gás e Energia da Petrobrás e é o único ex-dirigente da estatal nas gestões do PT que não foi acusado de ter participado da roubalheira. Pinguelli presidiu a Eletrobrás. Ela passou, impávida, pela transformação da petroleira em fornecedora de lama moral e destruiu o sistema elétrico no Brasil. Os especialistas não resistiram ao convívio com seu estilo grosseiro: perderam os cargos subalternos e a possibilidade de avisar ao chefe sobre os desmandos que levaram à descoberta do enorme escândalo de corrupção.

5) O fatiamento da Constituição em seu proveito – Em 2016, os então presidentes do Senado, Renan Calheiros, e do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, rasuraram o artigo 52 da Constituição para lhe garantirem o direito de ser merendeira de escola, o que, aliás, seria arriscado, pois, conforme se revelaria depois, ela talvez fosse até capaz de envenenar a merenda.

6) O estelionato eleitoral – Em suas campanhas eleitorais para a Presidência, em 2010 e 2014, as únicas que disputou na vida, ela ludibriou os eleitores, sob a batuta do marqueteiro João Santana, com a produção de ficção milionária, recheada de mentiras e calúnias contra adversários, bancada por propinas de empreiteiras de obras públicas, não apenas com seu conhecimento, mas também com sua intervenção. Em delação premiada, João e Mônica contaram que, quando o pagamento via caixa 2 atrasava, ela, assim como Lula o fizera antes, cobrava pessoal e duramente. Além das delações, documentos sustentam a acusação, na ação do PSDB contra a reeleição da chapa dela com Temer de vice, com farta exposição de laranjas e abusivo uso de notas frias para forjar serviços não prestados. Será uma ignomínia se o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral deixar tais crimes impunes.

7) Clandestina em palácio – Durante o processo do impeachment, ela execrou delações, delatores (“desprezíveis”) e vazamentos seletivos. Mas, segundo Mônica, beneficiou-se de vazamentos feitos por seu ministro da Justiça e advogado no impeachment, José Eduardo Martins Cardozo. Vangloriava-se de ser honesta e nunca ter praticado atos ilícitos nem ter conta no exterior. Na delação, Mônica desmentiu-a, ao contar que Dilma usou o expediente chinfrim de pré-adolescente de usar e-mail falso e comunicar-se por rascunhos. Batizou o e-mail de Iolanda, referindo-se à mulher do ex-presidente e marechal Costa e Silva, somado a 2606, relativo a 26 de junho, data em que seus “irmãos em armas” executaram com crueldade, no portão do quartel-general do II do Exército, o recruta Mário Kozel Filho, que nunca torturou ninguém nem participou de nada reprovável. Foi morto por acaso, como sói ocorrer em atentados terroristas. Em casa, em Porto Alegre, deposta, ludibria quem lhe telefona dizendo ser Janete, estratégia usada por vigaristas que alugam terrenos na Lua e fogem de credores.

É injusto definir Iolanda/Janete como vigarista cínica, cruel e chinfrim? E dizer o que de Lula, que no-la impingiu?

*Jornalista, poeta e escritor

terça-feira, 16 de maio de 2017

A PREVIDÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA, SUA IDEOLOGIA E SEUS PROBLEMAS - De Sèrgio de Mello



ARTIGOS

A PREVIDÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA, SUA IDEOLOGIA E SEUS PROBLEMAS



Por Sergio de Mello, publicado pelo Instituto Liberal
Esse texto não se limita a justificar a reforma ou uma contrarreforma previdenciária. Não quero entrar nessa briga. Só pretendo contribuir com uma análise desse estado de crise de hoje, apontar seus culpados, seus vilões e suas vítimas. Geralmente, encontrar culpados em situações caóticas não resolve nada e só aumenta o estado de animosidade. Mas, aqui, ficar apenas na técnica só abona o governo e não entra no âmago ou cerne da questão. Aliás, é tudo que Estados socialistas não querem. Eles fogem do enfrentamento filosófico, ou nem isso, para não dar com as caras no problema central e manter o status quo. Como rato foge de gato.
É compreensível que a população trabalhadora quase inteira e certos segmentos da sociedade civil organizada se rebelem contra a reforma previdenciária? Respondo que sim. Não é por menos do que a retirada de uma aposentadoria por tempo de contribuição entre os direitos do trabalhador. Do jeito que a reforma quer hoje, o trabalhador e a trabalhadora vão se aposentar somente aos 65 e 62 anos respectivamente. Isso é uma tragédia para quem vem trabalhando e contribuindo há tempos e ainda tem que esperar pelos 62 ou 65 anos. Por outro lado, o trabalhador de alta renda, com o limite previdenciário de contribuir, hoje no valor de R$ 5.531,31 (11% sobre esse valor, e não mais), além de ser obrigado a pagar, não sabe quanto vai receber, não mantém o mesmo padrão da ativa e somente paga para os pobres.
Além de ser obrigatória a contribuição, o pior de tudo é que existe um limite para contribuir. Mesmo que o sujeito ganhe, trabalhando para o patrão da iniciativa privada, R$ 15.000,00 por mês (muito embora esse valor seja quase uma falácia diante de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo), a sua contribuição jamais será sobre o valor total, sobre os R$ 15.000,00 mensais. Ele deverá pagar (sai do seu bolso mesmo) 11% sobre R$ 5.531,31 e, ainda, a sua aposentadoria  jamais terá alguma equivalência com a sua contribuição e nem mesmo com o teto! Dessa forma, mesmo que contribua por toda a sua vida laboral com base nesse mesmo patamar, sua aposentadoria não será concedida pelo teto. O dinheiro que sai do seu bolso sustenta os demais aposentados pobres ou vai para o bolso dos governantes corruptos, como vem acontecendo.
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Esse é o resultado de uma previdência ideológica: todos pagam e praticamente ninguém usufrui ou recebe minimamente. Ou melhor, os trabalhadores pobres (e os ricos até o teto, como já exemplificado) pagam, mas quem sai ganhando mesmo são os que não contribuíram no mesmo patamar (trabalhadores rurais e pensionistas, bem como os acidentados em geral, já que estes benefícios não dependem de carência ou contribuição). A ideologia parte do princípio da solidariedade contributiva, que quer significar que todos os trabalhadores da ativa devem doar compulsoriamente uma parte de seu salário para pagar os benefícios do INSS de hoje. Os trabalhadores contribuintes pagam os recebedores. Porém, o problema passa a existir quando existem menos pessoas trabalhando e contribuindo e muita gente recebendo os benefícios. Diminuição da natalidade e aumento da longevidade. Mais idosos, aposentados, pensionistas, adoentados, acidentados e menos trabalhadores. O mais grave de tudo é o envelhecimento da população e uma sobrevida maior do brasileiro (digo problema para a questão previdenciária). Por isso, a quantidade de pessoas que precisa do benefício vai aumentando.
Ou seja, existe uma redistribuição de renda. Mesmo que isso soe como o mais lindo romance do mundo (dar aos pobres um pouco do dinheiro dos mais abastados),  essa tal distribuição de renda não é menos do que o sofrimento alheio de quem é desembolsada a grana para a repartição. De outra parte, também os menos abastados sofrem porque confiam (ou são obrigados a confiar!) num Estado que assume o risco da gestão previdenciária e, apesar disso, não consegue dar conta do recado. O assalariados pagam e não têm o retorno desejado e proporcional àquilo que pagaram. O Estado não dá conta de gerir o dinheiro ou o desvia para outros fins.
Os serviços da autarquia previdenciária deixam em muito a desejar. Aliás, falar desse jeito apenas é um elogio. Só para se ter uma ideia, existe uma placa informando sobre o crime de desacato. Ou seja, o nível de animosidade é tamanho que os segurados não se sentem sujeitos de direitos. Além disso, e o que é pior, o sujeito jamais saberá com quanto irá se aposentar e se vai se aposentar algum dia. O nível de instabilidade política e econômica brasileiras aumenta a necessidade de mudanças legislativas quase a todo momento.
A previdência está quebrada ou deficitária? Acredito piamente que seja uma falácia, uma mentira, que ela esteja, de fato, quebrada. Há rumores da existência da DRU (Desvio de Recursos da União), onde o dinheiro da previdência é realocado para outros fins. Mas, se estiver mesmo falida, essa culpa não pode ser imputada nem aos trabalhadores e muito menos aos aposentados ou beneficiários em geral. A derrota é exclusiva de um Estado malfeitor, que esfrega no rosto dos seus súditos aquilo que ele acha ser viável viver em comunhão de bens. Ou seja, o Estado pensa assim: temos milhões de pessoas que não conseguem sozinhas dar conta de seu futuro, como vamos solucionar esse problema? Vamos redistribuir a renda dos mais abastados, tirando deles e dando aos mais pobres, excluindo-os (os mais ricos) do mesmo padrão da ativa. Esse princípio da redistribuição de renda está previsto na nossa Constituição Federal.
Só se pensa no coletivo e o Estado socialista não está nem aí para o indivíduo contribuinte. O Estado socialista quer manter o nível de pobreza dos indivíduos. É a disputa do poder pelo poder, e não por mais dignidade humana. É a famosa luta de classes que acirra a disputa por contribuintes financiadores do projeto socialista enganoso e astuto. As vítimas somos nós, contribuintes de fato e de direito que pagam as contas da geração presente de beneficiários (todos que recebem algum benefício do INSS).
Theodore Dalrymple em Podres de mimados: as consequências do sentimentalismo tóxico, pela Editora É Realizações, bem como em A vida na sarjeta, pela mesma editora, desbrava um pouco das consequências nefastas de um pai que, por conta própria, resolve transformar desejos em direitos e dá tudo que seu filho pede. Resultado: um círculo vicioso de miséria moral.
“Nenhuma criança que esteja aprendendo a escrever jamais deveria ouvir que alguma letra está mal feita. Toda criança ou homem burro é produto de desencorajamento… Dê curso livre à Natureza, e não haverá ninguém burro.” (Podres de mimados: as consequências do sentimentalismo tóxico, Prefácio à edição brasileira, p. 7).