sábado, 28 de março de 2015

A hora da verdade

O momento do Brasil é difícil e, admito, confuso, mas é, sobretudo, de revelação. Para uns, é a hora de uma verdade incômoda; para outros, é apenas a consolidação de suas certezas. Descortinam-se mais alguns véus que escondiam o teatro de sombras da corrupção e incompetência dos representantes de uma linha ideológica que predominou no Brasil nos últimos trinta anis.
Quebram-se alguns ídolos de barro ordinário. Um deles, fez-se em pequenos cacos de decepção. Para minha tristeza, o filósofo Mario Sérgio Cortela revelou sua estupidez no programa Hora do Expediente ao classificar a direita de demofóbica. 
Para ele, os da esquerda são a gente do bem, que gosta do povo; os da direita, os malvados, os que sentem nojo dos pobres viajando de avião ou comprando televisões de LCD.
Não gosto de rótulos e essa classificação de direita e esquerda é muito conveniente para quem quer misturar tudo para esconder suas intenções. Não se pode associar todos de esquerda à corrupção, nem os de direita à exploração dos mais fracos. Uma pena ter ouvido Cortela associar o pensamento conservador à repugnância pelos pobres.
Sei o que penso e o que sinto. Gosto de ordem, cumpro as leis, mesmo aquelas as quais não concordo, tento fazer o que é certo e respeito o direito dos outros. Também quero ser respeitado. Não quero  uma sociedade cristalizada em ricos e pobres, fragmentada em raças, opiniões ou credos em conflito. Vibro de alegria quando vejo gente de diferentes cores e posses numa fila de embarque no aeroporto. Não gosto da pobreza porque acredito numa sociedade em que todos tenham poder de compra e liberdade para definir seus destinos. Não quero muito pobres e menos ainda os muito ricos.
Pobreza é ruim, mas riqueza em excesso é pior. Mesmo assim, quero liberdade mais do que igualdade, porque os homens são diferentes e têm que ser livres.
Meu pensamento me afasta da esquerda, ao menos daqueles socialistas socialaites que ainda não se deram conta que o mundo mudou.
Juan Arias citou Marilena Chauí, um ser anacrônico que me faz lembrar de Cazuza no fim de sua curta vida, tentando cantar que a burguesia fede. A classe média, na qual me incluo, tem que suar a camisa para viver honestamente. Pena que isso cheire mal para alguns bacanas.
Para finalizar, se agora é o momento da verdade, espero que venha também a hora da prestação de contas.

domingo, 22 de março de 2015

Navio fantasma

Lei é Lei e cumpra-se a Lei.
Tá bom, eu concordo, mas e quando a Lei nos condena a ser passageiros de um navio fantasma?
Sim, porque é nisso que o atual governo está se transformando: um navio fantasma. Pior, navegando em círculos.
Boa parte dos oficiais será condenada por roubar alimentos da dispensa e vender o combustível do navio. Nos bons tempos, essa turma faria o derradeiro passeio na prancha, mas isso soa bárbaro hoje em dia. 
A marujada é da pior qualidade. Vira e mexe promove passeatas a bordo e invade os camarotes dos passageiros. 
Nesse nosso navio há o risco permanente de motim. Opa, motim, não, berra o alto-falante de bordo. Motim é golpismo
Nós somos os passageiros e donos do navio, embora a comandante insista em nos tratar como carga não perecível. Semana passada fomos ao convés protestar, mas o imediato sempre nos diz que as leis do mar não permitem indiciar a comandante. O advogado de bordo foi além: ela sequer pode ser investigada.
O barco balança e a comandante culpa o mar revolto, mas como, se o céu está limpo e quase não há ondas ao nosso redor?
Os outros navios vão se afastando e nós ficamos navegando em círculos. Será que teremos que suportar todo o mandato dela? E se toparmos num iceberg e o navio acabar no fundo do mar?
E pensar que o  comandante anterior era quem enchia a cara em serviço.

sábado, 21 de março de 2015

Hora da verdade

Gramsci dizia era preciso ter alguma ascendência moral ou intelectual para convencer  os homens simples, os do povo, para a causa comunista. Porém,  o comunismo se impôs como fórmula infalível de felicidade social mais pelos seus métodos de intimidação do que pelas suas qualidades. Comunistas seduziam artistas e intelectuais, insuflando seu ego. Os que resistiam ou se atreviam a dizer a verdade eram perseguidos e desacreditados.
No Brasil, os que estão hoje no poder usaram os mesmos métodos do extinto Partido Comunistacda União Soviética. Convenceram muitos, mas não todos. Felizmente, talvez até por intervenção divina, os comunistas brasileiros gostam mais de dinheiro do que do povo. Por isso, fracassarão.
Arruinaram nosso presente e quiseram destruir nosso futuro, mas parece que os brasileiros de bem finalmente acordaram.
Infelizmente para os comunistas, a hora é da verdade, não da intimidação.

Quem saiu às ruas não foi a CIA

O El Pais publicou o artigo "Quem saiu às ruas não foi a CIA", escrito por Juan Arias, que me surpreendeu.
Costumo ler desconfiado os textos de estrangeiros que se aventuram a escrever sobre o Brasil. Afinal, penso eu, se eles não conseguem sequer falar um português brasileiro sem aquele sotaque enrolado de gringo, como podem atrever-se a pensar que nos entendem? 
Será que esse meu pensamento está correto, ou será puro preconceito? Juan Arias prova que posso estar errado.
Seu artigo é totalmente verdadeiro e descreve certeiro o que senti quando me juntei aos dois milhões de "brasileiros de boa vontade" no último domingo.
O artigo pode ser aquele tipo de exceção que confirma a regra, mas, seja como for, é muito bom saber que pelo menos um gringo mostrou que nos entende.

sábado, 14 de março de 2015

Ouro roubado

Marilena Chauí disse que odeia a classe média. Quem assim o seja, pois também está na hora da classe média odiar Marilena Chauí e tudo aquilo que ela representa. A tolerância cega de uma pseudo intelectualidade comprometida demais com a ideologia para enxergar a podridão autoritária e corrupta de um regime a la cubano.
O medo da retaliação é o grande garantidor da paz. Quem tem o monopólio do poder não tolera oposição. A bomba atômica despertava tanto medo que inibiu a eclosão da III Guerra Mundial. Do mesmo modo, o medo da retaliação inibe expressões voluntariosas e inconsequentes como o do ódio da Marilena Chauí.
Se a virtude está no equilíbrio, que busquemos, então, dar mais peso ao nosso descontentamento. Até porque o outro comprou o seu peso a preço de ouro roubado.

Silêncio bovino

A Venezuela sofre a maldição do petróleo, da riqueza fácil, ao alcance das mãos. As camadas ricas que governaram o país antes de Chavez desinteressaram-se em desenvolvê-lo, em promover a ascensão dos mais pobres. Deram motivos para serem banidos da vida política.
O dirigismo autoritário de Chavez num primeiro momento melhorou, sim, vida dos pobres, mas acomodou-se nos altos preços do petróleo, não dinamizou a economia venezuelana e matou a capacidade produtiva daquele país.
Maduro é a expressão mais nítida da imbecilidade de uma esquerda a la cubana, que chafurda numa ideologia fracassada, que promove a igualdade do povo  tornando todos igualmente pobres.
Mas nem todos são tão pobres assim. Na Venezuela, e aqui mesmo no Brasil, há os mais iguais que os outros, os que enriquecem seus bolsos enquanto expropriam a riqueza alheia.
Pior que o autoritarismo cruel, disposto a impor-se pela violência, é a perversidade da corrupção. O autoritário sempre pode se escudar moralmente no conceito de lutar por um ideal; o corrupto não.  Ele é antes de tudo um hipócrita, um ladrão desprezível que enche seus bolsos enquanto vomita palavras de ordem.
O autoritário e o corrupto se completam. No mínimo, um ajuda o outro; e ambos se beneficiam pelo silêncio cúmplice de idiotas fanatizados pela ideologia. Todos grudam na pele do Estado, como carrapatos no couro do boi. Arruinam o presente e matam o futuro do País.
Basta desse silêncio bovino! Não será fácil remover esses parasitas do governo, ainda mais quando tantos fingem que não veem, não escutam e nada falam. Não é fácil, mas temos que tentar e tem que ser agora, enquanto ainda podemos arrancar o podre da nossa pele sem termos que enfrentar a desgraça de uma luta armada. 

Guilherme Fiuza - lugar de elite é na cozinha

Lugar de elite é na cozinha - GUILHERME FIUZA

O GLOBO - 14/03

Para se sustentarem no poder, Lula e Dilma foram fartamente beneficiados pelo mensalão e pelo petrolão


Se você estava pensando em sair às ruas amanhã contra Dilma, petrolão e grande elenco, não precisa mais. Pode ficar em casa. Tudo será resolvido no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Dias Toffoli, que presidirá o julgamento da Operação Lava-Jato.

Toffoli é o homem certo no lugar certo. Ex-advogado do PT, ex-assessor da Casa Civil de Lula, defensor implacável dos companheiros no julgamento do mensalão, ele foi o presidente do TSE que proibiu a propaganda da “Veja” na véspera da eleição — porque a revista informava que Dilma e Lula sabiam de tudo. Alguma dúvida de que Dias Toffoli defenderá você, cidadão, contra a máfia progressista e humanitária que depenou a Petrobras e o Estado brasileiro?

Pronto. Agora que você tem certeza de que a justiça será feita, e que os autores do maior escândalo de corrupção da República serão punidos, relaxe. Economize a garganta e a sola do sapato, porque passeata é muito desgastante. Alugue um desses filmes sobre Al Capone, e viaje para aqueles tempos estranhos em que uma quadrilha tomava o poder constituído e tinha até juiz próprio... Que horror!

E já que você está com o domingo livre, desobrigado de se mandar para as ruas — o que é coisa da elite branca, e você não vai querer se misturar com essa gente que nunca deveria ter saído da cozinha —, aproveite para botar a leitura em dia. Há verdadeiras joias na literatura nacional recente. Comece pelo épico “Pedro Barusco na CPI da Petrobras”. É emocionante. O ex-gerente da estatal (que está disposto a devolver uns 100 milhões de dólares) contou que era uma espécie de freelancer da corrupção até começar o governo petista. A partir daí, o roubo foi “institucionalizado”, explicou o ex-gerente, que se reportava ao já famoso Renato Duque, diretor inoculado pelo PT na Petrobras.

“É chocante”, reagiu Joaquim Barbosa — aquele representante da elite branca que não manda mais nada, para alegria do Brasil progressista e amigo dos pobres. Quem manda agora é Dias Toffoli, e ele não há de permitir que a direita golpista ataque uma instituição que está funcionando tão bem desde 2003, como explicou Barusco.

E esse Brasil que dá certo há mais de década, com mensalão, petrolão e demais benfeitorias socialistas, continuou funcionando por um detalhe singelo: a cabeça da “institucionalização” jamais foi cortada. Joaquim Barbosa, esse golpista, botou em cana vários guerreiros do povo brasileiro — mas nenhum deles estava mais com a mão na massa, ou melhor, na máquina. No que Dirceu foi flagrado, passaram-no imediatamente para a penumbra, dando lugar a Dilma Rousseff. Esta foi eleita presidente sem jamais deixar de prestar solidariedade ao mensaleiro julgado e condenado — e todos sabem que solidariedade é uma marca dos companheiros. Especialmente quando faz chover centenas de milhões de reais do esquema nas duas campanhas presidenciais da candidata solidária.

Resumindo: para se sustentarem no poder, Lula e Dilma foram fartamente beneficiados pelo mensalão e pelo petrolão, esquemas montados e operados em seus governos, com a regência de seus sócios partidários — esses aos quais Lula e Dilma permaneceram publicamente solidários mesmo com toda fama, com toda grana, com toda lama. A gente vai levando, e o Brasil, esbofeteando o óbvio, resolveu aceitar que a presidente e o ex não sabiam de nada. Aí vem o doleiro do petrolão, sob os juramentos da delação premiada, informar: “Sim, eles sabiam de tudo”.

O que está faltando? O que mais precisa acontecer para que o país exija a investigação direta desses governantes que presidiram a “institucionalização” do roubo? Não, não... Ainda é cedo. Espere o PT bater na sua porta e pedir uma comissão para manter a sua luz acesa. Aí, talvez, quem sabe, seja a hora de agir.

Enquanto você assiste chocado ao DVD do Al Capone, o ministro da Justiça, o procurador-geral e o ministro relator da Lava-Jato fazem seu jogral da inocência, anunciando aflitos que não há fundamento para investigar Dilma Rousseff. O médico mandou não contrariar, mas tem muita gente querendo desobedecer — e responder o disparate nas ruas. Deve ser essa gente esbranquiçada que não sabe o seu lugar, e agora deu para sair da cozinha batendo panelas contra o Império do Oprimido.

Um teólogo de esquerda disse que o movimento de 15 de março é coisa das elites que não ouviram a mensagem de Jesus. Pelo visto, o céu também já é deles. Nesse ritmo, seus branquelos, para vocês só vai sobrar mesmo a rua. Corram para lá — antes que seja tarde.