domingo, 22 de fevereiro de 2015

O Congresso Mundial da Paz e Solidariedade entre os Povos

O fake dominical é que, depois do desfecho dos combates na Ucrânia, o líder soviético, ops, desculpe a falha, o presidente Vladimir Putin promoverá o Congresso Mundial da Paz e Solidariedade entre os Povos, em Moscou.
As inscrições já estão abertas e o envio dos trabalhos pode ser feito no site www.goputincrashthemall.com.
Pacifistas e membros do partido não pagam, basta apresentar a carteirinha e o comprovante de quitação da última mensalidade. Estudantes de sociologia, jornalismo e ciências políticas só pagam meia entrada.
Convidados especiais: David Cameron, Angela Merkel. François Mitterrand e Barack Obama.
Mestre de cerimônia: Bashar Al-Assad.
Venha, participe, garanta seu lugar. Aproveite os ingressos com desconto. Ainda há vagas, já que a Ucrânia, Geórgia, Estônia e Chechênia desistiram de enviar representantes.
Espero vocês lá, heim?

Vida que segue

O que resultará do conflito na Ucrânia?
Sem forçar muito o raciocínio, o cenário que mais se configura é:
- a Ucrânia fica mesmo sem a Crimeia e sem sua atual porção leste;
- os separatistas alcançam total autonomia e a entregam em seguida a Moscou, incorporando-se à Federação Russa;
- Putin negocia mais um pouco com Merkel e Hollande, promete se comportar e consegue suspender as sanções;
- a Ucrânia tenta e não consegue entrar na UE e fica fora da OTAN;
- surge um novo conflito, uma nova guerra, outro massacre em outro canto do planeta, todos se esquecem da Ucrânia e não se fala mais nisso.
Pessimismo demais?
É que já vimos esse filme antes. E vida que segue ...

A forma da rolha

Pessoal, estou mesmo em forma ... De rolha de poço.
O pessoal daqui de Brasília é muito mal educado. Imagine que outro dia resolvi dar uma corridinha. Logo alcancei um velhinho de bengala. Não é que o sujeito apertou o passo e não me  deixou passar? Pior foi ele ter aberto vantagem e me deixado para trás.
Povo sem educação!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A Ucrânia nunca mais será a mesma

A Ucrânia nunca mais será a mesma.
Isso é óbvio. Imaginem o que aconteceria se o acordo de Minsk fosse realmente obedecido; e se os separatistas e o governo de Kiev acomodassem a Ucrânia numa federação. Pois, mesmo se tudo desse certo, mesmo se a paz voltasse a reinar por ali, mesmo assim a Ucrânia não seria mais a mesma.
Haveria ressentimentos profundos, uma raiva latente que logo explodiria em outro e mais outro conflito violento.
Não dá mais. A Ucrânia perderá mais um bom pedaço de seu território. 
Infelizmente para Kiev, os aneis já se foram; agora, que se cuide dos dedos. 
Infelizmente para Moscou, os aneis roubados pouco lhe valerão. A gloriosa Rússia está cada vez mais isolada e cercada de vizinhos ressentidos. Este é o verdadeiro legado de Putin.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

And the Oscar goes to ...

Acho que já vi esse filme antes.

Era uma vez no Oeste, filme de 1968, dirigido por Sérgio Leone. Artista principal: Henry Fonda; coadjuvantes: Charles Bronson e Cláudia Cardinale.

Era uma vez a Ucrânia, longa de 2014 e 2015; dirigido e estrelado por Vladimir Putin; figurantes: Barack Obama, Angela Merkel e François Hollande.

Enxadristas de meia tijela

O conflito da Ucrânia seria um caso incomum de guerra assimétrica em que a guerrilha levaria vantagem sobre as forças armadas convencionais de um país. Só que,
na verdade, isso não é uma guerra assimétrica. Quem está combatendo os soldados de Kiev são militares russos; e não só de Forças Especiais, mas também pessoal especializado de artilharia. Nesse jogo de xadrez, Merkel e Hollande deixaram todas as peças para Putin.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

A aprendiz de enxadrista

Tem gente que elogia a iniciativa de Merkel e Hollande em buscar um cessar-fogo  no conflito na Ucrânia. Eu me posiciono no campo oposto. Não se pode barganhar com o líder soviético, ops, desculpe, russo.
A ameaça de Obama em armar o governo de Kiev esbarra em vários fatores técnicos, como, por exemplo, o  tempo que se leva para capacitar os soldados a usar o armamento. O material bélico ucraniano é de origem russa; os canhões e os morteiros são de calibre diferente do americano. Os sistemas de mísseis são diferentes, os aviões são diferentes, a doutrina é diferente, tudo é diferente. 
As armas das forças armadas ucranianas são antigas e precisam ser trocadas, só que isso se torna ainda mais difícil para um país em guerra. Para a Ucrânia, receber armas novas dos EUA é como trocar o pneu com o carro em movimento. Difícil, muito difícil
Os países europeus têm sua parcela de culpa no conflito. Dos 28 países da Otan, só quatro obedecem ao percentual de 2% do PIB que a aliança recomenda que se gaste em defesa. 
A maior parte dos países reduziu suas forças armadas para bem abaixo do mínimo tolerável. Há quem chame isso de racionalização; eu chamo de imprevidência. Seja como for, o fato é que a Europa sem os EUA não tem condições de reagir no caso de um eventual avanço russo sobre a Ucrânia ou sobre outros países do leste europeu.
Putin não ousa seguir adiante porque sua máquina é forte, mas incapaz de ser decisiva. Os europeus são fracos, mas ele teme a capacidade de retaliação americana.
E é justamente nisso que Merkel errou. Sua iniciativa de paz coloca algumas pedras no caminho político de uma reação dos EUA à estratégia de Putin em prolongar o conflito. Bem intencionada, a dama alemã animou a tropa russa a continuar a pressão sobre Kiev.
Merkel, Hollande e Obama são políticos experientes, conhecem o jogo do poder, contam com assessores capazes. Deveriam saber o que estão fazendo nesse xadrez político, só que enfrentam um mestre enxadrista russo, jogam com as pretas e, até onde vejo, estão perdendo.