sábado, 31 de janeiro de 2015

Tiranete

Eu quero que o tiranete caia, já devia ter caído e uma hora dessas ele cairá ... mas o que será quando finalmente cair?
Todas as instituições, todas, estão aparelhadas. As Forças Armadas estão tomadas por militares fanatizados; a polícia, as milícias, os organismos de segurança, todos são fieis seguidores de Chavez e estão de armas na mão. 
O Estado engoliu o país, estatizou o que podia e o que não devia, não deixou nenhum espaço para um novo começo.
Os juízes, os procuradores, as cortes mais supremas, todos togados enxergam o mundo em tons avermelhados.
O povo, o povinho e o povão, esses não têm pena do futuro e apoiam quem melhor finge os apoiar aqui e agora. 
O que será no dia seguinte?
Não há muro para cair, mas uma tirania para derrubar.
Os que hoje governam amanhã governarão novamente. Ou alguém acha que isso só existe no Brasil?
Só tem uma saída: é a sociedade se mobilizar, ir para as ruas, protestar. Essa é a luz no fim do túnel.
Só que o tiranete liberou as balas de borracha e as de chumbo. Sua polícia e seu exército podem sentar o dedo no gatilho para massacrar qualquer oposição.
No túnel, a luz que vem é a de um trem desgovernado, pronto para passar por cima em quem se atrever a reclamar.
Pobres vizinhos. Conseguirão derrubar sozinhos esse monstro que os devora?

sábado, 17 de janeiro de 2015

O murro do papa

Ops, calma aí, turma.
O sujeito que falou em dar um murro em quem xingasse sua mãe é o mesmo que aparece na foto segurando sorridente uma camisa de seu time do coração. É o bonaerense Jorge Bergoglio, um homem que erra e também acerta.
Tá bom, tá bom. Ele é o papa; e papa e porrada não cabem bem numa frase. Também acho, mas daí, convenhamos, é muita forçação de barra querer  extrapolar o sentido de dois homens do mesmo tamanho trocando socos, um revidando a ofensa recebida do outro, para uma absurda  justificativa da ação de terroristas fuzilando gente desarmada.
Essa história de "somos charlie" tem dado pano pra manga. Até o Danilo Gentilli, aquele que disse que comia a Wanessa Camargo grávida e o feto junto, se achou no direito de reclamar. Não gostou de ser processado pela bobagem que soltou no seu programa. 
No futebol, dizem que "escreveu, não leu, o pau comeu". E foi mais ou menos assim com o humorista brasileiro. Acabou processado e condenado a pagar a besteira que disse. Mas ele pagou em reais. Bem melhor que os cartunistas, que pagaram com a vida.
Nem a liberdade de expressão é franquia de impunidade, nem há qualquer justificativa para matar qualquer um que lhe ofenda e nem o papa é infalível.
Por falar nisso, não costumo ler o Diário Oficial do Vaticano e pensei que já tinham publicado a revogação do dogma da infabilidade papal. Consultei o oráculo e descobri que não, não revogaram o dogma. Não ainda. Nem eu e, acho, que nem Chico nem Bento acreditam mais nisso, mas, em todo caso, não foi  bem o Francisco que soltou a gracinha indevida do murro. A culpa é do Jorge. 
O Jorge que não deixou de ser argentino, que torce pelo San Lourenzo e que xinga a mãe do juiz de futebol.
Tá bem. Quem reclama do papa também tem seus motivos. Afinal, alguém já soube de alguma piada sem graça dita pela rainha inglesa Elizabeth II? Não? Nem eu. Ela não deve saber contar piadas e sabe que não pega bem uma rainha falando bobagens. Se isso vale para ela, vale também para o papa, que deveria, sim, ser mais Francisco e menos o Jorge, principalmente perto de jornalistas. 
O papa cometeu, sim, um gol contra, mas foi só um golzinho. Tem muito jogo pela frente.  O Jorge pode ser um perna de pau, mas o Francisco faz mais gols que o Messi no ataque. 

O ovo da serpente

O estabelecimento da União Europeia, diminuindo o nacionalismo como valor da sociedade na Europa Ocidental, e a baixa identificação dos jovens de origem muçulmana com o país em que nasceram e vivem, são dois fatores que favorecem seu aliciamento a organizações extremistas islâmicas.

Bicho homem

O bicho homem é mesmo um fenômeno.
É o único que mata e morre por um ideal.

Suprema Verdade

Muita gente se esqueceu ou nem sabe, mas há vinte anos houve um atentado no metrô de Tóquio com emprego de arma química.
Os terroristas pertenciam a uma seita religiosa chamada Suprema Verdade, que tinha uma base doutrinária frágil e confusa. Dentre seus adeptos, havia jovens universitários e cientistas em início de carreira.
Eram jovens japoneses, com promissoras perspectivas profissionais, bom conhecimento científico e, mesmo assim, se juntaram a um grupo de lunáticos. Porque?
Para mim, o porquê se resolve ao reconhecer a necessidade da juventude em encontrar sentido para sua vida. 
Os jovens que se juntam ao Estado Islâmico e à Al Qaeda o fazem pela busca de um ideal, por pior que e ele seja.
Quem leu o 1984 se lembra do personagem O' Brian e de como ele transformava o pensamento de suas vítimas, empregando a dor extrema e a manipulação da mente humana.  Na Europa, os jovens radicais islâmicos nem precisam dos métodos de convencimento do O' Brian. Eles querem  apenas um motivo ou mesmo só um pretexto para largarem tudo em busca de um ideal, ainda que isso os leve a viver a sua vida matando gente.

Juventude transviada

Os jovens belgas, tanto os de origem muçulmana como os outros, atraídos para os grupos radicais islâmicos,  sofrem dos mesmos males das prósperas sociedades ocidentais. Inseridos em países de alto poder econômico, com baixa desigualdade e ao mesmo tempo baixa mobilidade social, esses jovens não encontram grandes estímulos em suas vidas.
Lembram-se das explicações para as altas taxas de suicídio entre os jovens suecos? Sem desafios a vencer, a vida para eles torna-se insuportavelmente monótona. Para os belgas, juntar-se ao Estado Islâmico é mais do que uma aventura, é a chance de um novo sentido para a vida. Viver por um ideal, mesmo um ideal assassino.
Gabeira escreveu um artigo em que achava difícil imaginar os irmãos Kouachi inseridos na economia francesa, trabalhando como caixas de supermercado. Essa é a realidade de grande parcela da juventude europeia. O problema não é a pobreza, é a qualidade de uma vida sem grandes perspectivas.
A juventude é idealista e precisa sonhar. A seu modo, os jovens radicais belgas querem mudar o seu mundo, nem que para isso destruam o nosso.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Desigualdade e pobreza

Acabo de ler um artigo de Joel Pinheiro da Fonseca, que acessei pelo Blog do Orlando Tambosi e trata da desigualdade e da pobreza. O texto me fez refletir sobre o radicalismo islâmico. 
Seria fácil culpar a pobreza pelo extremismo na Palestina; ou a desigualdade pelos radicais sauditas. Mas, e os belgas?
Os imigrantes belgas vivem num país rico e de baixa desigualdade. Então, o que leva a Bélgica a ser, em números relativos, o maior exportador europeu de combatentes para o Estado Islâmico?
O exemplo belga se repete no Reino Unido e na França, duas outras fortes economias.
Achi que o extremismo tem explicações que a intelectualidade socialista desconhece.