segunda-feira, 3 de março de 2014

Falta alguém rosnar de volta

De ontem para hoje, a água ferveu menos no bule, mas não foram os EUA que baixaram o fogo.
Acontece que Putin não é maluco nem burro. O butim da Ucrânia não vale o diesel de seus tanques ou o emprego de seus concidadãos. Se o nacionalismo é um forte argumento, prestígio político e economia também importam e há muito a perder em jogadas desastradas.
Dinheiro, credibilidade e muitos outros fatores entram na equação e se o presidente russo é um jurista-espião de formação, também é um sujeito vivido e sabido em cálculos políticos.
Continuo com minha opinião. Para Putin, basta deixar que a facção ucraniana pró-russa faça seu trabalho. Para que invadir aquilo que lhe será entregue mais tarde?
Eu me alinho com a Carmem, que estranha que a maior potência do planeta não rosne de volta para os latidos do bicho grande e feroz que Putin mantém na coleira.
Latir e rosnar também valem no jogo político. É bom ter um bicho grande e feroz na coleira. Ele nem precisa morder, só intimidar.
Os EUA teriam que mostrar os dentes com cuidado, sim, para não escalar a crise; mas é preciso pelo menos rosnar, porque o silêncio é convidativo para quem é muito ousado ou pouco ajuizado.
Não se pode dar corda a político ambicioso.
Chamberlain que o diga.

domingo, 2 de março de 2014

Bicho na coleira

No Brasil, o clima de carnaval não combina muito com mais essa crise na Europa. Os portais brasileiros na Internet estão fartos de seios e nádegas, fofocas de BBBs pelados debaixo do edredon ou de modelos-e-atrizes peladas na avenida. Os noticiários da TV não são muito diferentes e vamos tocando o samba por aqui. Quem quiser se informar sobre a Crimeia vai ter que rebolar sem sambar.
Convenhamos que Ucrânia e Rússia estão muito longe da terra brasilis e arrisco dizer que o pensamento dominante por aqui é que se eles são russos, eles que se entendam.
No hemisfério norte, contudo, o buraco fica mais embaixo. Acabo de ver o site da CNN e só dá Ucrânia por ali. As páginas do Washington Post, do New York Tim, da BBC e do El País também são fartos de notícias e análises sobre a crise.
E aí, chegamos no Caio Blinder, o brasileiro que escreve lá de Nova Iorque e dá seus pitacos em civilização, direitos humanos, geopolítica e outras picuinhas. Legal. 
O post do Blinder & Blinder me levou ao texto da Julia Loffe, publicado no New Republic. A moça é mesmo bonita e escreve bem, mas acho que exagerou na dose. Seu artigo é muito pessimista. Para ela, Putin vai entornar o caldo na Ucrânia e fará isso porque quer, porque pode e porque pensa diferente da gente ocidental. E ponto final. Nem ONU, nem OTAN, nem EUA, nem ninguém podem parar as ambições desmedidas do atual czar do kremlim.
Será mesmo? Acho que não.
Acho que Putin tem vontade e poder, mas não é doido. As tropas russas estão na fronteira com a Ucrânia rugindo os motores de seus tanques, prontos com seus mísseis e com a faca nos dentes.
O bicho é feroz e assusta, mas está preso na coleira. 
Vamos ser um tantinho pragmáticos. O que Putin tem a ganhar e a perder com tudo isso?
No primeiro ato dessa peça, tudo a ganhar. Uma Ucrânia dividida e quase em guerra civil; a OTAN enfraquecida e os EUA bem longe dali. Não há mesmo como deter o ataque das forças russas.
Mas, e depois?
O presidente da Rússia sacou a pistola, mas vai mesmo atirar?
Só se for para o alto. Ele quer mesmo é intimidar. Está jogando para a plateia dos russos votantes e mostrando para o mundo que a Rússia é, sim, uma protagonista no teatro das nações.
O PIB russo pode ser pequeno comparado com os do EUA, China ou Japão, mas eles continuam sendo um ator global. Querem voltar a ser superpotência e não gostam que mexam no status quo de seu quintal. Por isso é que gastam o que gastam em armas e tecnologia de defesa (ou ataque) e mantêm uma diplomacia e um serviço de inteligência de primeiro nível.
Como vimos, no primeiro ato dessa peça, ninguém conseguiria conter a evolução da Rússia. Mas, e depois? Pois é. No depois, a vaca tosse e o bicho pega, porque Ucrânia não é Síria e quem leu a história de Chamberlain e Hitler sabe que não se pode dar corda a políticos ambiciosos. Uma eventual invasão da Crimeia ou do leste ucraniano poderia levar a uma guerra. Nem EUA, nem OTAN, nem China gostariam que os russos avançassem uma casa no jogo geopolítico internacional.
Dá até medo pensar nisso. Uma outra encrenca na europa oriental, exatos cem anos atrás, levou o mundo a duas guerras mundiais, com suas centenas de milhões de mortos.
Para mim, Putin está mais para um Jack Ryan do Kremlin do que para um novo Hitler ou Stalin. Ele inteligente, poderoso, ambicioso e  exibicionista, mas não é maluco. 
Não acredito em invasão da Ucrânia e torço ardentemente para que isso não ocorra. Diferente da Julia Loffe, acho que os russos não gastarão o diesel de seus tanques invadindo o país vizinho. O que eles querem é que o exército ucraniano não intervenha na Crimeia quando a população de lá decidir voltar a ser território russo. Isso seria uma outra etapa dessa crise, mas com grande ênfase na diplomacia e um verniz democrático. O fogo estaria mais longe do barril de pólvora.
Para que invadir se é possível ganhar tudo com muito menos riscos?
Por fim, o bicho é grande, feio, feroz, vai rosnar e latir, mas é para botar medo. Ele continuará preso na coleira.
Só é bom não chegar muito perto, que ele morde.












sábado, 1 de março de 2014

Mais Ucrânia

Dizem que não se deve sacar uma arma a não ser que se esteja disposto a usá-la. Isso vale para militares e policiais, mas Quando a escala da encrenca envolve forças militares, a coisa muda de figura. Os russos botaram a tropa na fronteira e ameaçam derrubar a porta da Crimeia com um chute. Sacaram a pistola e estão com ela na mão, mas será mesmo que vão atirar?

Dei uma olhadinha nas estatísticas do SIPRI, instituo de pesquisa de Estocolmo e que estuda assuntos militares, e descobri que no ano passado a Rússia gastou mais de 90  bilhões de dólares com suas forças armadas enquanto a Ucrânia menos de cinco. O arsenal da Rússia é para lá de volumoso e de boa qualidade, sua tropa é adestrada, são bons de tanques e mísseis e até bomba nuclear eles têm de montão. Além disdo, sua ação em 2008 no conflito com a Geórgia mostra que eles são bons de guerra cibernética e seu serviço secreto não hesita em empregar meios pouco ortodoxos, tais como envenenar seus adversários com ricina ou polônio.

Para piorar a sitação do atual (des) governo de Kiev, a Ucrânia não é membro da OTAN, os países europeus têm reduzido drasticamente o tamanho de suas forças armadas e os EUA mudaram o eixe de seu interesse geopolítico para o extremo oriente.

Com o perdão do trocadilho, a situação tá russa lá pros lados de Kiev, mas ainda não é hora de jogar a toalha. Ucrânia não é Síria e arrisco que nem os russos estão a fim de mudar o status quo ante bellun, ou, sendo mais claro, o equilíbrio de poder da região.

Tem gente que chama a Rússia de potência média. Eu discordo. Ela tem poder para projetar força para muito além de seu quintal e poder de veto no conselho de segurança da ONU. Mas, se o grande poder russo implica em grande responsabilidade, ele também reflete que o país tem interesses globais.

É como um tabuleiro de xadrez; quem ataca de um lado se expõe do outro e não é bom a Rússia ficar de mal com os EUA quando tem uma poderosa China na fronteira do outro lado, isso só para citar as ameaças mais evidentes.

Meu palpite? O bule tá cheio de água quase fervendo, mas quando o apito tocar, alguém vai apagar o fogo.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ucrânia libre, pero no mucho

A Ucrânia é um país curioso. Li no wikipedia que seu povoamento data de 44 mil anos, não sei se por russos, polacos, hunos ou cavalos. O fato é que em sua história milenar, a Ucrânia quase sempre foi partida e repartida entre os impérios vizinhos.

Uma Ucrânia independente é exceção à regra. No século XIX, parte do país era do Império Austro-Húngaro, outra parte dos russos. Depois de um curto período independente após a primeira guerra munfial, o território ucraniano voltou a ser dividido, dessa vez entre poloneses e soviéticos. Em 1991, com o fim da União Soviética, a Ucrânia conseguiu finalmente uma independência que já dura mais de duas décadas.

Há motivos de sobra para a relação de amor e ódio entre russos e ucranianos. Se de um lado a religião, a língua e os vínculos históricos e até familiares os aproximam, de outro os anos de dominação deixaram suas marcas. Papai Stalin foi malvado além da conta e há quem contabilize mais de seis milhões de ucranianos mortos durante o programa de coletivização da agricultura que ele impôs à Ucrânia nos anos 1930. O stalinismo matou gente de fome no que até então era o celeiro da Europa.

Infelizmente, assim como se passa com o México com seu vizinho do norte, a Ucrânia parece estar longe de Deus e perto demais da Rússia. Kiev fica a poucas centenas de quilômetros de Moscou e os russos não podem se dar ao luxo de ter um país adversário ou mesmo hostil no seu quintal. Foi por essa e por outras que Viktor Yushchenko, um político ucraniano que defendia uma plataforma pró ocidental, apareceu na campanha presidencial de anos atrás com o rosto desfigurado pelo envenenamento por dioxina.

Coincidência? Bruxaria? As bruxas existem, sim, mas eu acredito mais na boa e velha geopolítica. E vamos em frente para ver o que tem dentro dessa salada russa.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Prejuízos

Em São Paulo, ontem à noite, um serralheiro teve seu carro incendiado  uma barricada dos Black Blocs. A família ameaça processar o Estado por não prover a segurança que impediria o fato. Daí, pergunto. Quem pagará, no final das contas, os prejuízos de mascarados e rolezinhos? Resposta: o contribuinte, como sempre. Quem paga imposto arca com todos os prejuízos. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

O livro negro do comunismo

Gosto de ler, mas não de gastar dinheiro. Não suporto textos mal escritos e procuro o que é bom e bem barato, de preferência grátis. Baixei o livro negro do comunismo. Que livro!
Há tempos eu via a edição impressa, volumosa, ocupando espaço numa estante na casa de meu pai. Nunca o li. Letras miúdas e muitas páginas me afastavam do texto. Não gosto de carregar tijolos pela sala. Ler deitado no sofá é um dos meus prazeres na vida. Com o livro no meu iPhone, leio onde e quando quero. 
Há duas semanas que acompanho os massacres promovidos por Stalin, Lenin e tantos outros.
O comunismo é uma ideologia criminosa e que ainda não recebeu o devido castigo.
Ainda estou entretido na leitura, mas já posso recomendar o livro.
Não percam.

Português é o grande diferencial

Voltei.
Depois de um longo recesso, estou novamente diante do meu blog.
Havia mesmo esquecido deste espaço, que é só meu, de tão poucos leitores que me acompanham. Contarei o que me fez regressar.
Ouvi um dos comentários do Max Geringer sobre a importância de se fazer entender. Um ouvinte, professor de português, reclamava das deficiências que seus alunos demonstravam no domínio de nossa língua.
Tenho algo a dizer sobre este assunto.
Anos atrás, antes mesmo dos computadores invadirem nossas vidas, era mais difícil escrever. Era preciso ter caneta, caderno e um ambiente apropriado. A datilografia era terreno de escritores profissionais, daqueles que vemos nos filmes antigos, teclando as máquinas, arrancando, amassando e arremessando no lixo folhas mal escritas.
Os teclados facilitaram a vida de todos, mestres e diletantes. Mais dóceis, permitiam toques suaves. Os editores de texto deixam o escritor errar à vontade. Basta deletar o que não lhe agrada, sem gastar papel a toa.
O mundo parecia perfeito, mas a evolução alcançou os "tablets" e "smartphones", aparelhos que são uma maravilha para ler, mas péssimos para escrever.
Tudo isso me atingiu.
Aqui em casa, o desktop e meus dois notebooks estão pifados há tempos,  Não sentia falta, pois o iPhone e o tablet atendem minhas necessidades de obter informação. Eu me acomodei.
Ouvi o comentário do Geringer e ressuscitei o velho e desmemoriado notebook Dell.
Por enquanto, tudo bem. Vamos ver se essa geringonça salva este meu texto de retorno.
Um abraço a todos.