O Blog do Paulo Moreira Leite publica hoje um texto em que comenta sobre a decisão da Alemanha em banir a energia nuclear. Nesse texto, ele também lembra que a recente intoxicação que já matou dezenas de pessoas na Europa deveu-se a um alimento orgânico, tão elogiado pelos ambientalistas.
O texto do Paulo está em
http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2011/06/15/energia-nuclear-virou-moeda-de-troca-eleitoral/#respond
Eu enviei o seguinte comentário:
"Paulo, entendo que a decisão de banir a energia nuclear é de natureza estratégica. Ela não poderia ser tomada em função de um acidente, no calor do momento. Acredito que os alemães se arrependerão dessa decisão.
Concordo com seu texto e lembro sobre a batalha nos transgênicos no Brasil. Você pontuou bem que um alimento orgânico está provocando dezenas de mortes na Europa. Ao mesmo tempo, não há notícias de incidentes envolvendo os alimentos geneticamente modificados, tão combatidos pelos "verdes".
Aliás, o sectarismo das ONGs ambientalistas europeias tem prejudicado sua credibilidade junto a governos mais sérios."
quarta-feira, 15 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Sequestro de avião
13/06/11
Notícia publicada pela Folha de São Paulo e transcrita da Resenha do Ministério da Defesa de hoje
MINHA HISTÓRIA - TARSO DE SOUZA CRUZ, 57
Fuga da selva
(...)Entoando gritos de guerra, os índios arrastaram o avião e amarraram a hélice com cipó (...) A comunicação era mínima (...) Eles só falam algumas palavras em português (...)
RESUMO
O piloto Tarso de Souza Cruz, 57, passou oito dias na reserva ianomâmi, no Amazonas, depois de ter o avião retido pelos índios. Na última terça-feira, ele conseguiu deixar a aldeia Watorik, na região do Demini, e fugiu para Boa Vista (RR). Casado e pai de três filhos, Cruz é piloto há mais de 30 anos e trabalha em terras ianomâmis desde 1984. (...) Depoimento a ANDREZZA TRAJANO - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE BOA VISTA (RR)
Sobrevoei a pista e não vi nada anormal. Os índios geralmente ficam em malocas distantes e só vão ao posto de saúde atrás de remédios. Pousei e encostei o avião no lugar de sempre. Foi quando eles apareceram. Eram mais de 30 homens, pintados para a guerra, com arco, flecha, espingarda, borduna e facão. O chefe dos guerreiros [José Yanomami] se aproximou e disse: "Avião tá preso". E exigiu a chave. Não fiquei preocupado.
Na semana anterior, haviam retido um outro avião por três dias [em Haxiú], mas depois liberaram, porque foi preciso remover um índio doente para Boa Vista. Só com a roupa do corpo, tirei a carga e uma bolsa com material de higiene, lençol e uma rede pequena que sempre carrego.
GUERRA
Entoando gritos de guerra, os índios arrastaram o avião e amarraram a hélice com cipó. A comunicação era mínima. Eles só falam algumas palavras em português e eu não entendo ianomâmi. Fiquei o tempo todo no posto da Funasa, próximo à pista. As duas enfermeiras disseram que o sequestro fora planejado na véspera, mas não avisaram porque os índios monitoravam o rádio.
O líder Davi Kopenawa Yanomami e seu filho, Dario, que estavam na associação ianomâmi Hutukara, em Boa Vista, ordenaram a retenção do avião via rádio. Um índio que falava português se aproximou e disse para ficar tranquilo, porque não iam fazer nada comigo. Também prometeu comida. O problema é que eu e as enfermeiras não estávamos acostumados com a comida deles: beiju, açaí, mingau de banana, carne assada, tudo feito sem higiene. Uma enfermeira pediu que eles trouxessem caça para que cozinhasse. No outro dia, mandaram um pássaro. Numa carga destinada a outra tribo havia arroz, farinha e jabá. Foi o que comemos quase todos os dias.
Eu esperava um pedido de remoção de paciente para forçá-los a liberar o avião. Sempre tem algum que quebra a perna ou índia com problema de parto. E eu tinha pressa, porque havia comprado passagem para Brasília, onde minha filha casou no dia 4. Perdi a cerimônia. Mas não tinha jeito. Eles deixaram uma índia e seu bebê recém-nascido morrerem sem permitir o socorro. O Davi e o Dario diziam que aquilo era a luta deles para manter no cargo a chefe do distrito sanitário ianômami e ye'kuana, de quem eles gostam muito.
PLANO
Passei a executar um plano de fuga. Convenci os guerreiros a mudarem a posição da aeronave, que foi amarrada de costas para a pista, e fiz com que se acostumassem a me ver perto do avião. Entrava e fingia que estava procurando papéis, mas ficava testando as chaves que tinha encontrado no quadro da enfermaria. Até que uma chave velha e enferrujada -que vou levar comigo para sempre funcionou. O dia seguinte foi de tensão. Eles receberam ordens da Hutukara para interditar a pista com troncos de árvores. Decidi fugir na madrugada da última terça. Levantei às 4h. Removi os galhos, fui tateando, sem enxergar nada. Estava preocupado com a pressão do óleo, que poderia estourar a mangueira. Mas não tinha o que fazer. De repente veio um nevoeiro. Orei e decolei às 5h20, com uma lanterna na boca. Nem vi se tinha algum índio por perto. Foi o amanhecer mais lindo da minha vida.
Líder nega ter mandado prender avião
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM
BOA VISTA (RR)
O líder ianomâmi Davi Kopenawa disse à Folha que nem ele nem seu filho Dario ordenaram a retenção da aeronave pilotada por Tarso de Souza Cruz. Kopenawa disse que estava fora de Roraima na ocasião, e a decisão partiu dos índios da aldeia Watorik. A retenção do avião foi a forma encontrada pelos ianomâmis para protestar contra uma possível mudança na chefia do DSEI-Y (distrito sanitário ianomâmi e ye'kuana), ligado ao Ministério da Saúde. Eles querem a manutenção no cargo de Joana Claudete Schuertz, que desenvolve um trabalho de décadas com os indígenas, e são contra a nomeação de Andréia Maia Oliveira, assessora regional da Funasa-indicada, segundo eles, pelo senador Romero Jucá (PMDB). O Ministério da Saúde não confirmou a nomeação de Andréia Oliveira, e Jucá negou ter indicado a servidora para o cargo.
Notícia publicada pela Folha de São Paulo e transcrita da Resenha do Ministério da Defesa de hoje
MINHA HISTÓRIA - TARSO DE SOUZA CRUZ, 57
Fuga da selva
(...)Entoando gritos de guerra, os índios arrastaram o avião e amarraram a hélice com cipó (...) A comunicação era mínima (...) Eles só falam algumas palavras em português (...)
RESUMO
O piloto Tarso de Souza Cruz, 57, passou oito dias na reserva ianomâmi, no Amazonas, depois de ter o avião retido pelos índios. Na última terça-feira, ele conseguiu deixar a aldeia Watorik, na região do Demini, e fugiu para Boa Vista (RR). Casado e pai de três filhos, Cruz é piloto há mais de 30 anos e trabalha em terras ianomâmis desde 1984. (...) Depoimento a ANDREZZA TRAJANO - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE BOA VISTA (RR)
Sobrevoei a pista e não vi nada anormal. Os índios geralmente ficam em malocas distantes e só vão ao posto de saúde atrás de remédios. Pousei e encostei o avião no lugar de sempre. Foi quando eles apareceram. Eram mais de 30 homens, pintados para a guerra, com arco, flecha, espingarda, borduna e facão. O chefe dos guerreiros [José Yanomami] se aproximou e disse: "Avião tá preso". E exigiu a chave. Não fiquei preocupado.
Na semana anterior, haviam retido um outro avião por três dias [em Haxiú], mas depois liberaram, porque foi preciso remover um índio doente para Boa Vista. Só com a roupa do corpo, tirei a carga e uma bolsa com material de higiene, lençol e uma rede pequena que sempre carrego.
GUERRA
Entoando gritos de guerra, os índios arrastaram o avião e amarraram a hélice com cipó. A comunicação era mínima. Eles só falam algumas palavras em português e eu não entendo ianomâmi. Fiquei o tempo todo no posto da Funasa, próximo à pista. As duas enfermeiras disseram que o sequestro fora planejado na véspera, mas não avisaram porque os índios monitoravam o rádio.
O líder Davi Kopenawa Yanomami e seu filho, Dario, que estavam na associação ianomâmi Hutukara, em Boa Vista, ordenaram a retenção do avião via rádio. Um índio que falava português se aproximou e disse para ficar tranquilo, porque não iam fazer nada comigo. Também prometeu comida. O problema é que eu e as enfermeiras não estávamos acostumados com a comida deles: beiju, açaí, mingau de banana, carne assada, tudo feito sem higiene. Uma enfermeira pediu que eles trouxessem caça para que cozinhasse. No outro dia, mandaram um pássaro. Numa carga destinada a outra tribo havia arroz, farinha e jabá. Foi o que comemos quase todos os dias.
Eu esperava um pedido de remoção de paciente para forçá-los a liberar o avião. Sempre tem algum que quebra a perna ou índia com problema de parto. E eu tinha pressa, porque havia comprado passagem para Brasília, onde minha filha casou no dia 4. Perdi a cerimônia. Mas não tinha jeito. Eles deixaram uma índia e seu bebê recém-nascido morrerem sem permitir o socorro. O Davi e o Dario diziam que aquilo era a luta deles para manter no cargo a chefe do distrito sanitário ianômami e ye'kuana, de quem eles gostam muito.
PLANO
Passei a executar um plano de fuga. Convenci os guerreiros a mudarem a posição da aeronave, que foi amarrada de costas para a pista, e fiz com que se acostumassem a me ver perto do avião. Entrava e fingia que estava procurando papéis, mas ficava testando as chaves que tinha encontrado no quadro da enfermaria. Até que uma chave velha e enferrujada -que vou levar comigo para sempre funcionou. O dia seguinte foi de tensão. Eles receberam ordens da Hutukara para interditar a pista com troncos de árvores. Decidi fugir na madrugada da última terça. Levantei às 4h. Removi os galhos, fui tateando, sem enxergar nada. Estava preocupado com a pressão do óleo, que poderia estourar a mangueira. Mas não tinha o que fazer. De repente veio um nevoeiro. Orei e decolei às 5h20, com uma lanterna na boca. Nem vi se tinha algum índio por perto. Foi o amanhecer mais lindo da minha vida.
Líder nega ter mandado prender avião
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM
BOA VISTA (RR)
O líder ianomâmi Davi Kopenawa disse à Folha que nem ele nem seu filho Dario ordenaram a retenção da aeronave pilotada por Tarso de Souza Cruz. Kopenawa disse que estava fora de Roraima na ocasião, e a decisão partiu dos índios da aldeia Watorik. A retenção do avião foi a forma encontrada pelos ianomâmis para protestar contra uma possível mudança na chefia do DSEI-Y (distrito sanitário ianomâmi e ye'kuana), ligado ao Ministério da Saúde. Eles querem a manutenção no cargo de Joana Claudete Schuertz, que desenvolve um trabalho de décadas com os indígenas, e são contra a nomeação de Andréia Maia Oliveira, assessora regional da Funasa-indicada, segundo eles, pelo senador Romero Jucá (PMDB). O Ministério da Saúde não confirmou a nomeação de Andréia Oliveira, e Jucá negou ter indicado a servidora para o cargo.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Colei do Blog do Reinaldo Azevedo - dados agropecuários
Blog do Reinaldo Azevedo
Análises políticas em um dos blogs mais acessados do Brasil
Assine o Feed RSS | Saiba o que é
09/06/2011
às 19:29
Basta! Chegou a hora da luta armada! Eis aqui a melhor pistola contra a boçalidade!
Qualquer número sobre a ocupação de terras que as ONGs ricamente financiadas vendam nas redações vão parar em jornais, revistas e sites. Eis que o Ipea entrou na jogada para colaborar com a mistificação. A Folha de hoje divulga (ver dados abaixo) os seguintes números: os imóveis rurais ocupariam hoje 571,7 milhões de hectares, e o passivo ambiental seria de 159,3 milhões. Bem, se fosse assim, isso significaria que os celerados quereriam destruir 28% da área plantada ou com pastagens. Ocorre que a situação é muito pior. Vejam esta tabela. Volto em seguida.
Os dados referentes à agropecuária são do Censo Agropecuário de 2006, do IBGE. As outras fontes estão ali especificadas.
Atenção: a agropecuária mais competitiva do mundo ocupa apenas 329.941.393 dos 851 milhões de hectares do Brasil — ou 38,8%. Mas atenção: dentro desses quase 330 milhões de hectares, 98.479.628 (30%) são matas e florestas, que compõem as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Isso significa que sobram para a atividade agroindustrial 231.461.765 milhões de hectares — ou 27% do total.
Sendo assim, queridos, se o passivo ambiental brasileiro é, como dizem os ongueiros verdes, de 159,3 milhões de hectares, então será preciso entregar ao mato 69% da área atualmente destinada à agricultura e pastagem. Restariam para produzir comida 72.161.765 hectares, ou 8% do território brasileiro.
Voltem ao quadro. Fosse como querem os dementes, a agropecuária ficaria com 8% do território, mas as unidades de conservação federais, estaduais e municipais ocupariam quase o dobro: 14,4%. Os índios, que compõem menos de 0,5% da população, têm reservas que somam 12,6% do território. E há quem queira aumentá-las.
Eis aí: essa é a loucura brasileira. Tirem cópia desta tabela. Andem com ela no bolso. Usem como arma — a informação — contra a boçalidade!
Por Reinaldo Azevedo
Análises políticas em um dos blogs mais acessados do Brasil
Assine o Feed RSS | Saiba o que é
09/06/2011
às 19:29
Basta! Chegou a hora da luta armada! Eis aqui a melhor pistola contra a boçalidade!
Qualquer número sobre a ocupação de terras que as ONGs ricamente financiadas vendam nas redações vão parar em jornais, revistas e sites. Eis que o Ipea entrou na jogada para colaborar com a mistificação. A Folha de hoje divulga (ver dados abaixo) os seguintes números: os imóveis rurais ocupariam hoje 571,7 milhões de hectares, e o passivo ambiental seria de 159,3 milhões. Bem, se fosse assim, isso significaria que os celerados quereriam destruir 28% da área plantada ou com pastagens. Ocorre que a situação é muito pior. Vejam esta tabela. Volto em seguida.
Os dados referentes à agropecuária são do Censo Agropecuário de 2006, do IBGE. As outras fontes estão ali especificadas.
Atenção: a agropecuária mais competitiva do mundo ocupa apenas 329.941.393 dos 851 milhões de hectares do Brasil — ou 38,8%. Mas atenção: dentro desses quase 330 milhões de hectares, 98.479.628 (30%) são matas e florestas, que compõem as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Isso significa que sobram para a atividade agroindustrial 231.461.765 milhões de hectares — ou 27% do total.
Sendo assim, queridos, se o passivo ambiental brasileiro é, como dizem os ongueiros verdes, de 159,3 milhões de hectares, então será preciso entregar ao mato 69% da área atualmente destinada à agricultura e pastagem. Restariam para produzir comida 72.161.765 hectares, ou 8% do território brasileiro.
Voltem ao quadro. Fosse como querem os dementes, a agropecuária ficaria com 8% do território, mas as unidades de conservação federais, estaduais e municipais ocupariam quase o dobro: 14,4%. Os índios, que compõem menos de 0,5% da população, têm reservas que somam 12,6% do território. E há quem queira aumentá-las.
Eis aí: essa é a loucura brasileira. Tirem cópia desta tabela. Andem com ela no bolso. Usem como arma — a informação — contra a boçalidade!
Por Reinaldo Azevedo
Batisti e anistia
O Blog do Paulo Moreira Leite apresenta, hoje, uma excelente explicação para a permanência de Batisti no Brasil.
É bom guardar o endereço do texto, pois as ideias podem ser úteis na próxima polêmica sobre a Lei da Anistia.
O endereço é
http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2011/06/10/o-terror-de-battisti-e-nossa-democracia/?cp=0#comment-206599
Afinal, o que vale para uns tem que valer para outros.
É bom guardar o endereço do texto, pois as ideias podem ser úteis na próxima polêmica sobre a Lei da Anistia.
O endereço é
http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2011/06/10/o-terror-de-battisti-e-nossa-democracia/?cp=0#comment-206599
Afinal, o que vale para uns tem que valer para outros.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Morte no campo
Vocês lembram do assassinato do lavrador Marcos Gomes da Silva, morto na semana passada em Eldorado dos Carajás?
Trata-se daquele homem que, mesmo depois de baleado, conseguiu escapar e seguia numa caminhonete até o hospital municipal de Eldorado do Carajás. Aí, o veículo foi interceptado na estrada por dois homens armados. Os ocupantes foram obrigados a descer do veículo e a vítima foi morta a tiros.
A violência do assassinato chocou muita gente e houve blogueiro postando texto de repúdio à violência no campo. Parecia que era mais um caso de ambientalista morto por causa do código florestal.
Agora, a Polícia descobriu que Marcos Gomes da Silva era um nome falso. O lavrador se chamava João Vieira dos Santos, tinha 33 anos e nasceu no município de Zé Doca, no Maranhão. Ele respondia naquele Estado pelo assassinato de Francisco das Chagas de Albuquerque França, morto a pauladas em 2001.
Durante as investigações, duas testemunhas ouvidas em depoimento relataram que a vítima era envolvida em crimes na região do Assentamento Sapucaia, onde vivem 26 famílias. Uma das pessoas chegou a ser assaltada por ele. João também é acusado de roubos a caminhões de transporte de cargas.
Para quem quiser ler, a notícia está em
http://www.pa.gov.br/noticia_interna.asp?id_ver=78342
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Fuga do piloto
O piloto que estava preso na aldeia foge com o avião e os índios agora estão revoltados com a fuga.
Notícia publicada pela Folha de São Paulo e transcrita da Resenha do Ministério da Defesa de hoje
Em 08/06/11 - Piloto de avião retido em aldeia escapa
PROTESTO DOS ÍNDIOS
Aeronave, pertencente a uma empresa de táxi aéreo, tinha sido retida por índios ianômamis há uma semana
Índios protestavam contra uma possível nomeação política para o Distrito Sanitário Yanomami e Ye'kuana
RODRIGO VARGAS - DE CUIABÁ
Um evento inesperado interrompeu ontem o protesto dos índios ianomâmis que havia mais de uma semana mantinham retido um avião Cesna fretado pela Funasa em uma aldeia de Barcelos, no Amazonas. O piloto da aeronave, Tássio Sousa, aproveitou um descuido dos manifestantes e decolou no início da manhã em direção ao aeroporto de Boa Vista (RR).
Os índios protestavam contra a possível nomeação de uma servidora do Ministério da Saúde para a chefia do DSEI-Y (Distrito Sanitário Yanomami e Ye'kuana). A fuga ocorreu por volta de 5h30 da manhã, enquanto os índios dormiam, diz Dário Kopenawa, um dos líderes da etnia. "O piloto conseguiu pegar a chave, tirou as pedras e paus que bloqueavam a pista e foi embora", relata. Segundo ele, o piloto "não estava preso, não era maltratado e não sofria ameaças". "Não sei o que ele pensou, pois estava numa boa. O protesto envolvia só o avião." Mesmo sem o instrumento de barganha, a manifestação vai continuar, diz o ianomâmi. "Estamos revoltados com o que aconteceu [fuga do piloto]. Agora vamos a Brasília para tentar falar com o ministro da Saúde", disse.
A Roraima Táxi-Aéreo, proprietária do avião, confirmou o retorno do piloto e da aeronave a Boa Vista.
"INDICAÇÕES POLÍTICAS"
Em carta encaminhada na semana passada ao ministro Alexandre Padilha (Saúde), os ianomâmis se declararam "muito indignados" com "indicações políticas" para o DSEI-Y. "Qualquer nomeação de cargo que não passe por uma consulta das comunidades Yanomami e Ye'kuana não será aceita", dizia um trecho da carta. A queixa diz respeito à possível nomeação de Andréia Maia Oliveira, assessora da coordenação regional da Funasa, para a chefia do distrito. A indicação, segundo os índios, foi feita pelo senador Romero Jucá (PMDB).
O senador nega participação no processo. Em nota à Folha, o Ministério da Saúde disse que o secretário especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, mantém contato com os índios para "verificar os pontos de reivindicação", mas afirmou que as nomeações são "atribuição exclusiva do governo federal".
Notícia publicada pela Folha de São Paulo e transcrita da Resenha do Ministério da Defesa de hoje
Em 08/06/11 - Piloto de avião retido em aldeia escapa
PROTESTO DOS ÍNDIOS
Aeronave, pertencente a uma empresa de táxi aéreo, tinha sido retida por índios ianômamis há uma semana
Índios protestavam contra uma possível nomeação política para o Distrito Sanitário Yanomami e Ye'kuana
RODRIGO VARGAS - DE CUIABÁ
Um evento inesperado interrompeu ontem o protesto dos índios ianomâmis que havia mais de uma semana mantinham retido um avião Cesna fretado pela Funasa em uma aldeia de Barcelos, no Amazonas. O piloto da aeronave, Tássio Sousa, aproveitou um descuido dos manifestantes e decolou no início da manhã em direção ao aeroporto de Boa Vista (RR).
Os índios protestavam contra a possível nomeação de uma servidora do Ministério da Saúde para a chefia do DSEI-Y (Distrito Sanitário Yanomami e Ye'kuana). A fuga ocorreu por volta de 5h30 da manhã, enquanto os índios dormiam, diz Dário Kopenawa, um dos líderes da etnia. "O piloto conseguiu pegar a chave, tirou as pedras e paus que bloqueavam a pista e foi embora", relata. Segundo ele, o piloto "não estava preso, não era maltratado e não sofria ameaças". "Não sei o que ele pensou, pois estava numa boa. O protesto envolvia só o avião." Mesmo sem o instrumento de barganha, a manifestação vai continuar, diz o ianomâmi. "Estamos revoltados com o que aconteceu [fuga do piloto]. Agora vamos a Brasília para tentar falar com o ministro da Saúde", disse.
A Roraima Táxi-Aéreo, proprietária do avião, confirmou o retorno do piloto e da aeronave a Boa Vista.
"INDICAÇÕES POLÍTICAS"
Em carta encaminhada na semana passada ao ministro Alexandre Padilha (Saúde), os ianomâmis se declararam "muito indignados" com "indicações políticas" para o DSEI-Y. "Qualquer nomeação de cargo que não passe por uma consulta das comunidades Yanomami e Ye'kuana não será aceita", dizia um trecho da carta. A queixa diz respeito à possível nomeação de Andréia Maia Oliveira, assessora da coordenação regional da Funasa, para a chefia do distrito. A indicação, segundo os índios, foi feita pelo senador Romero Jucá (PMDB).
O senador nega participação no processo. Em nota à Folha, o Ministério da Saúde disse que o secretário especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, mantém contato com os índios para "verificar os pontos de reivindicação", mas afirmou que as nomeações são "atribuição exclusiva do governo federal".
domingo, 5 de junho de 2011
Florestas e agricultura
O Canadá possui 10% da área florestal do planeta. Exploram sua riqueza com inteligência. A extração de madeira não ultrapassa 1% da área florestal do país e rende US$ 23 bilhões por ano.
Os Estados Unidos cultivam cinturões verdes em torno das cidades médias, para proteger os mananciais; seus parques nacionais recebem 600 milhões de visitas por ano.
Há excelentes madeiras para a construção de móveis e para obras e construções. Sua exploração racional deve ser incentivada, sem a imposição de regras impraticáveis e impostos abusivos.
Por outro lado, o Brasil preserva mais de 60% de sua cobertura vegetal. Na Amazônia, a cifra sobe para 85%. Os índices de desmatamento caem seguidamente. No Mato Grosso, há um movimento crescente de aproveitamento de áreas de pastagem para a agricultura, deixando-se de derrubar florestas para criar áreas de cultivo.
Nossa agricultura é cada vez mais forte e calcada nos avanços tecnológicos. Nesse aspecto, ressalta-se a importância da Embrapa e dos alimentos geneticamente modificados. A biotecnologia tem sido fundamental para a maior oferta de alimentos e para a conservação da floresta.
Em 24 de abril de 2002, o Jornal do Brasil publicou um artigo do economista Jean Marc Von Der Weid, que posicionava-se claramente contra os transgênicos. No artigo, ele dizia que a produtividade média dos agricultores alcançava 1500 kg por hectares em culturas como o milho e a soja.
O fato é que, dez anos depois, o Mato Grosso alcança produtividade de 3500 kg/hectare com o uso de sementes transgênicas.
Em 2002, a produção brasileira de soja era de 41 milhões de toneladas. Nove anos depois, aproxima-se de 70 milhões.
Agricultura e meio ambiente não são antagônicos, muito pelo contrário.
Pode-se explorar os recursos florestais com inteligência.
Não vamos aceitar a depredação da floresta, essencial para a regulação do clima; nem vamos deixar que nos imponham um preservacionismo estéril e empobrecedor.
Viva a agricultura e o meio ambiente.
Os Estados Unidos cultivam cinturões verdes em torno das cidades médias, para proteger os mananciais; seus parques nacionais recebem 600 milhões de visitas por ano.
Há excelentes madeiras para a construção de móveis e para obras e construções. Sua exploração racional deve ser incentivada, sem a imposição de regras impraticáveis e impostos abusivos.
Por outro lado, o Brasil preserva mais de 60% de sua cobertura vegetal. Na Amazônia, a cifra sobe para 85%. Os índices de desmatamento caem seguidamente. No Mato Grosso, há um movimento crescente de aproveitamento de áreas de pastagem para a agricultura, deixando-se de derrubar florestas para criar áreas de cultivo.
Nossa agricultura é cada vez mais forte e calcada nos avanços tecnológicos. Nesse aspecto, ressalta-se a importância da Embrapa e dos alimentos geneticamente modificados. A biotecnologia tem sido fundamental para a maior oferta de alimentos e para a conservação da floresta.
Em 24 de abril de 2002, o Jornal do Brasil publicou um artigo do economista Jean Marc Von Der Weid, que posicionava-se claramente contra os transgênicos. No artigo, ele dizia que a produtividade média dos agricultores alcançava 1500 kg por hectares em culturas como o milho e a soja.
O fato é que, dez anos depois, o Mato Grosso alcança produtividade de 3500 kg/hectare com o uso de sementes transgênicas.
Em 2002, a produção brasileira de soja era de 41 milhões de toneladas. Nove anos depois, aproxima-se de 70 milhões.
Agricultura e meio ambiente não são antagônicos, muito pelo contrário.
Pode-se explorar os recursos florestais com inteligência.
Não vamos aceitar a depredação da floresta, essencial para a regulação do clima; nem vamos deixar que nos imponham um preservacionismo estéril e empobrecedor.
Viva a agricultura e o meio ambiente.
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