quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

A revolta do Leblon

“A Revolta do Leblon: O colunista Renan Santos ironiza a nobreza artística que não aceita a dureza dos novos tempos”

 2 de Fevereiro, 2020

“Eu sei o que fizemos na sua casa, na Barra da Tijuca” , disse um irado Zé de Abreu em seu twitter. “Vou-lhe desmascarar”, arrematou. O ator e militante global referia-se a sua ex-amiga Regina Duarte, agora Secretária de Cultura do regime fascista de Jair Bolsonaro. Em sua mente transloucada, expor uma colega, em nome do combate ao fascismo, é mais que demonstração pública de virtude: é uma necessidade.

Zé de Abreu é a vítima mais aparente de uma endemia que assola a classe artística brasileira — a carioca em especial —, nestes estranhos tempos de política em redes sociais. É o elitismo arrogante de uma nobreza decadente, enfermidade mais letal — porém menos infecciosa — que o coronavírus que se espalha pela Ásia. E dele, infelizmente, não temos como fugir.

Marcelo D2, cantor pop, já havia “dado uma das suas” ao propor uma simpática inscrição de suásticas — à faca — na testa de direitistas liberais. Esse não parece ter cura. Foi ovacionado no twitter, sem objeções, por jovens influencers que lhe tem como herói na luta por algo que não sabem descrever. Mas casos como o seu não são tão frequentes.

“Os sintomas da empáfia decadente costumam ser mais blasé. Um bom vídeo de protesto organizado por Paula Lavigne, filmado diretamente do Leblon, é uma técnica mais comum. Globais fazem rosto de reprovação, texto em off comendo solto, pianinho nojento mandando a trilha sonora: quem nunca apreciou?

Temos também modalidades menos pirotécnicas como notas públicas, abaixo assinados, fotos-protesto no Instagram (para as gerações mais novas) e convescotes regados a vinho no apartamento de alguma celebridade. Tudo vazado para a imprensa — como tem que ser — com ares de espontaneidade e,  por que não?, estilo e brejeirice.

O desespero com que essa classe encarou a chegada de uma das suas, Regina Duarte, a um governo considerado inadequado dá o tom de uma melancólica queda que ainda não conseguem aceitar. Não apenas uma queda em audiência, faturamento e relevância, mas também da corte ensolarada que até ontem era ovacionada nas ruas e praças. Morreu seu estilo de vida.

A nobreza artística carioca nunca encontrou paralelo. Vivendo em seu mundo particular, rodeando a Rede Globo, ela era, antes de tudo, uma turma de amigos, um clube fechado e exclusivo. Recebiam altos salários, conviviam nos mesmos bares, praias e restaurantes. Tinham seus líderes, suas tribos, seus rituais. Eram felizes — amados pelo povo —, e nada poderia lhes fazer mal.

Construíram, desde os tempos da ditadura, uma perspectiva muito particular de Brasil — profundamente carioca —, que se refletia nas temáticas das telenovelas e em suas leituras sobre o que eram as prioridades do país. Não viam que em meio às suas elocubrações sobre “o morro e o asfalto” havia um povo, complexo, que não se resumia à antiga capital imperial.”

“Como nobreza, souberam servir ao seu rei. Foi nos tempos de Lula presidente que sorveram o néctar das leis de incentivo — devidamente mediadas por Paula Lavigne, mecenas do dinheiro público. Viram também seu sonho elitista de Brasil se desfraldar na forma de “políticas públicas” — ou propaganda que acalentava seus peitos. Percebiam, na realidade, a projeção de seus delírios de Chardonnay. Tempos dourados que precederam a queda.

As jornadas de 2013 serviram de prenúncio para uma revolução que lhes apeou do poder. Em 2016 caiu não apenas Dilma, mas o mundo das artes que lhe servia de suporte. Percebam: foi no ano seguinte, 2017, que a chamada “guerra cultural” atingiu seu ápice. Ali surgiu o “342 artes” e as iniciativas políticas mais agressivas da nobreza decadente. Em resumo, propunham brioches após a queda da bastilha. Ainda propõem. Mal sabiam que o povo — ou público, como preferem — já vivia do pão que o diabo amassou.

Derrotados em 2018, adentraram no debate com uma perspectiva muito particular: a de que o estrangulamento de verbas para suas iniciativas era uma “sabotagem à arte”. É notável que teçam, enquanto nobreza, uma natural titularidade sobre verbas ligadas ao setor. Era fato dado, expressão de Estado de uma configuração social que julgavam imutável.

Sejamos sinceros: escandaliza-os mais a ausência de dinheiro do que o nazismo de botequim de Ricardo Alvim. Arte, pra eles, é quintal de casa com despensa cheia. A festa que não pode acabar.

O chororô e a deselegância com que atacam Regina Duarte — incluo aí Carolina Ferraz — nos mostra que a nobreza do Leblon não cairá sem luta. Haverá indiretas, sabotagens e muito apartamento lotado em saraus antifascistas. A resistência promete. Ao final da festa, regressarão para suas casas, eufóricos, para tomar um revigorante banho de coliformes fecais enquanto maquinam soluções para problemas que jamais ousaram viver.

GAZETA DO POVO

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Corrupção do Judiciário

Folha de São Paulo 
Conrado Hübner Mendes

A corrupção do Judiciário é institucional e não se confunde com corrupção do juiz
Ela está traduzida em leis, em barganhas fisiológicas e na cultura que a normaliza; nenhum pacote anticorrupção trata dessa aberracao.

8.jan.2020 às 2h00
 EDIÇÃO IMPRESSA

Magistocracia rima com pornografia. Não a pornografia que desperta fantasias do governo federal, tão comprometido com a inocência das crianças que tem combatido políticas de prevenção de gravidez precoce e abuso sexual. Nem ao sexo dos juízes. Rima com as práticas obscenas do Poder Judiciário mais caro do mundo num dos países mais desiguais do planeta.

Não há ano em que a orgia magistocrática decepcione. O Prêmio JusPorn precisa ser criado para agraciar os destaques de 2019. Como vinheta, proponho: “Nenhuma nudez judicial será castigada. Toda desfaçatez magistocrática será premiada”.

Na categoria “salário-ostentação”, venceu juíza pernambucana que recebeu cheque de R$ 1 milhão e 290 mil em sua conta. A menção honrosa ficou para o juiz mineiro que levou R$ 762 mil. Um recorde a ser superado em 2020. Numa carreira em que 70% dos membros viola o teto constitucional, quebrar recordes é motivação.

Na categoria “gaveta mais cara da República”, o prêmio é repartido pela dupla Toffux. São diversos exemplos, mas gosto de lembrar da ação pendente desde 2010 que questiona lei estadual do Rio de Janeiro. A lei criou a juízes fluminenses toda sorte de penduricalhos (“fatos funcionais”, em magistocratês).

Carlos Ayres Brito votou pela inconstitucionalidade da lei em 2012. Luiz Fux pediu vista. Devolveu o caso no apagar das luzes de 2017. Em dezembro de 2018, Toffoli resolveu pautá-lo para 2019. Dois dias depois, tirou de pauta. Ao longo de 2019, nenhum novo andamento. Há quase dez anos, o Rio de Janeiro paga os benefícios. Toffoli se rendeu. O próximo presidente é Fux.

Na categoria “caravana cosmopolita”, as viagens de Toffoli a eventos institucionais em Buenos Aires e Tel Aviv ganharam destaque. Não pelas viagens em si, mas pela comitiva de assessores que o acompanharam e os gastos que incorreram.

Na categoria “ninguém segura a mão de ninguém”, ganhou a associação de juízes federais que produziu o detalhado estudo “Verbas conferidas à magistratura estadual”. O objetivo não era denunciar a injustiça absoluta dos benefícios a juízes estaduais, mas a injustiça relativa: o juiz federal não ganha como o juiz estadual. Isso fere o orgulho de um magistocrata.

Essa competição pelo melhor salário atormenta todas as subcategorias da magistocracia: juiz federal, juiz estadual, advogado da União, procurador da República, promotor de justiça, procurador do Estado, defensor público. Uma dinâmica que incentiva a espiral de volúpia patrimonialista sob o escudo da autonomia financeira.

Na categoria “poesia magistocrática”, o prêmio é repartido entre a juíza Renata Gil, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, e Augusto Aras, procurador-geral da República. Conseguiram captar a distinção magistocrática em poucas palavras. 

Ao defender que não é o momento de discutir salário de juiz, Gil confessou: “Nós queremos tratar os magistrados como um funcionário como outro qualquer?” E completou: “Se somos diferentes, não podemos entrar na formatação remuneratória do servidor comum”.

Augusto Aras indignou-se com a ideia de se reduzir férias de dois meses da magistocracia. A carga de trabalho, afinal, seria “até certo ponto desumana”. As “férias” são truque conhecido da magistocracia. Além do recesso, têm direito a dois meses de férias. Não costuma servir para descanso, mas para “vendê-las” e aumentar renda.

A corrupção do Judiciário não se confunde com a corrupção do juiz que vende sentença. Este costuma ser “punido” com aposentadoria compulsória. A corrupção do Judiciário é institucional. Está traduzida em leis, em barganhas fisiológicas e na cultura que a normaliza. Nenhum pacote anticorrupção trata dessa aberração.

Um juiz que estoura o teto ou recebe benefício indevido enriquece ilicitamente. Só de auxílio-moradia por cinco anos, foram mais de R$ 250 mil cada um. Não seremos ressarcidos.

Esta é apenas a faceta rentista e perdulária da magistocracia. Ocupam o topo 0,1% da pirâmide social brasileira. Outras colunas tratarão das facetas autoritária, autárquica, autocrática e dinástica.

Conrado Hübner Mendes
Professor de direito constitucional da USP, é doutor em direito e ciência política e embaixador científico da Fundação Alexander von Humboldt.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Você poderia ter ouvido um alfinete cair.

"O secretário de Estado do JFK, Dean Rusk, estava na França no início dos anos 1960, quando DeGaulle decidiu se retirar da OTAN.  DeGaulle disse que queria que todo o exército dos EUA deixasse a França o mais rápido possível.  Rusk respondeu: "Isso inclui aqueles que estão enterrados aqui?"
 DeGaulle não respondeu.  Você poderia ter ouvido um alfinete cair.
 Quando na Inglaterra, em uma conferência bastante grande, o arcebispo de Canterbury perguntou a Colin Powell se nossos planos para o Iraque eram apenas um exemplo de "construção de império" por George Bush.
 Ele respondeu dizendo: "Ao longo dos anos, os Estados Unidos enviaram muitos de seus melhores rapazes e moças em grande perigo para lutar pela liberdade além de nossas fronteiras. A única quantidade de terra que solicitamos em troca  foi o suficiente para enterrar aqueles que não retornaram ".
 Você poderia ter ouvido um alfinete cair.
 Houve uma conferência na França, onde vários engenheiros internacionais participaram, incluindo francês e americano.  Durante um intervalo, um dos engenheiros franceses voltou à sala dizendo: "Você ouviu o último truque bobo que Bush fez? Ele enviou um porta-aviões à Indonésia para ajudar as vítimas do tsunami. O que você pretende fazer com eles?"  ?
 Um engenheiro da Boeing levantou-se e respondeu em voz baixa: "Nossos porta-aviões têm três hospitais a bordo que podem atender várias centenas de pessoas; eles têm energia nuclear e podem fornecer energia de emergência para instalações em terra; eles têm três cafeterias com capacidade para  Alimente 3.000 pessoas três refeições por dia, elas podem produzir vários milhares de galões de água doce a partir da água do mar todos os dias e têm meia dúzia de helicópteros para transportar vítimas e feridos da terra para o convés.Temos onze desses navios.  Quantas França tem?
 Você poderia ter ouvido um alfinete cair.
 Almirante da Marinha dos EUA  UU.  Ele participou de uma conferência naval que incluía almirantes americanos.  EUA, Inglaterra, Canadá, Austrália e França.  Durante o coquetel de recepção, um grande grupo de oficiais, que incluía funcionários da maioria desses países, conversou em inglês enquanto tomava um drinque quando um almirante francês reclamou subitamente que, enquanto os europeus precisam aprender muitas línguas, os americanos  Eles apenas aprendem inglês.  Então ele perguntou: "Por que sempre temos que falar inglês nessas conferências em vez de falar francês?" Sem hesitar, o almirante americano respondeu: "Talvez seja porque britânicos, canadenses, australianos e americanos fizeram acordos para que  você não precisava falar alemão ".
 Você poderia ter ouvido um alfinete cair.
 E essa história se encaixa perfeitamente com o exposto acima ...
 O major do exército americano Robert Whiting, um senhor de 83 anos, chegou a Paris de avião.  Na alfândega francesa, demorou alguns minutos para localizar seu passaporte na bagagem de mão.  "Já está na França, senhor?"  perguntou o funcionário da alfândega sarcasticamente, o Sr. Whiting admitiu que já havia estado na França.  "Então você deve saber o suficiente para ter seu passaporte pronto", respondeu o funcionário da alfândega novamente.  Ao que o Sr. Whiting respondeu: "A última vez que estive aqui, não precisei mostrá-lo".  O funcionário da alfândega já com uma voz mais alta disse: "Impossível. Os americanos sempre precisam mostrar seus passaportes à chegada à França!"  Então o major Whiting americano lançou um olhar longo e duro aos franceses e explicou em voz baixa: "Bem, quando cheguei à praia de Omaha Beach no dia D em 1944 para ajudar a libertar este país, não consegui encontrar um único francês para  mostre-lhe um passaporte. "
 Você poderia ter ouvido um alfinete cair."

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Como Tantos Foram Enganados Por Tanto Tempo Por Tão Poucos

Publicado no Estadão de 7 de janeiro de 2020

Stephen Kanitz...
"Como Tantos Foram Enganados Por Tanto Tempo Por Tão Poucos

A esquerda no Brasil é extremamente pequena. 

Não passam de 1 milhão de intelectuais frustrados, jornalistas jovens e inexperientes, professores universitários preguiçosos e jovens arrogantes que acham já capazes de salvar o mundo.

A direita é dezena de vezes maior, composta por 5 milhões de empreendedores, 8 milhões de profissionais liberais, 12 milhões de supervisores, contramestres, operadores logísticos que produzem todo dia bens e serviços para a sociedade .

Por isso não tem tempo para se dedicarem de segunda a sexta ao esquerdismo, quando protestam é no domingo .

A família Mesquita que controla pelo menos o editorial do Estadão escreve hoje leitura obrigatória:

“O impeachment da presidente Dilma Rousseff será visto como o ponto final de um período iniciado com a chegada ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva.

Quando a partir de 2003, a consciência crítica da Nação ficou anestesiada. 

A partir de agora ( recusam citar Bolsonaro ) , será preciso entender como foi possível que tantos tenham se deixado enganar por um político que jamais se preocupou senão consigo mesmo, com sua imagem e com seu projeto de poder

Por um demagogo que explorou de forma inescrupulosa a imensa pobreza nacional para se colocar moralmente acima das instituições republicanas

Por um líder cuja aversão à democracia implodiu seu próprio partido, transformando-o em sinônimo de corrupção e de inépcia. 

De alguém, enfim, cuja arrogância chegou a ponto de humilhar os brasileiros honestos, elegendo o que ele mesmo chamava de “postes”.

 Nulidades políticas e administrativas ( como economistas como Dilma, Mantega, Coutinho, Barbosa, Gabrielli, Mercadante, Haddad, Buarque) que ele alçava aos mais altos cargos para demonstrar o tamanho, e a estupidez, de seu carisma.

Muito antes de Dilma ser apeada da Presidência já estava claro o mal que o lulopetismo causou ao País. 

Com exceção dos que ou perderam a capacidade de pensar ou tinham alguma boquinha estatal, os cidadãos reservaram ao PT e a Lula o mais profundo desprezo e indignação. 

Mas o fato é que a maioria dos brasileiros passou uma década a acreditar nas lorotas que o ex-metalúrgico contou para os eleitores daqui. 

Fomos acompanhados por incautos no exterior.

Raros foram os que se deram conta de seus planos para sequestrar a democracia e desmoralizar o debate político, bem ao estilo do gangsterismo sindical que ele tão bem representa. ( Assistam O Irlandês no Netflix)

Lula construiu meticulosamente a fraude segundo a qual seu partido tinha vindo à luz para moralizar os costumes políticos e liderar uma revolução social contra a miséria no País.

Quando o ex-retirante nordestino chegou ao poder, criou-se uma atmosfera de otimismo no País. 

Lá estava um autêntico representante da classe trabalhadora, um político capaz de falar e entender a linguagem popular e, portanto, de interpretar as verdadeiras aspirações da gente simples. ( Como Obama)

Lula alimentava a fábula de que era a encarnação do próprio povo, e sua vontade seria a vontade das massas.

O mundo estendeu um tapete vermelho para Lula. 

Era o homem que garantia ter encontrado a fórmula mágica para acabar com a fome no Brasil e, por que não?

bastava, como ele mesmo dizia, ter “vontade política”. 

Simples assim. 

Nem o fracasso de seu programa Fome Zero nem as óbvias limitações do Bolsa Família arranharam o mito. 

Em cada viagem ao exterior, o chefão petista foi recebido como grande líder do mundo emergente.

Mesmo que seus grandiosos projetos fossem apenas expressão de megalomania, mesmo que os sintomas da corrupção endêmica de seu governo já estivessem suficientemente claros, mesmo diante da retórica debochada que menosprezava qualquer manifestação de oposição. 

Embalados pela onda de simpatia internacional, seus acólitos chegaram a lançar seu nome para o Nobel da Paz e para a Secretaria-Geral da ONU.

Nunca antes na história deste país um charlatão foi tão longe. 

Quando tinha influência real e podia liderar a tão desejada mudança de paradigma na política e na administração pública, preferiu os truques populistas. 

Enquanto isso, seus comparsas tentavam reduzir o Congresso a um mero puxadinho do gabinete presidencial, por meio da cooptação de parlamentares, convidados a participar do assalto aos cofres de estatais. 

A intenção era óbvia: deixar o caminho livre para a perpetuação do PT no poder.

O processo de destruição da democracia foi interrompido por um erro de Lula: 

julgando-se um kingmaker, escolheu a desconhecida Dilma Rousseff para suceder-lhe na Presidência e esquentar o lugar para sua volta triunfal quatro anos depois. 

Pois Dilma não apenas contrariou seu criador, ao insistir em concorrer à reeleição, como o enterrou de vez, ao provar-se a maior incompetente que já passou pelo Palácio do Planalto.

Assim, embora a história já tenha reservado a Dilma um lugar de destaque por ser a responsável pela mais profunda crise econômica que este país já enfrentou, será justo lembrar dela no futuro porque, com seu fracasso retumbante, ajudou a desmascarar Lula e o PT. 

Eis seu grande legado, pelo qual todo brasileiro de bem será eternamente grato. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Mário Quintana

*(Mário Quintana )*

O tempo não pode ser segurado; a vida é uma tarefa a ser feita e que levamos para casa.
Quando vemos já são 18 horas.
Quando vemos já é sexta feira.
Quando vemos já terminou o mês.
Quando vemos já terminou o ano.
Quando vemos já se passaram 50 ou 60 anos.
Quando vemos, nos damos conta de ter perdido um amigo.
Quando vemos, o amor de nossa vida parte e nos damos conta de que é tarde para voltar atrás...

Não pare de fazer alguma coisa que te dá prazer por falta de tempo, não pare de ter alguém ao seu lado ou de ter prazer na solidão.
Porque os teus filhos subitamente não serão mais teus e deverá fazer alguma coisa com o tempo que sobrar.

Tenta eliminar o “depois”...
Depois te ligo...
Depois eu faço...
Depois eu falo...
Depois eu mudo...
Penso nisso depois...

Deixamos tudo para depois, como se o depois fosse melhor, porque não entendemos que:
Depois, o café esfria...
Depois, a prioridade muda...
Depois, o encanto se perde...
Depois, o cedo se transforma em tarde...
Depois, a melancolia passa...
Depois, as coisas mudam...
Depois, os filhos crescem...
Depois, a gente envelhece...
Depois, as promessas são esquecidas...
Depois, o dia vira noite...
Depois, a vida acaba...

Não deixe nada para depois porque na espera do depois se pode perder os melhores momentos, as melhores experiências, os melhores amigos , os melhores amores ...

Lembre-se que o depois pode ser tarde.
O dia é hoje, não estamos mais na idade em que é permitido postergar.
Talvez tenha tempo para ler e depois compartilhar esta mensagem ou talvez deixar para...”depois”

Sempre unidos:
Sempre juntos...
Sempre fraternos...
Sempre amigos...

(Passe aos seus melhores amigos; não depois... Agora!)

Guzzo - A igualdade não é um direito – é o resultado do que o cidadão aprendeu

Desigual

A igualdade não é um direito – é o resultado do que o cidadão aprendeu

J.R. Guzzo, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2019 | 03h00

Vamos combinar uma coisa, desde já: ainda não foi inventada neste mundo uma maneira mais eficaz de concentrar renda, preservar a pobreza e promover a desigualdade do que negar ao povo jovem uma educação decente – apenas decente, só isso. Vamos combinar mais uma coisa: só há uma chance na vida de adquirir os conhecimentos básicos para a melhoria da condição social de quem nasceu pobre, e essa chance é a escola básica.

Se for perdida, ela não volta nunca mais; é perfeitamente inútil ficar falando em “resgate da pobreza”, “ascensão social”, “mais igualdade” e outros requisitos para um “mundo mais justo” depois que o garoto saiu da escola e não aprendeu o que deveria ter aprendido. Não é preciso ser nenhuma Finlândia, Cingapura e outros parques temáticos sociais que enfeitam nosso planeta. Basta o cidadão aprender o suficiente para fazer as operações essenciais da matemática, distinguir física de química e entender o que leu numa página escrita em linguagem corrente.

Há um acordo geral sobre essas realidades? Se houver, é bom já ir se acostumando com o seguinte fato: praticamente todas as ideias que circulam por aí para melhorar o Brasil são a mais pura e lamentável perda de tempo.

O que adianta esquentar a cabeça discutindo se o deputado Rodrigo Maia vai salvar a República dos perigos da “polarização”? Ou se os gigantes da nossa “engenharia política”, seja isso lá o que for, vão bater um suco de Lula com Luciano Huck, misturar tudo o que há no meio, e tirar daí o segredo do centro-esquerda-moderado-sociológico-popular que vai levar os 200 milhões de brasileiros direto para o céu? Adianta três vezes zero.

Não vai adiantar nunca, quando ninguém mais se lembra, entre todos os condes e viscondes da política e das classes intelectuais deste País, da calamidade social que nos foi anunciada há menos de uma semana. Que calamidade? Coisa simples: na última e mais respeitada avaliação da qualidade da educação no mundo, feita em 2018 em 79 países, o Brasil ficou entre os 20 piores. Nossos jovens, para resumir a ópera, não sabem nada de matemática, ciências e leitura – ou nada que preste para alguma coisa realmente útil. Não há horizonte viável num país assim, é claro. Mas como ninguém está ligando, é assim que o País vai continuar. 

Mudar como, se a elite que se diz responsável, pensante e equilibrada continua achando que o grande problema da educação no Brasil é o ministro Weintraub? Que diabo ele tem a ver com o desastre dos últimos 30 ou 40 anos – mesmo que seja o pior ministro de Educação do mundo?

Vamos continuar nos queixando, nas mesas-redondas de televisão e nas palestras para empresários, que o Brasil é um país injusto, que temos de “distribuir renda”, que é preciso dialogar com as “comunidades”, etc. etc – mas ninguém quer ensinar a moçada a somar fração, perceber o que é um átomo ou entender o que está escrito num texto de quinze linhas, mesmo porque há uma multidão que não sabe escrever um texto de quinze linhas.

É inútil, como fazem nove entre dez políticos, comunicadores e cientistas sociais, querer que as pessoas tenham igualdade nos resultados quando não são iguais nos méritos. Não há como ser igual nos méritos, ao mesmo tempo, se o sujeito que sabe menos não teve oportunidades iguais de aprender as coisas que foram aprendidas pelo sujeito que sabe mais.

É tolo supor que quem sabe menos pode ganhar o mesmo que quem sabe mais, ou ter as mesmas recompensas na vida – tão tolo como achar que você vai ser contratado pelo Real Madrid porque joga futebol com a turma do prédio. A igualdade não é um direito – é o resultado do que o cidadão aprendeu. Não há “políticas públicas”, nem “vontade política”, que possam resolver isso.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

O TREM MAGNÉTICO DA CHINA


O TREM MAGNÉTICO DA CHINA



O Maglev (derivado do termo "magnetic levitation") usa levitação magnética para impulsionar veículos, que se movem com o uso de ímãs, sem necessitar de rodas, eixos e rolamentos. Com o Maglev, um veículo é levitado a uma curta distância de uma guia, usando ímãs para criar elevação e impulso. O veículo circula levitando, percorrendo uma guia correspondente aos trilhos das ferrovias convencionais. Para isso, utiliza forças eletromagnéticas entre ímãs supercondutores a bordo do veículo e de bobinas no chão.[1]
A grande diferença entre um trem Maglev e os trens convencionais é que sua força motriz é gerada por uma combinação de bobinas eletrificadas nas paredes das guias e a bordo dos trens.[2]

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Figura 1 - Levitação e guiamento de um Sistema Maglev
Diferente dos trens convencionais, a tecnologia Maglev emprega um motor linear e utiliza eletromagnetos para direcionamento e suporte. 
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Figura 2 - Comparação entre o suporte, propulsão e guiamento de um trem convencional (a) e do sistema Maglev (b) 
A origem do trem Maglev remonta ao ano de 1934, quando sua concepção foi patenteada por Hermann Kemper, na Alemanha. A tecnologia Maglev veio sendo desenvolvida paulatinamente a partir da década de 1960, e nos anos 90 foi submetida a diversos testes de desenvolvimento.[3]
O nível de prontidão de uma tecnologia é um indicador confiável de sua maturidade, ou seja, se ela está pronta para ser utilizada num novo produto. Assim, sua viabilidade comercial dependerá da comprovação de sua segurança e desempenho operacional[4].
Em maio de 1998, quando o governo alemão já havia investido 30 anos de pesquisa e cerca de US$ 2 bilhões no desenvolvimento da tecnologia, a Siemens AG e a ThyssenKrupp AG criaram o consórcio Transrapid International AG (TRI), em Berlim, na Alemanha, para e comercializar o trem Maglev. Contudo, em 1999, uma mudança no governo alemão enfraqueceu o suporte político ao empreendimento da TRI, o que redundou no cancelamento, em fevereiro de 2000, da rota da Transrapid que ligaria Berlim a Hamburgo, isso a apenas seis meses da data prevista para o início das obras.[5]
Assim, no início de 2000, não havia nenhum trem de alta velocidade em operação no mundo que empregasse o Sistema Maglev. Exatamente naquele momento, o governo chinês enviou uma equipe de engenheiros à Alemanha para conhecer aquela tecnologia, resultando na celebração de um contrato com a TRI para construir uma linha de ligando o distrito financeiro da cidade de Xangai ao aeroporto de Pudong, numa distância de 30 km. 
As obras começaram já em março de 2001 e, em 1º de janeiro de 2003, o Shangai Transrapid começou a operar comercialmente. Num curto trajeto de poucas dezenas de quilômetros, um trem dotado de poderosos imãs se ergue 10 mm sobre sua guia e, movido por outros magnetos, viaja a uma alta velocidade, atingindo um máximo de quase 320 km/h, completando o percurso em pouco mais de 7 minutos [6]. Para tal façanha, o governo chinês investiu US$ 1,2 bilhão, um investimento altíssimo considerando que o PIB da China na época situava-se ao redor de US$ 1.4 trilhão e o país ainda não iniciara a expansão vertiginosa que nas duas décadas seguintes o colocaria como a segunda economia do mundo.[7]

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Figura 3 - Shangai Transrapid
Durante a construção do Shangai Transrapid, especulava-se que a experiência adquirida na sua operação comercial viabilizaria a construção de uma linha entre Xangai e Pequim utilizando trens Maglev de alta velocidade, num percurso de 1300 km e a um custo de £15.5 bilhões, ou aproximadamente US$ 20 bilhões. Esse empreendimento justificaria o alto investimento do governo chinês na obtenção daquela tecnologia, mas ele não foi adiante.[8]
Outra iniciativa se configurou em março de 2006, quando o governo chinês anunciou a construção do que seria a segunda linha comercial de trens Maglev no mundo, ligando Xangai à cidade de Hangzhou, num percurso de 175 km. Esperava-se que o trens Maglev, mais rápidos que os chamados trens-bala convencionais, alcançassem 430 km/h e o trajeto fosse cumprido em 27 minutos. O custo dessa obra estava estimado em US$ 4.5 bilhões.
Entretanto, já em junho de 2006, alguns sites de notícias chineses já alegavam que o projeto poderia ser abandonado se persistissem alguns alegados problemas relacionados a transferência de tecnologia para a construção daquela linha[9], e em março de 2008, o projeto foi abandonado.[10]
Ainda se especula sobre outros projetos de trens Maglev de alta velocidade na China, mas atualmente a única linha comercial de um trem Maglev naquele país é a do percurso de 30 km, ligando o centro financeiro de Xangai ao seu aeroporto e que custou US$ 1,2 bilhão. Diante de um investimento tão vultoso e com tão poucos resultados, alguém poderia dizer que o empreendimento foi um fracasso, mas há um acontecimento que merece ser conhecido.
Em 2017, a China surpreendeu os meios militares ao anunciar que seu segundo porta-aviões, ainda em construção, será dotado de catapultas eletromagnéticas, o que lhe permitirá operar com aeronaves mais pesadas, com maior raio de ação e poder de fogo. Certamente, essas novas capacidades não surgiram por acaso, mas isso já é assunto para outra história.

Referências
[1] Yadav et al, 2013. 
[2] CHOPADE, 2017
[3] LEE et al. 2006.
[4] INCOSE, 2015.
[5] COATES, 2005. 
[6] Idem
[8] China claims train blue riband - disponivel em https://www.theguardian.com/world/2003/jan/01/china.johngittings, acessado em 20 de novembro de 2019.
[9] China May Abandon Shanghai-Hangzhou Maglev Line - Xinhua News Agency June 10, 2006, disponível em http://www.china.org.cn/english/2006/Jun/170954.htm, acessado em 20 de novembro de 2019.
[10] Shanghai-Hangzhou Maglev - disponível em https://www.railway-technology.com/projects/shanghai-Maglev/. Acessado em 20 de novembro de 2019o.

BIBLIOGRAFIA
CHOPADE, Shripad Shashikant. Magnetically Levitated Trains (Maglev). International Research Journal of Engineering and Technology. Vol 04, nº 04. 2017.
COATES, Kevin. Shanghai’s Maglev project – levitating beyond transportation theory. Enginerring World. Abril/Maio. 2005
INTERNATIONAL COUNCIL ON SYSTEMS ENGINEERING - INCOSE. Systems Engineering Handbook: a guide for system life cycle processes and activities. 4ª Edição. Hoboken, Estados Unidos da América: John Wiley & Sons, Inc., 2015. 
LEE, Hyung-Woo; KIM, Ki-Chan; LEE, Ju. Review of Maglev Train Technologies. IEEE Transactions on Magnetics, Vol 42, nº 7. 2006.
YADAV, Monika; MEHTA, Nivritti; GUPTA, Aman; CHAUDHARY, Akshay; MAHINDRU, D.V. Review of Magnetic Levitation (Maglev): A Technology to Propel Vehicles with Magnets. Global Journal of Researches in Engineering Mechanical & Mechanics, Vol 13, nº 7. 2013