quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Você não imagina ...
Chegando lá encontrou com Deus que imediatamente reconheceu o erro:
- Ih, minha filha, não era a sua hora! Houve um engano, vou te mandar de volta.
- Que bela surpresa, companheiro Deus!
Mas, antes de ir, o Senhor poderia me tirar uma dúvida?
- Claro, é o mínimo que eu posso fazer para reparar esse equívoco.
- O Lula é mesmo culpado por corrupção?
- É sim, minha filha! Alma mais suja não há.
Ressuscitada, a petista liga para a colega:
- Companheira, tenho novidades escandalosas!
- O que houve?
- Você não imagina quem a Globo comprou!
Crime ou guerrilha?
Meus amigos.
A maior parte das pessoas com quem converso concorda comigo que o problema do Rio de Janeiro não se restringe a um tema de segurança pública, mas que assume ares de guerrilha urbana, o que exige medidas acima da capacidade das forças policiais.
Esse entendimento parece não ter chegado às salas de redação da grande imprensa. É o que se vê nesse editorial do Estado de São Paulo.
É de se perguntar se o editorialista realmente imagina que uma casa vizinha a uma boca de fumo, no alto de uma favela, é apenas um lar normal ou se é um provável local de abrigo de traficantes fortemente armados.
Será que o Estado de São Paulo ignora que os traficantes cariocas impedem a entrada do aparato estatal no território que dominam? Duvido.
No início da manhã de ontem, o Secretário de Segurança Pública do Espírito Santo deu uma excelente entrevista no Jornal da CBN, explicando a finalidade dos mandados coletivos. Vale a pena tomar conhecimento do teor do que foi dito por aquela autoridade.
Por fim, transcrevo a seguir o editorial do Estado de São Paulo.
IDEIAS PERIGOSAS
O ESTADO DE S. PAULO.
21/02/2018
O desejo de acabar com o crime no Rio não pode atropelar direitos e garantias dos cidadãos. O caráter improvisado da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro permite que ideias desarrazoadas e até perigosas prosperem. Diante da legítima preocupação do Exército com a falta de segurança jurídica para atuar em zonas urbanas, algo que deveria ter sido discutido muito antes da decretação da intervenção, o Ministério da Defesa cogitou a possibilidade de requerer da Justiça mandados coletivos de busca e apreensão nas áreas em que os militares deverão atuar.
Mandados coletivos não definem qual é o domicílio a ser vasculhado – pode ser qualquer um no raio determinado pela ordem judicial. Portanto, parte-se do pressuposto de que todos os moradores daquela área são suspeitos de crimes, e só deixarão de sê-lo depois que as forças de segurança vistoriarem suas casas e constatarem que não têm armas ou drogas nem acobertam criminosos.
Não se sabe se o governo vai mesmo levar adiante tamanho despautério – ontem, já circulavam informações de que as autoridades federais estavam propensas a desistir da iniciativa. No entanto, somente o fato de que se aventou essa possibilidade a sério, com enfático apoio público do Ministério da Defesa, dá a dimensão do desatino que parece governar uma parte dos envolvidos na gravíssima decisão de intervir na segurança pública do Rio de Janeiro. Medidas de claro recorte autoritário como essa podem até ganhar a simpatia de uma parte considerável dos moradores do Rio de Janeiro, desejosos de que haja firmeza, rapidez e eficiência no combate à criminalidade que assola o Estado.
No entanto, o desejo de acabar com o crime não pode atropelar os direitos e garantias dos cidadãos – a não ser que se esteja a falar de estado de defesa ou de estado de sítio, quando alguns desses direitos são parcialmente suspensos, o que obviamente não é o caso do Rio de Janeiro.
O combate à criminalidade jamais será bem-sucedido se estiver assentado na violação da lei. Não é assim, contudo, que pensam algumas das autoridades. Para o ministro da Defesa, Raul Jungmann, por exemplo, “os mandados coletivos de busca e apreensão são essenciais” e tal instrumento “já foi empregado outras vezes no Rio de Janeiro”. De fato, a Justiça já expediu mandados desse tipo em algumas operações policiais no Rio, como em 2014, para buscas em favelas do Complexo da Maré, e, em 2002, para prender o traficante Elias Maluco no Complexo do Alemão.
Nem é preciso dizer que dois erros não fazem um acerto. Se as autoridades executivas e judiciárias colaboraram no passado para violar garantias constitucionais em nome da segurança pública, isso não torna legítimo que se volte a fazer o mesmo agora. Um exame rápido da questão deveria bastar para que o bom senso prevalecesse e a ideia fosse imediatamente abandonada, por sua cristalina inconstitucionalidade.
Um mandado de busca e apreensão deve determinar nominalmente o sujeito a quem se dirige e as suspeitas que lhe serviram de motivação. Ora, se assim não fosse, a garantia constitucional da inviolabilidade do domicílio estaria arruinada, pois as autoridades policiais poderiam entrar em qualquer residência na área estabelecida pelo mandado.
Compreende-se a preocupação das Forças Armadas com as implicações legais, para seus homens, do envolvimento em operações contra criminosos nas favelas cariocas. Mas esse problema não se resolverá sacrificando-se a lei, permitindo que se invadam casas aleatoriamente ou até mesmo que soldados tenham licença para matar suspeitos. O fato é que o emprego de militares em missões de segurança pública e combate à criminalidade já se comprovou inócuo justamente, entre outras razões, porque essa força não pode ter caráter policial, salvo em caso de esgotamento dos instrumentos destinados à preservação da ordem pública.
Se esse é o caso do Rio de Janeiro, trata-se de questão controvertida. A única certeza que se tem em todo esse imbróglio é que a essência do problema fluminense – o colapso do Estado, carcomido pela corrupção – permanecerá intocada.
domingo, 18 de fevereiro de 2018
A PONTE DO BRAGUETO É SEGURA
Brasília- DF...
Fevereiro-2018.
É possível afirmar que, no momento e com as condições atuais de uso e de conservação, a PONTE DO BRAGUETO é SEGURA para USO, não apresentando riscos para os usuários:
Isso pode ser constatado e confirmado pelas considerações abaixo:
A Ponte foi inspecionada neste sábado (10/02/2018), por uma comissão composta por especialistas em estruturas, segurança estrutural e recuperação de estruturas civis:
> Por Professores da área de estruturas do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília - UnB
> Técnicos especialistas em estruturas da Novacap
> Técnicos especialistas em estruturas do DER/DF
> Prof. Márcio Buzar, Diretor Geral do DER/DF, Mestre e Doutor em Engenharia Estrutural, pela UnB, com larga experiência em projetos, execução e recuperação de estruturas.
A visita de Inspeção, além de outras verificações técnicas, compreendeu, basicamente, dos seguintes itens:
1) Inspeção no interior da Ponte, através dos pontos de visita;
2) Inspeção dos pilares, inclusive aqueles que se encontram dentro do Lago;
3) Inspeção das vigas principais de sustentação da ponte, inclusive nos vãos centrais de 50m e 60m;
As conclusões iniciais são as seguintes:
a) Os elementos estruturais que compõem o sistema estrutural resistente (longarinas, transversinas sobre os pilares e os pilares) não apresentam patologia estrutural significativa. Esses elementos estruturais, fundamentais para a resistência e estabilidade global da Ponte, podem ser considerados preservados
b) Os cabos de protensão do concreto protendido (técnica adotada no projeto e na execução) não apresentam evidências de relaxação ou corrosão. As armaduras passivas também não apresentam sinais visíveis de corrosão; Posteriormente, serão utilizadas técnicas mais precisas para a verificações de patologias, eventualmente, não detectadas na inspeção.
c) Nenhum ponto inspecionado apresentou problema estrutural que possa afetar a segurança da Ponte;
d) Foi medido o deslocamento vertical no vão central de 60m, com utilização de um instrumento a laser. A flecha relativa estimada foi de L/460 (onde, L=vão de 60m). Isso significa que a Ponte apresenta um comportamento adequado no que se refere aos deslocamentos verificados. Isso é um bom indicador para a segurança da estrutura.
e) Durante a inspeção das vigas principais da estrutura, mesmo com a Ponte em uso, não foram percebidas vibrações que possam incomodar os usuários, outro bom indicador da segurança da Ponte.
f) As aberturas existentes na laje inferior da Ponte não são preocupantes. Isso porque a laje não faz parte do sistema estrutural resistente. Apesar disso, a recuperação dessas aberturas já foi iniciada na tarde deste sábado (10/02/2018).
g) Essas aberturas são provocadas pelo choque de veículos, que não obedecem o gabarito de 4 m (quatro metros) sob a Ponte. O que mesmo com a existência de sinalização indicativa para esse fim.
i) Para evitar tais danos serão instaladas barreiras sonoras e físicas que impedirão o choque de veículos com alturas superiores ao gabarito de 4 m da Ponte.
Portanto, é possível afirmar que, no momento e com as atuais condições de uso e de conservação, a PONTE DO BRAGUETO pode ser CONSIDERADA SEGURA.
Prof. Dr Márcio Buzar.
Diretor Geral do DER-DF
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
SOMOS TODOS IRMÃOS...MENOS SE VOCÊ FOR PRODUTOR RURAL!
SOMOS TODOS IRMÃOS...MENOS SE VOCÊ FOR PRODUTOR RURAL!
Existem duas coisas com as quais sempre se pode contar a cada ano: em dezembro, tem show do Roberto Carlos na Globo. Em fevereiro, tem mais uma Campanha da Fraternidade com temática esquerdista, panfletária e avessa à realidade dos fatos, sendo promovida pela Igreja Católica no Brasil. A partir desta quaresma, a liturgia das missas em todas as paróquias do país tratará do tema “Fraternidade e Superação da Violência”, com o lema “Em Cristo Somos Todos Irmãos”. Trata-se, sem dúvida, de uma Verdade da Fé, mas basta uma simples leitura do texto-base, enviado a todas as paróquias (e disponível no site da CNBB), para perceber que o conceito de fraternidade dos nossos bispos brasileiros é muito mais seletivo que parece.
O tema da violência é um dado explosivo da realidade brasileira e seguramente deverá pautar a campanha eleitoral deste ano. Os cidadãos estão acuados dentro das casas, e como bem comprova o exemplo de estados como o Rio de Janeiro e Espírito Santo, cidades inteiras vivem o clima do medo sob o controle do tráfico de drogas. No campo, o abigeato, o roubo de insumos agrícolas e a constante ameaça de invasões do MST aterrorizam as fazendas. Mas, longe de defender uma justiça mais rigorosa e uma legislação mais eficaz, nossos príncipes da Igreja vão na contramão dos anseios do povo brasileiro, defendendo a manutenção da maioridade pena e insinuando que a culpa da criminalidade é dos que “possuem mais do que precisam”, além de abraçar todas as teses daquilo que, no campo jurídico, vem sendo chamado de “Bandidolatria”: ênfase dos direitos humanos para os infratores, em vez das vítimas.
Mas a cereja do bolo, a indecência suprema, é quando o texto acusa claramente os produtores rurais, chamados de “elite rural brasileira”, de ser agentes da violência, “naturalizando a violência na proteção da propriedade privada e disseminando a ‘ideologia ruralista” (Trecho do texto base da Campnha da Fraternidade/2018, “Criminalização dos Movimentos Sociais e a Luta por Justiça). Ou seja, para a alta cúpula da Igreja Católica, violentos não são os militantes do MST quando invadem propriedades, carneiam animais, depredam as casas e fazem cativos os empregados das fazendas. Violentos são os produtores, na “proteção” de sua propriedade, ao fazer o que todo cidadão honesto faz quando agredido: recorrer à Justiça para reaver sua posse.
O produtor rural, ao contrário, é um cooperador na luta contra a violência social. É o alimento gerado pelo agronegócio que fez o Brasil se tornar um dos campeões mundiais na luta contra a fome, produzindo uma tonelada de alimentos por habitante, quando o padrão de segurança alimentar da FAO é de 250 kg de grãos por pessoa. Somos a nação do planeta que tem condições de resolver o drama da fome no mundo, um dos maiores geradores de conflitos sociais e guerras. Mas o vilão, o predador, segue sendo o produtor rural. Semana passada, uma carga de gado vivo ficou dias sob alto estresse no Porto de Santos por conta de uma liminar que quase impediu que a carne brasileira pudesse chegar à Turquia, matando a fome de refugiados do Estado Islâmico.
Como produtor rural, mas, sobretudo, como católico, filho de uma família que é católica desde sua origem lusitana, sinto tristeza em saber que, para alguns líderes da igreja a que pertenço, não sou mais que um pária social. Esta violência espiritual, praticada contra católicos que empreendem é uma das explicações pelas quais o Datafolha detectou que o rebanho católico no país, que em 1994 era de 75%, hoje é de apenas metade da população. Nada tem a culpar a CNBB às outras igrejas, quando ela própria expulsa o povo com uma pregação regressista e sepultada pela História.
Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
O advogado do Lula
Senhoras e senhores!!!
vejam so como a vida da voltas
Sabem quem e o advogado de Lula?
Chama-se Christiano Zanin Martins.
E quem e Christiano Zanin Martins?
Christiano Zanin Martins e casado com Valeska Teixeira, filha de Roberto Teixeira.
Portanto Christiano e genro de Roberto Teixeira.
Mas quem e Roberto Teixeira?
Pra quem não sabe, Roberto Teixeira e dono do escritório Teixeira & Martins advogados.
Tem mais, Lula e padrinho de casamento de Cristiano e Valeska.
Portanto, Lula e Roberto Teixeira sao compadres.
Lula e “dindo” de Cristiano e Valeska.
Ta mas o que isso tem a ver????
Tem a ver com a VARIG, mais precisamente com o fim da VARIG.
Relembrando, Roberto Teixeira foi o responsável por arquitetar juridicamente o golpe que foi a venda fraudulenta e ilegal da Varig em 2006 para o fundo estrangeiro Matlin Patterson, chefiado por um Chines larapio, chamado Lap Chan.
Os fatos:
Lap Chan comprou a Varig na bacia das almas por 57 milhões de Reais num Leilão realizado dia 20 de Julho de 2006, no hangar da empresa, no aeroporto Santos Dumont.
Um ano depois, Lap Chan vendeu a parte boa da empresa, os chamados ativos, para o Grupo Aurea – Leia se GOL - do Nene Constantino por 320 milhões de dolares.
O passivo, incluindo as rescisões trabalhistas foi para as "calendas gregas".
Tudo arquitetado nos bastidores com aval do governo corrupto de Lula.
Estima-se que o escritorio de Roberto Teixeira tenha levado 6 milhões de dólares para ajudar a liquidar com a VARIG.
Ao mesmo tempo que matava VARIG, o governo de Lula emprestava bilhões de reias do BNDES a fundo perdido para Cuba, Venezuela e Mozambique, entre outros.
O tempo passou e de tanto ajudar fazer falcatruas, Roberto Teixeira e hoje mais um reu na Lavajato.
Roberto Teixeira e Cristiano Zanin alem de Genro e sogro, são sócios no escritório de advocacia Teixeira & Martins advogados.
Entenderam?
Esta turma vem fazendo sacanagem ha muito tempo. Prejudicaram muita gente.
Como disse John Kennedy: "Perdoe seus inimigos, mas não esqueça seus nomes"
Entao, em nome dos 9 mil funcionários da VARIG vitimas de um crime de lesa-pátria, que foram para o olho da rua em 2006, sem receber um centavo de rescisão trabalhista, hoje é um dia de celebracao.
O imperio que estes bandidos montaram em cima de corrupção e sacanagem, esta ruindo. O poder ja lhes foi tirado, a liberdade começa a ser tirada. Falta resgatar o patrimônio amealhado de maneira fraudulenta.
No final de tudo, so a verdade os libertara.
Em tempo: será que Cristiano sera o advogado de defesa do sogro quando este for julgado por Sergio Moro?
Ou se dara por impedido?
Boa sorte ao Cristiano e ao Reoberto Teixeira, enquando bebo mnha champagne por aqui.
Viva a VARIG!
Assinado:
Eduardo Eidt Letti
Piloto da Varig por 20 anos.
DIFERENÇAS ENTRE CAPITÃO-DE-MAR-E-GUERRA E O ALMIRANTE
PARA OS IRMÃOS DE ARMA, RI MUUUUIIIIITTTTOOOOOO
DIFERENÇAS ENTRE CAPITÃO-DE-MAR-E-GUERRA E O ALMIRANTE
"(Documento ultra-secreto. Triture-o antes de ler.)
Homenagem aos colegas promovidos a almirante
Costuma-se dizer que a diferença entre um capitão-de-mar-e-guerra e um almirante é que o capitão-de-mar-e-guerra pensa que é Deus, e o almirante tem certeza. Isso até faz algum sentido, pois Deus, que é Deus, é chamado apenas de Senhor, enquanto um almirante é chamado de Vossa Excelência.
Nos tempos de Colégio e Escola Naval, tínhamos dificuldade de acreditar que almirantes tivessem origem em seres de carne e osso. Isso porque nossos comandantes nos acostumaram a ver os almirantes como entidades espirituais, algo do tipo Oxossi, Ogum, Zarathrusta, Virshna, qualquer coisa do gênero, que não sabíamos de onde vinham, mas acreditávamos que existissem. Nós os víamos apenas em ocasiões muito especiais, como um eclipse do sol ou a passagem do Cometa de Halley. O que mais nos impressionava é que eles não chegavam de Kombi, transporte dos oficiais comuns, mas sim de Opala com ar condicionado, o que era um luxo para a época. É preciso esclarecer que andar de Kombi é um estigma na carreira do oficial de Marinha, que se divide em antes e depois da Kombi. Quase todo capitão-de-mar-e-guerra da reserva sofre da "Síndrome da Kombi". Em todos os hospitais navais há uma carcaça de Kombi usada para tratamento psiquiátrico dos casos mais sérios. Eu já estou quase curado, mas ainda dormirei em um banco de Kombi por algum tempo, até a cura total. O que causa essa síndrome é saber que ninguém em cargo importante anda de Kombi, particularmente os mar-e-guerra não almirantáveis. Eu criei esse trauma porque mesmo quando comandei não tive direito a um Opala e, para piorar, no último dia de serviço ativo ainda fui para casa numa carona de Kombi. A compensação é que meu pouco sucesso na carreira militar foi amplamente recompensado na vida civil. Recentemente fui eleito, com votos de dois parentes, terceiro suplente de subsíndico no prédio onde moro. A cerimônia de posse foi realizada no elevador de serviço, onde serviram biscoito maizena e refresco de groselha.
Lembro-me de que antigamente os almirantes tinham nomes em código, utilizados nas mensagens operativas. O Chefe do Estado-Maior da Armada, por exemplo, era, até por uma questão de humildade, "O Sol". Quando ele nos honrava com sua presença em alguma cerimônia, recebíamos antecipadamente uma mensagem informando a presença do "Sol em pessoa". Agora eu entendo porque os oficiais daquela época usavam tanto seus óculos escuros.
Ficávamos boquiabertos com a sabedoria que emanava dos discursos dos almirantes. Eram sempre um complemento para nossas aulas de português. Isso deixava os mais modernos em desespero, pois algumas vezes eram escalados para saudar autoridades e tinham de fazê-lo, também, com palavras rebuscadas. Lembro-me de um tenente que, muito nervoso, desejou ao almirante um Natal nefasto, e tentando elogiar a autoridade acabou chamando-a de inadimplente.
Nas cerimônias presididas por almirantes, os víamos no palanque como indivíduos imortais, onipresentes, onipotentes e oniscientes. Eram seres tão milagrosos que sua visita melhorava o rancho, fazia as paredes aparecerem pintadas e corrigia todas as deficiências. Terminada a cerimônia, eles entravam em Opalas, que para nós tinham a mesma aparência de uma nave espacial, pois desapareciam com a pompa de uma ascensão ao céu, deixando a sub-raça perplexa.
Mas a tradição se mantém, em parte, até hoje. Temos tanta certeza de que um almirante sabe de tudo que os ofícios a eles endereçados começam dizendo: "como é do conhecimento de Vossa Excelência..." Essa forma é empregada porque nenhum oficial comum se atreveria a causar surpresa a um almirante, muito menos susto, mencionando algo que ele não soubesse.
Há detalhes básicos que devem ser observados no trato com um almirante. Nunca se deve questioná-lo sobre algo que ele não saiba responder, pois isso poderia irritá-lo, o que seria perigoso. Em lugar de perguntar, por exemplo, "almirante, que tipo de navio é aquele?" devemos perguntar, mostrando completa ignorância: "almirante, o que é aquilo boiando?" Então, do alto de sua sapiência, ele dirá: "é um navio, sua besta". Outro cuidado importante é que só se pode dizer não a um almirante quando seja para agradá-lo. Por exemplo, se ele pergunta ao assistente, "você acha que eu estou gordo?" O assistente responde, "não, senhor"! Nunca devemos nos esquecer de um velho ditado militar que diz: "quando o subordinado é idiota, é idiota; quando o chefe é idiota, é chefe".
Netinho de almirante é, para os subordinados, a criança mais linda e mais inteligente do mundo. Lembro-me que quando eu era assistente um dos netinhos do meu chefe adorava riscar meus uniformes brancos com caneta esferográfica. Depois ainda ficava com minhas canetas, porque nunca tive coragem de pedi-las de volta. Que gracinha de criança! Cheguei a pensar que Herodes teve razão ao mandar matar aquelas duas mil crianças, como nos conta a Bíblia. Assim que o almirante passou para a reserva, fui visitá-lo só pelo prazer de dar um beliscão no pestinha e resgatar minhas canetas.
A diferença entre o tratamento oferecido a uma esposa de capitão-de-mar-e-guerra e uma de almirante é notável. No aniversário de esposa de almirante chegam tantas flores que a casa fica parecendo um jardim botânico. No aniversário de esposa de capitão-de-mar-e-guerra, nem aquelas flores de plástico, de camelô, são enviadas. Bombom de esposa de almirante é aquele com recheio abundante, que derrama licor francês a ponto de melar os dedos; para esposa de capitão-de-mar-e-guerra, bombom, se chegar, é uma caixa da Garoto, comprada na promoção, geralmente com o prazo de validade vencido.
Almirante tem telefone direto no gabinete e fala até com o Nepal, enquanto capitão-de-mar-e-guerra tem telefone de ramal, com interurbano bloqueado. No rancho, há uma diferença fundamental: almirante come bacalhau e capitão-de-mar-e-guerra come badejo passado a ferro.
Assim, sabendo que almirantes são seres dotados de características pouco peculiares aos mortais comuns, fica difícil imaginar que algum dia tenham usado aqueles grotescos uniformes de aluno do Colégio e da Escola Naval, particularmente o mescla, de brim azul, tão macio que parecia lona de cobrir caminhão, e que era fornecido em três tamanhos: o grande, o enorme e o gigantesco; é difícil acreditar que almirantes tenham enfrentado fila de rancho para comer "silveirinha", tomar "jacuba", e receber de sobremesa uma colher de doce de leite ou aqueles famigerados figos em calda (chamados na intimidade de "testículos do Hulk"); que tenham limpado o cinto com Kaol e polido os sapatos com graxa Duas Âncoras; que tenham acordado de madrugada, depois de uma noite sonhando com o festival de provas, para mergulhar naquela piscina de água congelada, quase siberiana, da Escola Naval. E como aprenderam a nadar, se o professor da época chamava-se Maldonado? Como acreditar que um almirante já fez rol de lavanderia e já calçou sapatos "Rocha Forte", cuja sola, ao contrário do que alegava o nome, era de papelão. Como imaginar que um almirante já viajou naquele ônibus pré-histórico, conhecido por "geléia", que comeu ervilhas "Olé" e goiabada "Pelicano" e que usou papel higiênico "Cinelândia"? (aquele cor de rosa, tão áspero que nos deixava com as nádegas carecas, e cuja embalagem de papelão era mais macia que o próprio produto). Mas tudo isso ficou para trás, e o grande escritor Machado de Assis nos lembra com muita propriedade que "não existe nada mais antigo do que o passado recente".
Já houve almirantes que realmente se imbuíram do fato de serem entidades; nunca se referiam a si mesmos na primeira pessoa; diziam "o almirante gostou... o almirante está satisfeito...", talvez porque intitular-se apenas EU fosse coisa de pessoas comuns. Um deles foi se confessar na igreja e o sacerdote não conseguia entender porque é que em lugar de contar os próprios pecados ele contava os de um almirante. O padre chegou a perguntar-lhe, "mas isso é confissão ou é denúncia"?
Houve um almirante que mandou rezar uma missa em ação de graças pelo restabelecimento da perna, que havia fraturado em um acidente. Como segundo-tenente, fui escalado para comparecer ao evento, pois cada unidade subordinada ao acidentado foi obrigada a enviar um ônibus cheio de "fiéis voluntários". O capelão, notório puxa-saco, teve a coragem de dizer no sermão: "que beleza esta manifestação espontânea de religiosidade!" Pior foi a fila de cumprimentos, na qual fui obrigado a entrar sem saber o que deveria dizer. Depois de ensaiar, enquanto esperava minha vez, pensei em cumprimentar a autoridade dizendo: "que perna forte, almirante. Já nasceu até cabelinho"; depois achei que pareceria muita intimidade com perna tão ilustre. Limitei-me a inclinar a cabeça com um olhar respeitoso e admirado para o membro homenageado.
Eu falei que o capelão era puxa-saco, mas a verdade é que almirantes atraem puxa-sacos. O prato preferido do almirante é sempre a especialidade da esposa de um integrante de seu gabinete. O mais exagerado bajulador que conheci foi um oficial que, num momento de descontração, disse a um almirante: "chefe, nós temos o mesmo tipo sanguíneo; se o senhor precisar... terei o maior prazer".
Houve também o episódio do enterro de uma autoridade naval. O puxa-saco soluçava à beira da cova de forma tão exagerada que a dentadura, feita na Marinha, de tamanho padrão, saltou da boca e caiu dentro do caixão. O bajulador aproveitou a deixa e disse: "leve, almirante, meu último sorriso"!
Um almirante é realmente um pólo de atração. Em qualquer coquetel de Marinha, quando se forma uma rodinha de oficiais, no centro estará sempre um almirante ou uma bandeja com camarões.
A transformação de mar-e-guerra em almirante é algo comparável à mutação da lagarta em lepidóptero. (O uso da palavra lepidóptero em lugar de borboleta deve-se ao fato de a primeira ser mais solene e mais máscula, além de evitar conotações pejorativas. Na verdade, essa providência nem se faz necessária, pois estamos certos de que não há e nunca houve na História um almirante gay. Sabemos que todo almirante é tão macho que seu lado feminino, se houvesse, seria lésbico).
Falando em transformação, vejamos o que ocorre nesse processo. A primeira alvorada de um almirante é o nascimento de um mundo encantado. A natureza surge em festa, com passarinhos amestrados pelos mais modernos cantando nas janelas de sua residência. O gerente do banco passa a tratá-lo como cliente VIP e aumenta logo seu cheque especial. O mar-e-guerra de ontem, que sabia até se vestir sozinho, vê surgir milagrosamente um séqüito (que logo se tornará indispensável) para auxiliá-lo: assistente, taifeiro, motorista, ordenança e despenseiro, todos solícitos e ávidos por atendê-lo. Nesse contexto, surgem a água de bolinha, o cafezinho em xícara de porcelana com a "ancrinha" (nada daqueles famigerados copinhos de plástico que mar-e-guerra usa), o spray de "bom ar", com cheirinho de quarto de solteirona, o tapete persa sob a mesa, em lugar do velho carpete manchado e de cor indefinível; o banheiro privativo, com tábua de privada modelo luxo, papel higiênico macio, perfumado e aveludado, sala de trabalho com vista para algum lugar além do corredor, carro amplo e confortável com gasolina por conta do contribuinte, e o apartamento funcional grande, sem infiltrações, com todos os eletrodomésticos funcionando, e que passa a ter o pomposo nome de "residência oficial".
Dentre as facilidades inerentes ao novo posto, as consultas médicas e odontológicas são um capítulo a parte. Adeus à fila da vala comum. Em lugar de pegar senha de madrugada, as consultas passam a ser assim: o almirante manda o assistente telefonar, e o médico, olhando a agenda cheia até o fim do ano, pergunta: "a que horas o chefe pode vir?" Nessa altura, a consulta do mar-e-guerra da reserva, marcada havia seis meses, fica adiada para o próximo milênio. Se fosse oftalmologia, ele já iria para a consulta levando a bengala branca. Para almirante, acabou aquele atendimento em que a lipoaspiração é realizada com "Vaporetto", as hemorróidas são extraídas com alicate, o joanete é removido com serrote e a prótese peniana é feita com duas canetas "Bic". Chega daquela dentadura tamanho único, que dói fora da boca, e cujos dentes são tão grandes que mar-e-guerra só fala assobiando e quando ri parece um esquilo. Saúde é coisa séria, pois não há dúvida de que um almirante gripado causa muito mais preocupação do que um mar-e-guerra moribundo.
As viagens são outro destaque. Nada de depender de "cochas" na FAB, cuja sigla significa Fome A Bordo, pois não oferecem nem um cafezinho. Chega de viagens pelo CAN, que quer dizer Compareça Amanhã Novamente, pois os vôos nunca saem no dia marcado. Quando o mar-e-guerra pega um vôo desses, se arrisca a ter como companheiro de assento um índio xavante, pintado de urucum, borrando seu uniforme branco e contaminando-o com aquele cheirinho de sucuri do Alto-Xingu. Almirante só vai de primeira classe, com espera em sala VIP, o assistente carregando o "prá-terno". Foi-se o tempo em que os pés chegavam ao destino tão inchados que o mar-e-guerra saía andando como o Mickey na parada da Disney.
A chegada às solenidades passa a ser feita de forma individual, com destaque, toque de apito, banda e oficiais formados. Nada de chegar como mar-e-guerra, despercebido, entrando pelos fundos do quartel, em grupo, de carona em uma van, quiçá em uma Kombi, ou pior, em ônibus de representação. Ficou apenas na lembrança aquela fase de chegar dirigindo o próprio carro e estacionar ao sol, tã~ao lo longe que o ideal seria tomar um táxi para chegar até o palanque. Já que falei nele, acabou-se aquele empurra-empurra do palanque "geral", compartilhado com fornecedores de Marinha e o pessoal da reserva. Terminou o contraste dos vistosos uniformes com aqueles ternos tipo "três vezes sem juros" e sapatos "Vulcabrás", típicos do pessoal da "vala comum". Agora é um palanque classe "A", sob um toldo decorado, no lado da sombra, com serviço de bufê e água gelada em copo de cristal. Durante o coquetel, todas as bandejas cheias passam ao lado dos almirantes, particularmente as de camarão. Enquanto isso, os mar-e-guerra se aglomeram na porta da cozinha, disputando a tapa um refrigerante genérico, quente, e um canapé de sardinha. Mar-e-guerra só vê camarão em filme do Jacques Cousteau, e se levar algum para casa as crianças dão chineladas achando que é uma barata.
A transformação ocorre também no aspecto intelectual. O que mar-e-guerra fala, ninguém se lembra; o que almirante fala, vira citação. Mar-e-guerra só pode fazer um comentário quando tem certeza, mas almirante pode dizer apenas "eu acho" e o que ele disser passa a ter a força de um preceito bíblico. Mar-e-guerra quando não sabe é incompetente; almirante quando desconhece, certamente foi mal assessorado.
Um almirante, mesmo sem perceber, dita os hábitos e costumes em sua área de influência. Se ele diz que gosta de judô, no dia seguinte metade do gabinete já estará de quimono; se ele joga futebol, haverá sempre um puxa-saco voluntário para ser goleiro do time adversário; se ele é vegetariano, até gaúcho pára de comer carne; se ele é religioso, e não declara a preferência, é de bom alvitre que os subalternos cerquem por todos os lados: parte do gabinete passa a andar com a Bíblia debaixo do braço, outros a ouvir o CD do Padre Marcelo, e o assistente vira pai-de-santo, com charuto, galinha preta e traje de babalaô.
Na transformação em almirante, até a expressão facial muda. Mar-e-guerra tem aquela "cara de faina", está sempre ofegante, com as feições típicas de quem está à beira de um infarto. Almirante tem o olhar sereno dos iluminados, aquele comportamento "Zen" que permite que mantenha a calma mesmo quando todos a sua volta já querem atear fogo às próprias vestes. Por isso, pode-se afirmar que a escolha de um almirante se assemelha a de um Dalai Lama. A única diferença é que a Marinha em lugar de selecioná-los no berço, por indicação das divindades, deixa para fazê-lo mais tarde, entre os mar-e-guerra, por um processo tão cabalístico e imprevisível que somente almirantes sabem fazer a escolha.
Finalizando, pode-se afirmar que o sonho de todo mar-e-guerra da reserva é ter um amigo almirante, pois, como se diz há anos, "mais vale um amigo no gabinete que dez anos de capacete".
Brasília, 08 de junho de 2001
Nero G. Pireli (durante seu tratamento na Kombi)"
O ESTADO DE SÃO PAULO - POR EMBRAER, BOEING SINALIZA CONCESSÕES
Executivos da fabricante americana circularam ontem por Brasília e Rio para tentar acelerar operação; entre sinalizações estão a garantia de autonomia da Embraer em projeto de caças com a Saab e a criação de um polo de produção de componentes no País
ELIANE CANTANHÊDE FERNANDO NAKAGAWA.
26/01/2018
A Boeing sinalizou que Embraer teria autonomia em projeto de caças, transformação do País em polo de produção e manutenção do poder de veto do governo. O governo brasileiro recebeu três sinalizações da Boeing no processo de negociação com a Embraer: garantia da autonomia à parceria entre Saab e Embraer na produção dos caças Gripen; transformação do Brasil em um novo polo de produção de componentes dos aviões Boeing fora dos Estados Unidos; e manutenção, como exigem as autoridades brasileiras, do poder de veto do governo na empresa de São José dos Campos (SP).
Os esclarecimentos tentam captar o apoio do governo e diminuir preventivamente a resistência que poderá surgir nos setores políticos, na opinião pública e eventualmente no Judiciário, num momento em que o Palácio do Planalto e área econômica já enfrentam batalhas pela reforma da Previdência e pela pulverização das ações da Eletrobrás – que o governo se recusa a chamar de privatização.
A intenção da Boeing é acelerar conversas, principalmente nos ministérios da Defesa e da Fazenda e no BNDES, para evitar que as negociações se estendam até o início oficial da campanha eleitoral. A empresa americana não quer virar alvo dos palanques, para não reavivar o imbróglio do FX-2, programa de renovação dos caças da FAB vencido pela sueca Saab em detrimento da Boeing e da francesa Dassault.
Ontem, a presidente da Boeing para a América Latina, Donna Hrinak, ex-embaixadora dos EUA no Brasil, circulou por Brasília, enquanto quatro representantes da empresa faziam reuniões no BNDES, no Rio, para esclarecer que serão protegidos interesses do Brasil em temas como a transferência de tecnologia na parceria SaabEmbraer para produção dos caça Gripen no Brasil, alvo de questionamento dos parceiros suecos (leia mais abaixo).
A mensagem é que a Boeing concorda com a blindagem do projeto Gripen, que permaneceria autônomo mesmo com eventual negócio entre as duas empresas. Um dos argumentos para a autonomia do projeto Gripen é que Boeing e Saab têm parceria desde 2013, nos EUA, no desenvolvimento e fabricação do T-X – avião para treinos militares – e que o projeto não gerou conflito entre as empresas.
A empresa também sinalizou que aceita manter o poder de veto do governo brasileiro – por meio da chamada golden share – sobre o futuro dos negócios da empresa brasileira. Não está totalmente claro em que termos, já que o desenho do negócio entre Embraer e Boeing ainda está no início e nem chegou à cúpula política do governo.
Peças.
Para angariar apoio às negociações, houve indicação de que, se a transação for fechada, o Brasil poderá ser o quarto polo de produção de componentes da Boeing, ao lado de Austrália, Canadá e Reino Unido. A inclusão do Brasil abriria horizontes para a indústria aeroespacial brasileira, que atualmente passa pela conclusão de três ciclos: desenvolvimento do KC390 na área de defesa, lançamento da segunda família de jatos de médio porte E-Jets e maturidade da linha de jatos executivos Legacy.
Os americanos defendem que engenheiros e técnicos que trabalham nesses projetos ganhariam poderiam atuar em projetos da Boeing – que, segundo fontes, tem enfrentado envelhecimento do corpo técnico.