domingo, 5 de abril de 2015

Patrulha do luto

DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2015
Valentina de Botas: Luciana Genro aproveitou o assassinato do menino Eduardo para exercer a patrulha do luto
Com Blog Augusto Nunes - Veja


“Meu filho Absalão! Absalão, meu filho!”, me lembro do lamento denso do rei Davi, em Samuel II, dilacerado pelo assassinato do filho que tentara matá-lo para lhe tomar o trono. Mesmo não vencendo o pai, Absalão destruiu-lhe um pedaço da alma, tanto que a ruína e morte de Thomas Sutpen, o protagonista do magnífico romance de Faulkner “Absalão! Absalão”, efetivadas pelos próprios descendentes, prenunciam-se na repetição do nome do filho do rei hebreu.
“Deixa, Deus, eles viverem”, me lembro de pais e mães na UTI neonatal onde minha filha permaneceu quase três meses porque nascera na improbabilidade do quinto mês de gestação. Enquanto não automatizam o ato da respiração, bebês prematuros se esquecem de respirar e ficam lá, paradinhos. Lindos, minúsculos e grandiosos. E os pais só pedindo: “Deixa, Deus, eles viverem”. Aí, voltam a respirar como quem leva um susto.
Alguns Deus não deixou; e tudo ficava impossível neste choque insuportável entre o que é pó em nós e a face horrenda do eterno. Me ausentei do mundo para ver minha filha cada dia de todos aqueles dias. A pequena audaz me dava colo nas 12 horas diárias que eu permanecia na UTI: eu vigiava Deus. Saudável e doce, ela é a memória diária de um milagre; não é a única filha que tive, mas é a única que tenho. O que me faz pensar mais de perto nos pais que conhecem essa dor absoluta e subversiva.
As mortes de Thomaz e Eduardo, uma num acidente estúpido – será que a única forma de testar um helicóptero é fazê-lo voar? – e a outra numa selvageria, reforçam que talvez só os indecifráveis propósitos divinos possam harmonizar o sublime (o milagre) e o nefando (a tragédia) que nos tangem neste mundo, embora ambos necessitem do humano para acontecer.
Desnecessário é o desrespeito de Luciana Genro aos mortos que, à sombra da pilha de cadáveres que a ideologia que ela rumina produziu, usou o assassinato de Eduardo para exercer a patrulha do luto: quer saber por que não lamentar a morte de Eduardo. Ora, todos lamentamos uma barbaridade dessas. Leviana, sugere que o preconceito de classe sepulta Eduardo no esquecimento.
Duplamente estúpida – por ser estúpida mesmo e por achar que ninguém percebe –, confessa involuntariamente que só se lembrou de Eduardo pela asquerosa conveniência ideológica, afinal quando foi que lamentou quaisquer dos incontáveis eduardos anteriores a este? O texto do nosso Reynaldo disse tudo e fico pensando nos pais cujos filhos se vão. Em geral, orgulhamo-nos e ficamos felizes com o êxito dos filhos, claro; mas é em algum insucesso, em alguma vulnerabilidade deles que nosso amor parece maior.
Vai ver é aí que nosso amor pelos filhos se exacerba e realiza a completa potência dele. Seja o pai um rei ameaçado, plebeus numa UTI, o governador ou um ajudante de pedreiro. Mas todo esse amor não os poupa do abismo que tocaia a todos e quando um filho morre, talvez o mesmo amor que nos leva ao limite do humano possa nos fazer confiar nos planos de Deus e, então, vislumbramos a face sublime do eterno no milagre de conseguir ir em frente.

1964 - um testemunho


1964 - um testemunho
07.04.2014 | 02:06

    
Fernão Lara Mesquita* - O Estado de S.Paulo
Para entender o que aconteceu em 64 é preciso lembrar o que era o mundo naquela época.

Um total de 30 países, parando na metade da Alemanha de hoje, havia sido engolido pela Rússia comunista por força militar. Invasão mesmo, que instalava um ditador que atuava sob ordens diretas de Moscou. Todos os que tentaram escapar, como a Hungria em 56, a Checoslováquia em 68, a Polônia em 80 e outros, sofreram novas invasões e massacres.

E tinha mais a China, o Vietnã, o Camboja, a Coreia do Norte, etc., na Ásia, onde houve verdadeiros genocídios. Na África era Cuba que fazia o papel que os russos fizeram na Europa, invadindo países e instalando ditadores no poder.

As ditaduras comunistas, todas elas, fuzilavam sumariamente quem falasse contra esses ditadores. Não era preciso agir, bastava falar para morrer, ou nem isso. No Camboja um quarto de toda a população foi executado pelo ditador Pol Pot entre 1975 e 1979, sob os aplausos da esquerda internacional e da brasileira.

Os países onde não havia ditaduras como essas viviam sob ataques de grupos terroristas que as apoiavam e assassinavam e mutilavam pessoas a esmo detonando bombas em lugares públicos ou fuzilando gente desarmada nas ruas.

As correntes mais radicais da esquerda brasileira treinavam guerrilheiros em Cuba desde antes de 1964. Quando João Goulart subiu ao poder com a renúncia de Jânio Quadros, passaram a declarar abertamente que era nesse clube que queriam enfiar o Brasil.

64 foi um golpe de civis e militares brasileiros que lutaram na 2.ª Guerra Mundial e derrubaram a ditadura de Getúlio Vargas, para impedir que o ex-ministro do Trabalho de Vargas levasse o País para onde ele estava prometendo levá-lo, apesar de se ter tornado presidente por acaso. Tratava-se portanto, de evitar que o Brasil entrasse num funil do qual não havia volta, e por isso tanta gente boa entrou nessa luta e a maioria esmagadora do povo, na época, a apoiou.

A proposta do primeiro governo militar era só limpar a área da mistura de corrupção com ideologia que, aproveitando-se das liberdades democráticas, armava um golpe de dentro do sistema para extingui-las de uma vez por todas, e convocar novas eleições para devolver o poder aos civis.

Até outubro de 65, um ano e meio depois do golpe, seguindo o combinado, os militares tinham-se limitado a cassar o direito de eleger e de ser eleito, por dez anos, de 289 pessoas, incluindo 5 governadores, 11 prefeitos e 51 deputados acusados de corrupção mais que de esquerdismo.

Ninguém tinha sido preso, ninguém tinha sido fuzilado, ninguém tinha sido torturado. Os partidos políticos estavam funcionando, o Congresso estava aberto e houve eleições livres para governador e as presidenciais estavam marcadas para a data em que deveria terminar o mandato de Jânio Quadros.

O quadro só começou a mudar quando em outubro de 65, diante do resultado da eleição para governadores, o Ato Institucional n.º 2 (AI-2) extinguiu partidos, interferiu no Judiciário e tornou indireta a eleição para presidente. Foi nesse momento que o jornal O Estado de S. Paulo, que até então os apoiara, rompeu com os militares e passou a combatê-los.

Tudo isso aconteceu praticamente dentro de minha casa, porque meu pai, Ruy Mesquita, era um dos principais conspiradores civis, fato de que tenho o maior orgulho.

Antes mesmo da edição do AI-2, porém, a esquerda armada já havia matado dois: um civil, com uma bomba no Cine Bruni, no Rio, que feriu mais um monte de gente; e um militar numa emboscada no Paraná. E continuou matando depois dele.

Ainda assim, a barra só iria pesar mesmo a partir de dezembro de 68, com a edição do AI-5. Aí é que começaria a guerra. Mas os militares só aceitaram essa guerra depois do 19.º assassinato cometido pela esquerda armada.

Foi a esquerda armada, portanto, que deu o pretexto para a chamada "linha dura" militar tomar o poder e a ditadura durar 21 anos, tempo mais que suficiente para os trogloditas de ambos os lados começarem a gostar do que faziam quando puxavam gatilhos, acendiam pavios ou aplicavam choques elétricos.

A guerra é sempre o paraíso dos tarados e dos psicopatas e aqui não foi diferente.

No cômputo final, a esquerda armada matou 119 pessoas, a maioria das quais desarmada e que nada tinha que ver com a guerra dela; e os militares mataram 429 "guerrilheiros", segundo a esquerda, 362 "terroristas", segundo os próprios militares. O número e as qualificações verdadeiras devem estar em algum lugar no meio dessas diferenças.

Uma boa parte dos que caíram morreu atirando, de armas na mão; outra parte morreu na tortura, assassinada ou no fogo cruzado.

Está certo: não deveria morrer ninguém depois de rendido, e morreu. E assim como morreram culpados de crimes de sangue, morreram inocentes. Eu mesmo tive vários deles escondidos em nossa casa, até no meu quarto de dormir, e já jornalista contribuí para resgatar outros tantos. Mas isso é o que acontece em toda guerra, porque guerra é, exatamente, a suspensão completa da racionalidade e do respeito à dignidade humana.

O total de mortos pelos militares ao longo de todos aqueles 21 "anos de chumbo" corresponde mais ou menos ao que morre assassinado em pouco mais de dois dias e meio neste nosso Brasil "democrático" e "pacificado" de hoje, onde se matam 50 mil por ano.

Há, por enquanto, 40.300 pessoas vivendo de indenizações por conta do que elas ou seus parentes sofreram na ditadura, todas do lado da esquerda. Nenhum dos parentes dos 119 mortos pela esquerda armada, nem das centenas de feridos, recebeu nada desses R$ 3,4 bilhões que o Estado andou distribuindo.

Enfim, esse é o resumo dos fatos nas quantidades e na ordem exatas em que aconteceram, do que dou fé porque estava lá. E deixo registrado para os leitores que não viveram aqueles tempos compararem com o que andam vendo e ouvindo por aí e tirarem suas próprias conclusões sobre quanto desse barulho todo corresponde a sentimentos e intenções honestas.

*Fernão Lara Mesquita é jornalista. Escreve em www.vespeiro.com.  

sábado, 4 de abril de 2015

Somos programados para acreditar em um Deus?

Somos programados para acreditar em um Deus?

 
Francesca Stavrakopoulou 
Diretora de Teologia e Religião da Universidade de Exeter (Inglaterra) 04/04/2015 - 17h41
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A religião – a crença em seres sobrenaturais, incluindo deuses e fantasmas, anjos e demônios, almas e espíritos – está presente em todas as culturas e permeia toda a História.

A discussão sobre a vida após a morte remonta a, pelo menos, 50.000 a 100.000 anos atrás.
 
É difícil obter dados precisos sobre o número de crentes de hoje, mas algumas pesquisas sugerem que até 84% da população do mundo são membros de grupos religiosos ou dizem que a religião é importante em suas vidas.
 
Vivemos em uma era de um acesso ao conhecimento científico sem precedentes, o que alguns acreditam que é incompatível com a fé religiosa. Então, por que a religião é tão difundida e persistente?
 
Os psicólogos, filósofos, antropólogos e até mesmo os neurocientistas sugerem possíveis explicações para a nossa disposição natural de acreditar, e para o poderoso papel que a religião parece ter em nossas vidas emocionais e sociais.
 
Morte, cultura e poder
 
Mas antes de falar das teorias atuais, é preciso entender como surgiram as religiões e o papel que elas tiveram na vida de nossos ancestrais.
 
As primeiras atividades religiosas foram em resposta a mudanças corporais, físicas ou materiais no ciclo da vida humana, especialmente a morte.
 
Os rituais de luto são uma das mais antigas formas de experiência religiosa. Muitos de nossos antepassados não acreditavam que a morte era necessariamente o fim da vida – era apenas uma transição.
 
Alguns acreditavam que os mortos e outros espíritos podiam ver o que estava acontecendo no mundo e ainda tinham influência sobre os eventos que estão ocorrendo.
 
E essa é uma noção poderosa. A ideia de que os mortos ou até mesmo os deuses estão com a gente e podem intervir em nossas vidas é reconfortante, mas também nos leva a ter muito cuidado com o que fazemos.
 
Os seres humanos são essencialmente sociais e, portanto, vivem em grupos. E como grupos sociais tendem à hierarquia, a religião não é exceção.
 
Quando há um sistema hierárquico, há um sistema de poder. E em um grupo social religioso, a hierarquia localiza seu membro mais poderoso: a divindade - Deus.
 
É para Deus que temos de prestar contas. Hoje em dia, a religião e o poder estão conectados. Estudos recentes mostram que lembrar de Deus nos faz mais obedientes.
 
Até em sociedades que reprimiram a fé, surgiu algo que tomou seu lugar, como o culto a um líder ou ao Estado.
 
E quanto menos estável é um país politica ou economicamente, mais provável que as pessoas busquem refúgio na religião. Os grupos religiosos podem, ao menos, oferecer o apoio que o Estado não fornece a quem se sente marginalizado.
 
Assim, fatores sociais ajudam a desenvolver e fortalecer a fé religiosa, assim como a forma como nos relacionamos com o mundo e com os outros.
 
Outras mentes
 
Em todas as culturas, os deuses são, essencialmente, pessoas, mesmo quando têm outras formas.
 
Hoje, muitos psicólogos pensam que acreditar em deuses é uma extensão do nosso reconhecimento, como animais sociais, da existência de outros. E uma demonstração da nossa tendência de ver o mundo em termos humanos.
 
Nós projetamos pensamentos e sentimentos humanos em outros animais e objetos, e até mesmo nas forças naturais – e essa tendência é um dos pilares da religião.
 
Assim argumentou-se que a crença religiosa pode ser baseada em nossos padrões de pensamento e de cultura humana. Alguns cientistas, no entanto, foram além e analisaram nossos cérebros em busca do lendário "ponto Deus".
 
Deus no cérebro
 
Os neurocientistas têm tentado comparar os cérebros dos crentes e ao dos céticos, para ver o que acontece no nosso cérebro quando rezamos ou meditamos. Se conhece pouquíssimo sobre esse campo - mas há algumas pistas, especialmente no que diz respeito às aéreas cerebrais.
 
O córtex pré-frontal medial está fortemente associado com a nossa capacidade e tendência para entender os pensamentos e sentimentos dos outros. Muitos estudos têm mostrado que esta região do cérebro está especialmente ativa entre os crentes religiosos, especialmente quando estão rezando. Isso corrobora a visão de que a fé religiosa é uma forma de interação social.
 
Já o lobo parietal, de acordo com estudos pode estar envolvido em experiências religiosas, especialmente aquelas caracterizadas com a dissolução do ego.
 
Pontuando a vida
 
Na medida em que estamos constantemente à procura de padrões, estruturas e relações de causa-efeito, a religião pode fornecer uma variedade de estratégias para que essa busca faça sentido.
 
As crenças religiosas ajudam os seres humanos a se organizar e dar sentido a suas vidas. E em todas as culturas, e até mesmo entre ateus, os rituais podem ajudar a pontuar eventos importantes da vida.
 
Embora nem a neurociência, nem a antropologia e nem filosofia tenham uma resposta definitiva para a questão "Deus existe?", todas essas disciplinas dão pistas sobre como nós respondemos às nossas mais profundas necessidades humanas.
 
Talvez não sejamos programados para acreditar em Deus ou em um poder sobrenatural, mas somos animais sociais com uma necessidade evolutiva de ficar conectado com o mundo e com os outros.
 
De repente, as religiões são apenas canais para permitir essas conexões.
 

"Viva a classe média!", por Demétrio Magnoli

"Viva a classe média!", por Demétrio Magnoli

Folha de São Paulo


"Coxinhas, oh céus, coxinhas!". A acusação aos manifestantes do 15 de março, que prometem voltar no 12 de abril, não é um argumento político, mas uma condenação de classe.

Sua fonte de inspiração encontra-se nas invectivas de Marilena Chaui, pronunciadas durante as celebrações de dez anos de governos lulopetistas, em 2013: "Eu odeio a classe média. A classe média é estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. A classe média é uma abominação política, porque ela é fascista, uma abominação ética, porque ela é violenta, e uma abominação cognitiva, porque é ignorante". No erro crasso da filósofa, discerne-se a natureza da crise que assola o PT.

Chaui, uma professora de classe média, odeia seus colegas, seus alunos, seus amigos –e a si mesma. Entretanto, ela não entende a classe média, nem no registro sociológico, nem no histórico.

Sociologicamente, a classe média não é una, mas diversa. O crescimento econômico e a modernização social acentuam a diversidade das classes médias (assim, no plural), borrando as fronteiras que as separam dos trabalhadores assalariados. Nas democracias opulentas do Ocidente, esses segmentos compõem a maioria da população.

Como explicou Timothy G. Ash, a mensagem das revoluções de 1989 no leste europeu era "queremos também ser de classe média, no mesmo sentido em que os cidadãos da metade mais afortunada da Europa é de classe média". A tentativa de definir a classe média por uma coleção de adjetivos derrogatórios é uma prova, entre tantas, dos efeitos obscurantistas do pensamento ideológico.

Se há um traço comum às classes médias, ele se encontra na autonomia dos indivíduos inscritos nesses segmentos em relação ao poder estatal e às organizações corporativas. Em contraste com os trabalhadores organizados, as classes médias tendem a mover-se ao largo de sistemas rígidos de intermediação política, o que confere forte imprevisibilidade a seu comportamento na arena pública. Daí o incontido ódio da filósofa: as classes médias não se amoldam à caixinha dos partidos que anunciam a salvação do povo.

Historicamente, e por isso mesmo, as classes médias transitam da abulia política a mobilizações intensas, articuladas em torno de valores públicos gerais (liberdade, ordem, moralidade, etc.). Desde, pelo menos, a década de 60, as classes médias situam-se no núcleo dos mais relevantes movimentos políticos.

As revoluções operárias clássicas esmaecem no passado. Ironicamente, a última delas, o movimento polonês do Solidariedade, em 1980, foi um levante contra o "socialismo real" e um partido que declarava representar a classe trabalhadora.

Os protestos contra a Guerra do Vietnã basearam-se na classe média. A Primavera Árabe foi impulsionada pela classe média. "Coxinhas" persas mobilizaram-se pela liberdade no Irã dos aiatolás. "Coxinhas" franceses encheram as ruas de Paris para dizer "Eu sou Charlie". Fixado no passado remoto, o PT lembra com razão que a Marcha da Família foi de classe média, mas finge esquecer que eram "coxinhas" os que gritaram "Diretas Já!" e "Fora Collor!".

Chaui odeia a classe média. Pol Pot também odiava, especialmente os intelectuais. No seu Camboja, usar óculos era um passaporte seguro para os campos da morte. Dilma Rousseff faz tudo errado, mas sempre acertou na mosca sobre a meta que almeja: um país de classe média.

Lula recorda-se bem que a influência do PT difundiu-se a partir da classe média. Por isso, em plenária de militantes, declarou-se "irritado" com "companheiros dizendo que quem vai para a rua contra nós são os que não prestam e nós somos os bons", para reconhecer: "Eles têm direito".

Chaui, a odienta, disse certa vez que "quando Lula fala, tudo se ilumina". Não é verdade –mas, nesse caso específico, a militância alucinada deveria ouvi-lo.

sábado, 28 de março de 2015

A hora da verdade

O momento do Brasil é difícil e, admito, confuso, mas é, sobretudo, de revelação. Para uns, é a hora de uma verdade incômoda; para outros, é apenas a consolidação de suas certezas. Descortinam-se mais alguns véus que escondiam o teatro de sombras da corrupção e incompetência dos representantes de uma linha ideológica que predominou no Brasil nos últimos trinta anis.
Quebram-se alguns ídolos de barro ordinário. Um deles, fez-se em pequenos cacos de decepção. Para minha tristeza, o filósofo Mario Sérgio Cortela revelou sua estupidez no programa Hora do Expediente ao classificar a direita de demofóbica. 
Para ele, os da esquerda são a gente do bem, que gosta do povo; os da direita, os malvados, os que sentem nojo dos pobres viajando de avião ou comprando televisões de LCD.
Não gosto de rótulos e essa classificação de direita e esquerda é muito conveniente para quem quer misturar tudo para esconder suas intenções. Não se pode associar todos de esquerda à corrupção, nem os de direita à exploração dos mais fracos. Uma pena ter ouvido Cortela associar o pensamento conservador à repugnância pelos pobres.
Sei o que penso e o que sinto. Gosto de ordem, cumpro as leis, mesmo aquelas as quais não concordo, tento fazer o que é certo e respeito o direito dos outros. Também quero ser respeitado. Não quero  uma sociedade cristalizada em ricos e pobres, fragmentada em raças, opiniões ou credos em conflito. Vibro de alegria quando vejo gente de diferentes cores e posses numa fila de embarque no aeroporto. Não gosto da pobreza porque acredito numa sociedade em que todos tenham poder de compra e liberdade para definir seus destinos. Não quero muito pobres e menos ainda os muito ricos.
Pobreza é ruim, mas riqueza em excesso é pior. Mesmo assim, quero liberdade mais do que igualdade, porque os homens são diferentes e têm que ser livres.
Meu pensamento me afasta da esquerda, ao menos daqueles socialistas socialaites que ainda não se deram conta que o mundo mudou.
Juan Arias citou Marilena Chauí, um ser anacrônico que me faz lembrar de Cazuza no fim de sua curta vida, tentando cantar que a burguesia fede. A classe média, na qual me incluo, tem que suar a camisa para viver honestamente. Pena que isso cheire mal para alguns bacanas.
Para finalizar, se agora é o momento da verdade, espero que venha também a hora da prestação de contas.

domingo, 22 de março de 2015

Navio fantasma

Lei é Lei e cumpra-se a Lei.
Tá bom, eu concordo, mas e quando a Lei nos condena a ser passageiros de um navio fantasma?
Sim, porque é nisso que o atual governo está se transformando: um navio fantasma. Pior, navegando em círculos.
Boa parte dos oficiais será condenada por roubar alimentos da dispensa e vender o combustível do navio. Nos bons tempos, essa turma faria o derradeiro passeio na prancha, mas isso soa bárbaro hoje em dia. 
A marujada é da pior qualidade. Vira e mexe promove passeatas a bordo e invade os camarotes dos passageiros. 
Nesse nosso navio há o risco permanente de motim. Opa, motim, não, berra o alto-falante de bordo. Motim é golpismo
Nós somos os passageiros e donos do navio, embora a comandante insista em nos tratar como carga não perecível. Semana passada fomos ao convés protestar, mas o imediato sempre nos diz que as leis do mar não permitem indiciar a comandante. O advogado de bordo foi além: ela sequer pode ser investigada.
O barco balança e a comandante culpa o mar revolto, mas como, se o céu está limpo e quase não há ondas ao nosso redor?
Os outros navios vão se afastando e nós ficamos navegando em círculos. Será que teremos que suportar todo o mandato dela? E se toparmos num iceberg e o navio acabar no fundo do mar?
E pensar que o  comandante anterior era quem enchia a cara em serviço.

sábado, 21 de março de 2015

Hora da verdade

Gramsci dizia era preciso ter alguma ascendência moral ou intelectual para convencer  os homens simples, os do povo, para a causa comunista. Porém,  o comunismo se impôs como fórmula infalível de felicidade social mais pelos seus métodos de intimidação do que pelas suas qualidades. Comunistas seduziam artistas e intelectuais, insuflando seu ego. Os que resistiam ou se atreviam a dizer a verdade eram perseguidos e desacreditados.
No Brasil, os que estão hoje no poder usaram os mesmos métodos do extinto Partido Comunistacda União Soviética. Convenceram muitos, mas não todos. Felizmente, talvez até por intervenção divina, os comunistas brasileiros gostam mais de dinheiro do que do povo. Por isso, fracassarão.
Arruinaram nosso presente e quiseram destruir nosso futuro, mas parece que os brasileiros de bem finalmente acordaram.
Infelizmente para os comunistas, a hora é da verdade, não da intimidação.