domingo, 1 de abril de 2012

Ontem, hoje e sempre

Tentam dissociar os militares de hoje daqueles que combateram a subversão nos anos 60 e 70.  Nesse aspecto, vou me ater aos oficiais do Exército e digo que as paredes do Conjunto Principal da AMAN são as mesmas desde 1944; gerações e gerações de oficiais deitaram naqueles colchões de palha que só trinta anos atrás foram substituídos por espuma; o frio do inverno resendense não mudou; todos sabemos que a água quente do chuveiro do cadete só existe entre 16h00 e 16h15; no rancho, sempre houve um garçom flexa, que ia embora rápido e não voltava com a bandeira reposta; respeitáveis oficiais um dia foram bichos e desfrutaram do delicioso coquetel debaixo da mesa do refeitório; todo mundo pelo menos um dia na vida foi torrado; todos sabemos que um homem calçado não está atrasado; enfim, todos nós saímos da AMAN, mas a AMAN não sai de dentro de nós. Então, não dá para separar os oficiais de ontem, de hoje e de sempre.

sábado, 31 de março de 2012

Preposos

Eu acredito que foi boa a medida de realizar o primeiro ano da formação do oficial na EsPCEx (Prep) e os outros quatro na AMAN. Agora, os alunos da Prep ingressam na escola por volta dos dezessete ou dezoito anos, já com o ensino médio concluído. 
Na minha época, havia três caminhos para a AMAN: a Prep, o Colégio Militar (CM) ou o concurso. Fazia-se concurso para a EsPCEx quando se tinha uns catorze anos de idade. Vamos convir que era muito prematuro para um jovem daquela idade definir a profissão que desejaria seguir o rsto da vida. Este foi o meu caso. 
Concluí a oitava série com catorze anos e nem pensava em ser militar. Preferi seguir no CM a ingressar na Prep. Aos dezesseis anos, descobri minha vocação e direcionei meus estudos para entrar na AMAN. 
Não me arrependo, mas tenho admiração da determinação dos companheiros que foram para a Prep tão cedo.

Suecos

O Fernando Rodrigues publicou um artigo hoje na Folha que relata uma pergunta que um grupo de deputados suecos lhe fez num encontro social. Os suecos querem saber o que quer o Brasil no cenário internacional. Eles não gostaram da resposta que um ministro lhes deu, que o Brasil quer crescer; acham que isso é apenas um objetivo doméstico, que não o guindaria à condição de protagonista no cenário internacional.
Eu comento. Para mim, a resposta do ministro está cem por cento correta. O Brasil quer mesmo crescer, se desenvolver, melhorar. Isso não é um objetivo apenas doméstico. O crescimento sustentável dependerá de um ambiente internacional harmônico e respeitoso.
Os suecos não gostam que o Brasil tente ser amigo de todos; para eles, quando alguém é amigo de todo mundo, não consegue o respeito necessário.
Vai ver que é por isso que há tantos conflitos no mundo. Mesmo os suecos, campeões mundiais do progressismo e do politicamente correto, são hostilizados por outros povos que não gostam quando loiros de olhos azuis lhes imponham normas de conduta.
Eu gosto mais da idéia da autodeterminação dos povos e do princípio de respeitar para ser respeitado.

Vai de metrô



Um dos artigos da Folha de São Paulo de hoje reproduz uma pergunta do General Nilton Cerqueira, ex-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro e justamente o homem que matou Carlos Lamarca.
O general estava na palestra de anteontem no Clube Militar e foi bastante hostilizado pelos “bandeiras vermelhas” que tumultuavam o ato dos militares da reserva. A pergunta do general era: que mal oferecia um monte de idosos?
O general, de 81 anos, fez a pergunta e eu respondo: o mal é que a palestra ofendeu a “verdade oficial” que os “bandeiras vermelhas” nos impõem.
Isso é tão óbvio que até uma criança de dez anos, que leia algo mais do que lhe é ensinado nas escolas, poderia responder. Bastaria só um pouquinho de isenção, mas o artigo da Folha não chegou a essa conclusão.
Ah, só para constar, depois da palestra, o general voltou para casa de metrô, como fazem tantos outros brasileiros honestos e trabalhadores.

Vocês tão de sacanagem, não é?


Esse mundo está mesmo torto! Hoje, 31 de março, 48 anos depois de 1964, a imprensa publicou vários artigos sobre a Comissão da Verdade. Os que li foram muito bem escritos e com uma argumentação bem encadeada.

Pena que todos apresentam o mesmo pecado recorrente: baseiam-se numa premissa falsa, a de que os militares não querem a verdade. Pois digo que é muito pelo contrário; os brasileiros de farda querem a verdade, mas TODA A VERDADE. Vou explicar.

A anistia de 1979 serviu para pacificar o Brasil e levá-lo à democracia. Os crimes de ambos os lados foram, digamos, perdoados. Os assassinos e terroristas de bandeira vermelha voltaram ao País e muitos à cena política; os outros, na maioria funcionários do Estado, continuaram discretamente com suas vidas.

Trinta e tantos anos depois, o palco do teatro político é dominado pelos “bandeira vermelha”, que resolvem que resolvem que apenas os crimes dos torturadores devem ser elucidados; que os crimes dos terroristas e assassinos não eram crimes, eram reclames sociais legítimos. Ora, vamos convir que isso é ..., perdão, mas vou dizer, ... uma SACANAGEM.

Os brasileiros de farda estão cansados das mentiras da bandeira vermelha; não querem meias verdades; se for para contar a verdade, que ela seja inteira, imparcial, despolitizada.

Vamos convir que isso é bem razoável. Experimente você chegar em casa de madrugada, fedendo a cachaça, com mancha de batom no colarinho, e conte apenas uma meia verdade à sua mulher. Ela, no mínimo vai lhe dizer: VOCÊ TÁ DE SACANAGEM, NÃO É?

quinta-feira, 29 de março de 2012

Ovo da serpente

No último 23 de março, o Leonardo Sakamoto publicou em seu Blog o texto "Cale-se! O silêncio machuca, o diálogo é música". Do texto, destaco o seguinte trecho: "No dia 21 de março, um protesto contra o direito ao aborto reuniu pessoas na Praça da Sé, em São Paulo. Elisa Gargiulo, da banda Dominatrix, resolveu dar a sua opinião, contrária, pacificamente. Poderia ser um momento de diálogo, rico. Mas calar Elisa foi mais fácil." 

Pois é, o Sakamoto reclamou quando impediram uma de suas correligionários de se manifestar; chegou a falar da riqueza do diálogo, da oportunidade perdida em se trocar ideias civilizadamente. É claro que a tal dominatrix provocou uma reação para depois se fazer de vítima. Em linguajar bolchevique, ela agiu como uma provocadora. 

O Sakamoto, que tanto reclamou uma semana atrás, hoje não escreveu uma linha sequer para se queixar da violência contra a livre manifestação dos militares da reserva. É obvio: tinta na roupa dos outros é refresco. 

Um bando, devidamente orquestrado pelos caciques vermelhos, dedicou sua tarde de hoje para tumultuar um evento legítimo. O resultado é que homens de setenta e tantos anos, alguns até mais idosos, se viram acossados por uma turba que não os poupou de cusparadas, xingamentos e até agressões físicas. Tudo isso porque a bandeira vermelha não admite opiniões contrárias. 

Daí, pergunto: isso é mesmo o estado democrático de direito? Eu respondo que não. Há muita coisa errada e truculência não faz parte do repertório de uma democracia saudável. Também tenho uma convicção: todo revolucionário tem dentro de si um germe de autoritarismo. Concluo que o jovem que hoje cuspiu nos velhinhos do Clube Militar é o protótipo do autocrata do amanhã. 

Estamos diante do ovo da serpente.

domingo, 18 de março de 2012

Dor na alma

Não se pode conformar com tratamentos desiguais. A dor da injustiça é mais aguda que a da injúria. A Lei vale para todos e a maior ofensa é a desigualdade. Isonomia não diz respeito apenas à questão salarial; antes de tudo, é um princípio. 
Foge ao bom senso a existência de uma comissão que investigue apenas um lado da história e se intitule que é da Verdade. Não pode haver verdade onde há apenas meia-verdade. Meias verdades são completas mentiras. 
Militares obedecem, cumprem missões que outros recusam, e, algumas vezes, morrem. Tantos morreram no Haiti e agora na Antártica. Mesmo assim, não se notam lágrimas nas faces daqueles que conduzem este país. 
Pior que a indiferença é saber que há outros que não obedecem, recusam missões e são premiados com altos salários. Uns se limitam a cumprir suas horas de expediente tal como uma missa de corpo presente; auditores e delegados recém admitidos recebem salários mais elevados que generais com quase quatro décadas de serviço. Os soldos das praças não condizem com o trabalho que desenvolvem e são muito, mas muito menores do que o de outros servidores de nível médio. 
Tudo isso dói na alma, mas militares são resistentes, generosos e abnegados. Sim, são tudo isso,  mas sua resistência, generosidade e abnegação não significam resignação e muito menos concordância.