quinta-feira, 9 de junho de 2011

Morte no campo

Vocês lembram do assassinato do lavrador Marcos Gomes da Silva, morto na semana passada em Eldorado dos Carajás?

Trata-se daquele homem que, mesmo depois de baleado, conseguiu escapar e seguia numa caminhonete até o hospital municipal de Eldorado do Carajás. Aí, o veículo foi interceptado na estrada por dois homens armados. Os ocupantes foram obrigados a descer do veículo e a vítima foi morta a tiros.

A violência do assassinato chocou muita gente e houve blogueiro postando texto de repúdio à violência no campo. Parecia que era mais um caso de ambientalista morto por causa do código florestal.

Agora, a Polícia descobriu que Marcos Gomes da Silva era um nome falso. O lavrador se chamava João Vieira dos Santos, tinha 33 anos e nasceu no município de Zé Doca, no Maranhão. Ele respondia naquele Estado pelo assassinato de Francisco das Chagas de Albuquerque França, morto a pauladas em 2001.

Durante as investigações, duas testemunhas ouvidas em depoimento relataram que a vítima era envolvida em crimes na região do Assentamento Sapucaia, onde vivem 26 famílias. Uma das pessoas chegou a ser assaltada por ele. João também é acusado de roubos a caminhões de transporte de cargas.

Para quem quiser ler, a notícia está em
http://www.pa.gov.br/noticia_interna.asp?id_ver=78342

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Fuga do piloto

O piloto que estava preso na aldeia foge com o avião e os índios agora estão revoltados com a fuga.


Notícia publicada pela Folha de São Paulo e transcrita da Resenha do Ministério da Defesa de hoje
 

Em 08/06/11 - Piloto de avião retido em aldeia escapa
 

PROTESTO DOS ÍNDIOS
Aeronave, pertencente a uma empresa de táxi aéreo, tinha sido retida por índios ianômamis há uma semana
Índios protestavam contra uma possível nomeação política para o Distrito Sanitário Yanomami e Ye'kuana
RODRIGO VARGAS - DE CUIABÁ
Um evento inesperado interrompeu ontem o protesto dos índios ianomâmis que havia mais de uma semana mantinham retido um avião Cesna fretado pela Funasa em uma aldeia de Barcelos, no Amazonas. O piloto da aeronave, Tássio Sousa, aproveitou um descuido dos manifestantes e decolou no início da manhã em direção ao aeroporto de Boa Vista (RR).
Os índios protestavam contra a possível nomeação de uma servidora do Ministério da Saúde para a chefia do DSEI-Y (Distrito Sanitário Yanomami e Ye'kuana). A fuga ocorreu por volta de 5h30 da manhã, enquanto os índios dormiam, diz Dário Kopenawa, um dos líderes da etnia. "O piloto conseguiu pegar a chave, tirou as pedras e paus que bloqueavam a pista e foi embora", relata. Segundo ele, o piloto "não estava preso, não era maltratado e não sofria ameaças". "Não sei o que ele pensou, pois estava numa boa. O protesto envolvia só o avião." Mesmo sem o instrumento de barganha, a manifestação vai continuar, diz o ianomâmi. "Estamos revoltados com o que aconteceu [fuga do piloto]. Agora vamos a Brasília para tentar falar com o ministro da Saúde", disse.
A Roraima Táxi-Aéreo, proprietária do avião, confirmou o retorno do piloto e da aeronave a Boa Vista.
"INDICAÇÕES POLÍTICAS"
Em carta encaminhada na semana passada ao ministro Alexandre Padilha (Saúde), os ianomâmis se declararam "muito indignados" com "indicações políticas" para o DSEI-Y. "Qualquer nomeação de cargo que não passe por uma consulta das comunidades Yanomami e Ye'kuana não será aceita", dizia um trecho da carta. A queixa diz respeito à possível nomeação de Andréia Maia Oliveira, assessora da coordenação regional da Funasa, para a chefia do distrito. A indicação, segundo os índios, foi feita pelo senador Romero Jucá (PMDB).
O senador nega participação no processo. Em nota à Folha, o Ministério da Saúde disse que o secretário especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, mantém contato com os índios para "verificar os pontos de reivindicação", mas afirmou que as nomeações são "atribuição exclusiva do governo federal".

domingo, 5 de junho de 2011

Florestas e agricultura

O Canadá possui 10% da área florestal do planeta. Exploram sua riqueza com inteligência. A extração de madeira não ultrapassa 1% da área florestal do país e rende US$ 23 bilhões por ano.

Os Estados Unidos cultivam cinturões verdes em torno das cidades médias, para proteger os mananciais; seus parques nacionais recebem 600 milhões de visitas por ano.

Há excelentes madeiras para a construção de móveis e para obras e construções. Sua exploração racional deve ser incentivada, sem a imposição de regras impraticáveis e impostos abusivos.

Por outro lado, o Brasil preserva mais de 60% de sua cobertura vegetal. Na Amazônia, a cifra sobe para 85%. Os índices de desmatamento caem seguidamente. No Mato Grosso, há um movimento crescente de aproveitamento de áreas de pastagem para a agricultura, deixando-se de derrubar florestas para criar áreas de cultivo.

Nossa agricultura é cada vez mais forte e calcada nos avanços tecnológicos. Nesse aspecto, ressalta-se a importância da Embrapa e dos alimentos geneticamente modificados. A biotecnologia tem sido fundamental para a maior oferta de alimentos e para a conservação da floresta.

Em 24 de abril de 2002, o Jornal do Brasil publicou um artigo do economista Jean Marc Von Der Weid, que posicionava-se claramente contra os transgênicos. No artigo, ele dizia que a produtividade média dos agricultores alcançava 1500 kg por hectares em culturas como o milho e a soja.

O fato é que, dez anos depois, o Mato Grosso alcança produtividade de 3500 kg/hectare com o uso de sementes transgênicas.

Em 2002, a produção brasileira de soja era de 41 milhões de toneladas. Nove anos depois, aproxima-se de 70 milhões.

Agricultura e meio ambiente não são antagônicos, muito pelo contrário.
Pode-se explorar os recursos florestais com inteligência.
Não vamos aceitar a depredação da floresta, essencial para a regulação do clima; nem vamos deixar que nos imponham um preservacionismo estéril e empobrecedor.

Viva a agricultura e o meio ambiente.

Tempos difíceis para os portugueses

Portugal é um país pequeno e, apos a descolonização de quarenta anos atrás, não possui recursos materiais ou humanos para vencer suas dificuldades.

Na década passada, houve um aumento na remuneração média dos portugueses. Ainda assim, os salários em Portugal são menores que os da maioria dos demais países europeus.

Convenhamos, Portugal é um país pobre.

Por falar em países pobres, falemos um pouco da Irlanda, que também era considerada pobre há alguns anos, tem território um pouco menor e população equivalente à metade de Portugal.

Até a crise de 2008, a Irlanda era tida como um novo tigre europeu. Nos anos anteriores, o país celta investira em educação e na formação de mão de obra qualificada. Diminuiu impostos e os salários aumentaram expressivamente. Em 2004, o país celta abriu suas portas para a imigração da União Europeia, principalmente visando aumentar o quantitativo da mão de obra na construção civil.

Tudo parecia bem, mas os irlandeses também estão sofrendo grandes dificuldades econômicas desde o estouro da crise em 2008.

A situação portuguesa é ainda pior.

Portugal não seguiu o exemplo irlandês. Quase dez porcento de sua população é analfabeta e há um enorme contingente de portugueses vivendo e trabalhando em outros países europeus. Imagino que esses emigrantes enviam dinheiro para a terrinha, o que deve representar uma significativa parcela do PIB português.

A crise que se arrasta desde 2008 tem sido severa com os portugueses, tanto dentro como fora do país. Em Portugal, o índice de desemprego atingiu os 12%; nos países europeus, os desempregados são ainda mais numerosos.

O desemprego atinge sobretudo a mão de obra não qualificada. A crescente informatização dos processos do trabalho demanda um tipo de profissional de difícil formação. Esse fato dificulta ainda mais a vida dos portugueses, que não superaram os seus problemas educacionais.

Não há milagres no cenário português nem espaço para demagogias. Ao ingressar na União Europeia, Portugal renunciou à sua capacidade de ditar sua política monetária. Agora, terá que submeter-se aos ditames dos europeus mais poderosos que lhe ditam: austeridade, austeridade e mais austeridade, o que significa ainda mais sacrificios para a população.

O incremento da educação pode ser uma saída para Portugal, mas seus reflexos virão somente daqui a alguns anos.

Infelizmente, o céu portugues está coberto com nuvens bem carregadas. São tempos difíceis para os patrícios.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Pastoral da Terra

A edição da Folha de São Paulo do dia 31 de maio publicou uma entrevista com Dom Pedro Casaldáliga, fundador da Comissão Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista Missionário.

Transcrevo três perguntas do reporter e as respectivas respostas do bispo.

"Reporter: Qual é a situação dos conflitos agrários?
Bispo: Simplificando, com uns traços panorâmicos, poderíamos dividir o nosso Brasil em três. Primeiro, o Brasil hegemônico, que está a serviço do agronegócio, depredador, monocultural, latifundista, excluidor dos povos indígenas e do povo camponês. Fiel à cartilha do capitalismo neoliberal. Uma oligarquia política tradicionalmente dona do poder e da terra.

Reporter: Quem fica do outro lado?
Bispo: O povo da terra indígenas, camponeses da agricultura familiar, ribeirinhos, extrativistas, sem terra consciente de seus direitos e organizado em diferentes instâncias de sindicato, de associação e respaldado por grupos militantes solidários do movimento popular, das pastorais sociais, de intelectuais e artistas, de universitários, de certas ONGs.

Reporter: Quem é o terceiro grupo?
Bispo: É uma maioria média desinformada ou mal informada, que não vincula as lutas do campo com as lutas da cidade, no dia a dia da sobrevivência. Que não percebe ainda que a reforma agrária é uma luta de todos."


O Bispo é um ardoroso adepto da teologia da libertação e enxerga um mundo maniqueísta, povoado, de um lado, por exploradores ricos e malvados; e, do outro,  pelos pobres, pessoas simples e boas.

No meio dos dois polos, o bispo posiciona o resto dos brasileiros, nós, que deveremos ser convencidos da justiça de sua luta. Muitos aceitam esse tipo de manipulação ideológica, mas vamos adiante.

A revista Veja desta semana publica a matéria "Uma reserva de miséria", que mostra o abandono dos fazendeiros expulsos de suas terras na Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Os ex-fazendeiros de Roraima, que Dom Pedro Casaldáliga chamaria de latifundiários inescrupulosos, hoje são favelados da periferia de Boa Vista. Não eram tão ricos assim, portanto.

Para mim, a situação em Roraima mostra o padrão de justiça social que a Pastoral da Terra idealiza para nosso país. 


Considero o bispo um retrógrado e me surpreendo como a ideologia marxista conseguiu se disseminar na Igreja Católica no Brasil.

Sequestro de avião

Uma notícia para os colegas

Índios yanomami sequestram monomotor no Amazonas e mantêm o piloto refém.

Os links abaixo apresentam mais detalhes sobre o fato:

http://www.ojornalweb.com/2011/06/03/indios-yanomami-sequestram-monomotor-no-amazonas/

http://acritica.uol.com.br/amazonia/Amazonia-Amazonas-Manaus-Empresa-suspende-yanomami-indigenas-atendimento_0_491950868.html

O monomotor é de uma empresa privada e foi alugado para serviços da Secretaria Especial Indígena (Sesai). Um dos motivos da retenção do avião deve-se à recusa dos indígenas em aceitar a nomeação de Andréia Maia Oliveira para o Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena Yanomami e Yekuana (DSEI-Y).

De acordo com Dário Vitório Kopenawa,  diretor da Hutukara Associação Yanomami, há lideranças pensando até em queimar o avião no fim de semana.

Kopenawa disse que além do piloto, vieram no avião quatro agentes de saúde indígena,três técnicos de enfermagem e um enfermeiro da Sesai. Todos estariam trabalhando na aldeia. Por isso, Kopenawa nega que haja algum sequestro.

Antônio Ailton da Silva, coordenador da Hutukara Associação Yanomami, sediada em Boa Vista (RR) disse que uma eventual tentativa de retirada do avião da aldeia pela Polícia Federal pode resultar em confronto com os indígenas.

O coordenador disse que indígenas das 37 regiões yanomami (formada por 200 aldeias nos Estados do Amazonas e Roraima) avisaram, também por radiofonia, que outro avião que, porventura, pousar na área também poderá ficar retido.

Amigos, a grande mídia não tem dado a menor atenção a esse fato.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Soberania não se negocia

O barco da Comunidade Europeia faz água no porão, onde se espremem portugueses, gregos e espanhóis.

A turma do camarote tem um único discurso: austeridade, austeridade e austeridade.
Para que não digam que não colaboram com a turma do porão, os alemães mandaram alguns baldes para os espanhois.

A alegoria serve para ilustrar que a União Europeia pareceu muito vantajosa nos anos 90, mas, vinte anos depois, os jovens  desempregados descobrem que seus pais e avós os embarcaram numa canoa furada.

Ora, convenhamos. Ao abdicarem da prerrogativa de emitirem sua própria moeda, os países europeus renunciaram à capacidade de formular políticas monetárias.

Para os neoliberais do fim do século passado, emitir moeda era sinônimo de permissividade. Sua receita para os momentos de crise coincide com o que a turma do camarote grita hoje para o porão: austeridade, austeridade e austeridade.

Bem, o fato é que não sobrou muita coisa na caixa de ferramentas dos governos europeus. Agora, são os jovens desempregados que têm que se virar com os baldes no porão inundado do navio.

Fica a lição: nenhum Estado tem o direito de renunciar a qualquer capacidade de defender o seu povo. Para quem não entende do riscado, eu traduzo: soberania não se negocia.